Bolsa O dia de todos os recordes em Wall Street

O dia de todos os recordes em Wall Street

Os três principais índices bolsistas do outro lado do Atlântico atingiram máximos históricos na sessão desta quarta-feira. O Dow Jones foi a grande vedeta, ao finalmente atingir, e superar, a mítica barreira dos 20.000 pontos.
O dia de todos os recordes em Wall Street
Reuters
Carla Pedro 25 de janeiro de 2017 às 21:29

O clima é de euforia nos mercados accionistas norte-americanos. Depois de ontem o S&P 500 e o Nasdaq Composite terem marcado máximos de sempre, hoje repetiram a tendência, estabelecendo novos picos. E o Dow Jones veio juntar-se, atingindo finalmente o patamar que ameaçava inaugurar desde meados de Dezembro: os 20.000 pontos.

 

O Standard & Poor’s 500 fechou a somar 0,80% para 2.298,37 pontos, tendo a meio da sessão atingido o valor mais elevado de sempre, nos 2.299,55 pontos.

 

Também o tecnológico Nasdaq Composite estabeleceu um novo recorde, ao tocar pela primeira vez nos 5.658,59 pontos. No fecho, marcou 5.656,34 pontos, a somar 0,99%.

 

O índice industrial Dow Jones, por seu lado, atingiu e superou os 20.000 pontos, algo que se preparava para fazer desde meados de Dezembro. No passado dia 6 de Janeiro esteve a apenas 0,37 pontos de o conseguir, ao estabelecer-se nos 19.999,63 pontos, mas entretanto perdeu algum gás. Hoje, recuperou o fôlego e em força: fechou a subir 0,78% para 20.068,51 pontos, tendo chegado a marcar na negociação intradiária 20.082,00 pontos.

A catapultar Wall Street têm estado vários factores, nomeadamente os bons resultados trimestrais de grandes empresas, que estão a sair melhores do que o esperado.

 

Também o optimismo em torno do crescimento económico dos Estados Unidos tem estado a animar a negociação. Os investidores estão convictos de que as medidas que o presidente Donald Trump vai implementar contribuirão para aumentar o investimento empresarial.

 

Esta expectativa tem dado gás às empresas de engenharia e do ramo imobiliário e da construção, mas não só. Também muitas matérias-primas, especialmente os metais industriais – com especial relevo para o cobre – estão a ser beneficiadas por esta onda de optimismo.

 

E os títulos industriais não se ficam atrás, tendo hoje dado o balanço que faltava ao Dow Jones para atingir o marco dos 20.000 pontos pela primeira vez em 121 anos de história.

 

O facto de Trump querer aligeirar a forte regulamentação que é imposta à banca - sobretudo desde a crise financeira - e de querer flexibilizar as normas ambientais são aspectos que sustentam igualmente os sectores financeiro e petrolífero.

 

E a energia tem mais dois aliados de peso, que se chamam Keystone XL e Dakota Access Pipeline. São eles os dois oleodutos cuja construção Donald Trump prometeu ontem fazer avançar.

A liderar os ganhos na sessão de hoje esteve a Boeing, que fechou a disparar 4,24% para 167,36 dólares, tendo a meio da sessão marcado um máximo histórico nos 168,65 dólares, animada pelos lucros trimestrais. 

Segunda "viagem de 1.000 pontos" mais rápida do do Dow Jones

A passagem dos 19.000 para os 20.000 pontos constituiu "a segunda mais rápida viagem de 1.000 pontos" (demorou 42 dias) na história do Dow Jones no que diz respeito a patamares em números redondos.

O anterior recorde, segundo os dados da Bloomberg, foi estabelecido entre Março e Maio de 1999, em plena bolha tecnológica (das chamadas dot.com), em que o Dow Jones passou de 10.000 para 11.000 pontos em apenas 35 dias (a que corresponderam 24 sessões de negociação).


Já para passar do patamar dos 1.000 para os 2.000 pontos, o Dow Jones precisou de 5.200 dias.


Excluindo os patamares dos números redondos, o Dow Jones já teve mais quatro viagens de valorização de 1.000 pontos no período de um mês, conforme relata a FactSet.

Ganhos mensais de 1.000 pontos

Data
Ganho mensal
Aumento em %
Abril 1999 +1.002,88 +10,25%
Outubro 2011 +1.041,63 +9,54%
Outubro 2015 +1.378,84 +8,47%
Março 2016 +1.168,59 +7,08%
Novembro 2016 +1.062,93 +5,86% 
Source: FactSet


E no sentido contrário também, com o mergulho de perto de 1.100 pontos do índice industrial, logo a seguir à abertura da negociação no dia 24 de Agosto de 2015 ainda bem presente na memória de muitos.


Com efeito, 24 de Agosto de 2014 foi dia de ‘flash crash’ nas praças de todo o mundo - a começar com a queda de quase 9% da bolsa de Xangai, que contagiou as congéneres de todas as regiões, devido aos receios de aterragem dura na China -, tendo a sessão ficado conhecida também como uma nova segunda-feira negra na história das bolsas, a rivalizar com o crash de 19 de Outubro de 1987 em Wall Street.

Desde as eleições presidenciais norte-americanas do passado dia 8 de Novembro, que ditaram a vitória de Donald Trump, o Dow Jones acumula uma valorização de 9,5%.


A assinalar o marco hoje atingido, a CNN fez um vídeo onde conta, em 2,33 minutos, o percurso do Dow Jones desde que atingiu os 1.000 pontos, a 14 de Novembro 1972 - data em que contava já com 76 anos de vida. 



(notícia actualizada pela última vez às 00:33 de 26 de Janeiro)




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comentários mais recentes
João Guerra Há 1 dia

Otimismo sem muita base técnica, supotado apenas no cumprimento inicial das promessas mais populistas que realizou (de forma afirmativa e rápida, o que é um facto positivo, diga-se, em favor da sua liderança). Contudo, os mercados cambiais não acompanharam e o dólar não valoriza, proporcionalmente.

Anónimo Há 1 dia

depois de a FED injectar 4.5 Trillions US Dollars, (Out of Thin Air)
só mesmo o record só peca por tardio, e pequeno!!!!

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