Bolsa Num mundo de supostas bolhas, saiba do que têm mais medo os investidores

Num mundo de supostas bolhas, saiba do que têm mais medo os investidores

Os preços dos activos estão a causar desconforto no mercado e o alerta vem de especialistas como Alan Greenspan, representantes da Reserva Federal e gestores com dinheiro disponível.
Num mundo de supostas bolhas, saiba do que têm mais medo os investidores
Reuters
Bloomberg 10 de setembro de 2017 às 12:00

Títulos de alto rendimento em euros estão a ser negociados em linha com as obrigações do Tesouro dos EUA pela primeira vez na história. O Tajiquistão está a vender "eurobonds", já que os retornos dos títulos mais arriscados dos mercados emergentes estão abaixo de 6%. Um fundo de índice (ETF) que apostou na baixa volatilidade mais do que duplicou de dimensão este ano. Isto sem falar na subida significativa da bitcoin.

 

Os preços de activos estão mais "borbulhantes" do que em períodos de efervescência anteriores, alertam analistas do Bank of America Merrill Lynch. A culpa, dizem, é dos bancos centrais, que inundaram os mercados com mais de 14 biliões de dólares em estímulos e afastaram os investidores do espectro de risco para gerar retorno. Representantes da Fed disseram em Agosto que os preços dos activos aumentaram, passando de "notáveis para elevados".

 

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, tentou afastar as preocupações na quinta-feira, dizendo aos jornalistas que "não há perigo sistémico" de bolhas.

 

Com tantos potenciais cenários de bolhas para analisar, perguntámos a gestores de fundos multiactivos quais seriam os mais negativos.

 

Remi Olu-Pitan, da Schroder Investment Management, concorda com os comentários de Alan Greenspan – ex-presidente da Fed – feitos no mês passado, quando disse que há uma crescente bolha nos mercados obrigacionistas. O ponto mais perigoso, disse a gestora, está no crédito de alto grau de investimento, porque é onde os fundos procuram retorno quando não o encontram na dívida soberana.

 

"O plano de pensão médio nos EUA ainda está a tentar gerar um retorno de 7,5%", disse Olu-Pitan. "Não podem colocar tudo em acções para gerar retorno, por isso há uma pilha de dinheiro a ir para a dívida para se conseguir esse rendimento extra. Se isso começar a descarrilar, tudo descarrila e não há lugar para nos escondermos".

 

Zona de perigo

O facto de as junk bonds (de grau especulativo) já não recompensarem os investidores por todo o risco que assumem coloca-as em um território de bolha, diz Ben Kumar, gestor de recursos da Seven Investment, em Londres. E destaca as empresas europeias, cujos retornos estão a ser negociados próximos de mínimos recordes.

 

Kumar não está sozinho. Gestores de recursos, que administram cerca de um bilião de dólares em activos, disseram recentemente que estão a reduzir a exposição a esta classe de activos. As obrigações de alto rendimento normalmente respondem de maneira mais forte do que outros activos a choques do mercado, porque os investidores tendem primeiro a diminuir as apostas mais arriscadas.

 

"Existe a hipótese de uma bolha em títulos europeus de alto rendimento poder estourar muito rapidamente e muita gente pode entrar em pânico", avalia Kumar, que ajuda a administrar 10 mil milhões de libras esterlinas em activos. "É onde se encontra baixa liquidez, baixa visibilidade e uma propensão maior do investidor para o pânico".

 

Por seu lado, Christian Hille, chefe global de fundos multiactivos da Deutsche Asset Management, não acredita que o mercado obrigacionista esteja numa zona de bolha. Mas, se o apetite por risco continuar a aumentar ao ritmo actual, facilmente se poderá formar uma bolha no espaço do crédito alavancado, já que os investidores "são obrigados a descer a escada do risco".

(Resumo feito a partir do original em inglês)




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