Mercados O que se espera para os mercados em 2018?

O que se espera para os mercados em 2018?

O próximo ano deverá trazer mais boas notícias para os investidores, com o ambiente de recuperação económica a favorecer os activos de risco. Mas há alguns riscos que podem ameaçar a tranquilidade dos mercados.
O que se espera para os mercados em 2018?
Bruno Simão
Patrícia Abreu 29 de dezembro de 2017 às 11:30
O último ano foi positivo para os mercados, com ganhos das acções, à dívida, passando pelas matérias-primas. Para o ano que se avizinha, as perspectivas mantêm-se animadoras, sobretudo para os activos de risco. Mas, os ganhos fáceis fazem parte do passado.

2018 deverá trazer mais boas notícias para os investidores. Com a economia mundial a crescer e os resultados das empresas a tirarem partido desta recuperação, os especialistas acreditam que há margem para ganhos adicionais nas bolsas mundiais, mas também na dívida e nas moedas emergentes, ou nos metais industrias.

"Em 2017, as acções globais estiveram suportadas pelo crescimento dos resultados depois de anos de lucros estagnados", explica Jeremy Podger. Para o gestor da Fidelity, no próximo ano, é necessário assistir a um crescimento dos resultados para puxar pelas acções e "há uma boa hipóteses de vermos este crescimento dos resultados, ainda que a taxas inferiores às que assistimos em 2017".

Após um ano de máximos nas bolsas mundiais, os especialistas recomendam cautela com as avaliações. Europa, Japão e emergentes surgem entre os mercados preferidos para investir, com sectores como a banca ou a tecnologia a merecer atenção dos analistas.

Fora das acções, os principais bancos de investimento identificam oportunidades nos metais industriais, na dívida emergente e em algumas moedas locais destas regiões. "Os investidores institucionais devem também considerar activos imobiliários com juros de longo prazo estáveis", recomenda Neil Dwane, da Allianz GI.

Mas, depois de um ano relativamente calmo, em que alguns dos maiores receios – sobretudo políticos – dos investidores não se concretizaram, 2018 traz oportunidades, mas também riscos. "Em 2018 podemos ver mais incerteza política com maior impacto nos mercados do que este ano", antecipa Jeremy Podger. As eleições em Itália, a Catalunha e as negociações do Brexit são alguns dos assuntos que podem aumentar a incerteza nos mercados.

A subida, ainda que gradual, da inflação é outro dos temas que poderá afectar o andamento dos mercados. "Actualmente, as pressões inflacionistas parecem sob controlo, mas isso pode mudar se as economias começaram a aquecer", avisa o mesmo gestor da Fidelity, no "outlook" da gestora para 2018.

Incontornável é também a redução de estímulos monetários. Enquanto a Reserva Federal dos EUA deverá continuar a reduzir o seu plano de reinvestimentos, o Banco Central Europeu vai cortar para metade o seu plano de compras a partir de Janeiro. Contudo, a não ser que os bancos centrais surpreendam com uma retirada de estímulos mais rápida do que é previsto, os especialistas acreditam que o ambiente permanece favorável aos activos de risco. Ainda assim, avisa a BlackRock, "os desempenhos de 2017 vão ser difíceis de seguir".

Mais e menos

As acções voltam a ser apontadas como o activo preferido para 2018, com os emergentes em destaque. Já as obrigações vão manter-se aquém.

Mais
Recuperação suporta  acções europeias
As bolsas europeias e japonesas surgem entre as regiões preferidas para investir no próximo ano. As avaliações menos esticadas e a recuperação em curso deverão dar suporte às acções.

Emergentes prontos para surpreender
Depois de terem liderado os ganhos em 2017, os mercados emergentes deverão voltar a destacar-se no próximo ano. Na dívida e nas divisas também há oportunidades.

Menos
Subida nos juros das obrigações
O crescimento económico sincronizado e a redução de estímulos monetários deverá acelerar uma subida, ainda que gradual, dos juros das obrigações soberanas e de empresas.

Petróleo refém da procura e dos EUA
Depois de um ano de recuperação, 2018 poderá trazer alguma fraqueza às cotações do petróleo, com os EUA a continuarem a produzir mais.




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