Matérias-Primas Novo Lítio mais que duplica prejuízos para 2,6 milhões de euros

Novo Lítio mais que duplica prejuízos para 2,6 milhões de euros

Os custos de exploração da empresa que tem um diferendo com a portuguesa Lusorecursos sobre uma licença de prospecção de lítio no Norte do país mais que triplicaram no espaço de um ano. Novo Lítio diz que dizem respeito a investimentos e são "indicação clara da aposta e do compromisso que a Novo Lítio tem com e em Portugal."
Novo Lítio mais que duplica prejuízos para 2,6 milhões de euros
Bruno Simão
Paulo Zacarias Gomes 03 de outubro de 2017 às 16:20
O resultado líquido da Novo Lítio, empresa que tem um litígio com a portuguesa Lusorecursos envolvendo a prospecção de lítio na zona de Montalegre, piorou durante o exercício anual terminado em Junho passado.

Os prejuízos da empresa agravaram-se, no espaço de um ano, para 3,99 milhões de dólares canadianos (2,6 milhões de euros à cotação actual), o dobro dos 1,91 milhões (1,27 milhões) negativos registados nas contas no final de Junho de 2016, refere o relatório e contas da empresa.

A pressionar as contas esteve o aumento de custos de exploração e de avaliação, que ascenderam a 4,2 milhões de dólares contra 1,13 milhões um ano antes. O valor aproxima-se dos 4 milhões de euros que a empresa disse já ter aplicado em Portugal. Já os gastos com empregados passaram de 66,4 mil dólares para 248,58 mil e as despesas com serviços legais passaram de 41 mil para 375 mil dólares. O pagamento com base em acções aumentou para 913 mil dólares.

"Os prejuízos para o ano financeiro resultam do tratamento contabilístico habitual, de acordo com os critérios definidos pelo International Financial Reporting Standards (IFRS): despesas no valor de AUD $4,2 milhões em exploração e custos de desenvolvimento, que foram investidos pela empresa durante a fase actual de definição de recursos e estudos de viabilidade, principalmente em Sepeda. Este "prejuízo" é, na verdade, uma indicação clara da aposta e do compromisso que a Novo Lítio tem com e em Portugal," disse ao Negócios fonte da Novo Lítio, através de e-mail posterior à publicação desta notícia.

A venda de activos da empresa liderada por David Frances (na foto) valeu um encaixe de 2,59 milhões de dólares, relacionada com a alienação do projecto Lynas por um total de 8 milhões de dólares, três milhões dos quais em acções da australiana Pilbara Minerals, empresa a que o projecto foi vendido. No capítulo outras receitas a companhia inscreve ainda 494,7 mil dólares obtidos através de juros e de incentivos para investigação e desenvolvimento, segundo as contas auditadas pela EY. 

Para o CEO da empresa, "o que tem sido descrito como uma perda de US $4,2 milhões é, na verdade, a demonstração clara do nosso compromisso e aposta no projecto de lítio Sepeda [Montalegre] e com Portugal. Estamos ansiosos por iniciar o desenvolvimento sustentável da primeira mina de lítio na Europa, capaz de fornecer lítio para alimentar a nova era de transporte eléctrico. Tal como diz o nosso lema: Lítio da Europa para a Europa," afirmou David Frances em declarações escritas enviadas ao Negócios.

Desde meados deste ano que se arrasta um diferendo entre as companhias portuguesa e australiana sobre os direitos actual e futura titularidade das licenças de prospecção e exploração em Sepeda onde tem sido identificada a presença de lítio e se perspectiva um possível investimento para a sua aplicação no fabrico de baterias.

A divergência precipitou recurso da Novo Lítio aos tribunais portugueses e levou mesmo à intervenção da GNR, que foi chamada nas últimas semanas a identificar seguranças privados alegadamente contratados pela Novo Lítio para dissuadir a entrada de pessoas nos terrenos da concessão.

Na altura em que deu conta do avanço para tribunal, a empresa estimava ter uma resposta das autoridades judiciais em três meses – até finais de Outubro, princípios de Novembro. Agora, no relatório financeiro anual, a companhia não arrisca uma data: "Nesta fase, há incerteza sobre quanto tempo demorará a ser tomada uma decisão legal final".

A empresa assegura que, caso o desfecho dos processos judiciais seja positivo, "está comprometida, e tem a capacidade necessária, a continuar a investir as suas significativas reservas em dinheiro e o seu know-how para demonstrar e desenvolver, de forma sustentada, os recursos naturais de lítio, para o benefício de todas as partes envolvidas: accionistas, investidores e, claro, Portugal."

A licença de prospecção em causa é válida até 7 de Dezembro, após o que a Lusorecursos - único interlocutor reconhecido pelo Estado terá de pedir a atribuição de uma concessão de exploração experimental ou de uma concessão de exploração definitiva.

Além de Sepeda, a Novo Lítio anunciou ainda ter entrado em acordo para a aquisição de duas licenças de prospecção numa área próxima da de Montalegre à Medcenterra, subsidiária portuguesa da canadiana Medgold. À actividade em Portugal junta-se ainda a presença dos australianos no capital da Pilbara e licenças para prospecção de lítio na Suécia, na área denominada Spodumenberget.

Na mesma declaração escrita, a Novo Lítio garante ter uma "capacidade financeira (...) muito sólida, com reservas de caixa no valor de AUD $17,8 milhões (11,88 milhões de euros à cotação actual)."

(Notícia actualizada às 12:44 de quarta-feira, 4 de Outubro, com declarações enviadas pela Novo Lítio)



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