Crédito Número de famílias sobre-endividadas a pedir ajuda à Deco atinge máximos

Número de famílias sobre-endividadas a pedir ajuda à Deco atinge máximos

2016 foi o ano com maior número de pedidos de ajuda desde sempre de famílias sobre-endividadas à Deco. Foram quase 30 mil famílias, mais 474 do que em 2015.
Número de famílias sobre-endividadas a pedir ajuda à Deco atinge máximos
Miguel Baltazar
Lusa 24 de janeiro de 2017 às 07:43

Quase 30 mil famílias sobre-endividadas pediram no ano passado ajuda ao Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da associação Deco, mais 474 do que em 2015, mas apenas menos de 3.000 viram as dividas reestruturas, revelam estatísticas divulgadas esta terça-feira.

 

O balanço confirma que a situação não melhorou, segundo a coordenadora do GAS, Natália Nunes: "A expectativa de que o crescimento económico melhorava a situação financeira das famílias não se verificou, nem houve uma redução das famílias a pedir ajuda, muito pelo contrário, verificou-se um ligeiro aumento".

 

O número de pedidos de ajuda a famílias em situação de sobre-endividamento subiu no ano passado, de 29.056 pedidos, em 2015, para 29.530. Este número só tinha baixado em 2014, para 29 mil pedidos de ajuda, face aos 29.214 pedidos de 2013, mas desde 2014 têm subido consecutivamente, sendo 2016 o ano com maior número de pedidos de ajuda desde sempre.

 

Mas, do total de pedidos recebidos pelo GAS, a grande maioria fica pelo caminho: "Continuamos a ver uma degradação da situação financeira e, por isso, não conseguimos ajudar a maioria das famílias", comentou Natália Nunes, explicando que, na maioria dos casos, o gabinete da Deco não consegue avançar com a reestruturação da dívida.

 

Do total de pedidos, quase 30 mil, a Deco acompanhou no ano passado apenas 2.715, mais três processos do que no ano anterior e menos 53 processos do que em 2014.

 

Quanto às razões que levam as famílias a endividar-se em excesso ou acima da capacidade de pagar as dividas, continuam a liderar as ligadas ao trabalho, com destaque para o desemprego, mas este baixou para um peso de 26%, quando em 2014 era de 30%.

 

Quanto às habilitações académicas, a maioria das famílias que pede ajuda têm o ensino secundário (35%) ou o 3.º ciclo (22%), representando o ensino superior apenas 18%.

 

A maioria dos pedidos de ajuda de sobre-endividados à Deco é oriunda de Lisboa e Vale do Tejo (43%), Porto e Norte (31%) e da região Centro (155), representando o Alentejo e o Algarve apenas 5% e 4% dos pedidos, respectivamente.

 

A taxa de esforço média dos processos de sobre-endividamento nas mãos da Deco foi de 67% no ano passado, mostrando uma descida face à taxa de esforço de 72% em 2015.


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comentários mais recentes
Francisco António 24.01.2017

Comprar ou não comprar é sempre uma decisão pessoal e não do ministro das Finanças ! Só que o pessoal afectado pelo desemprego e pelo desejo de querer tudo aos 30 anos entra em parafuso ! Não bastasse o deslumbramento ainda temos o SMN que, segundo os patrões é exagerado !

Anónimo 24.01.2017

Então mas isto não estava tudo a melhorar com o NOVO TEMPO.....Virar da página .......

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