Trading O VIX não mostra medo. Estará certo?

O VIX não mostra medo. Estará certo?

Índice de volatilidade tem estado anormalmente baixo, mas um relatório defende que o indicador não está a reflectir os riscos do mercado e tem dado "uma falsa sensação de segurança aos investidores"
O VIX não mostra medo. Estará certo?
Reuters
Negócios 14 de março de 2017 às 13:24
O CBOE Volatility index, mais conhecido por índice VIX, foi construído para medir a volatilidade, mas acabou por ficar baptizado com o nome de índice do medo, por os seus valores mais elevados indiciarem tempos de incerteza e de perigo nos mercados. No entanto, há quem defenda que este índice já não está a medir correctamente os tempos incertos que se vivem nos EUA.

James Butterfill, chefe de research and e de estratégia de investimento da ETF Securities, veio levantar o problema, num relatório intitulado "O VIX e as promessas fiscais estão a embalar os investidores numa falsa sensação de segurança". O seu argumento é que o VIX tem limitações e não tem respondido a factores reais que deveriam inspirar mais cautelas.

Entre o início do ano e 7 de Março, o VIX ostentou um valor médio de 11,2 pontos, muito abaixo da sua média histórica de 19,6 pontos. O valor é tão "anormalmente baixo" que só revelou este nível em 4% do tempo. Para Butterfill, a situação "está a deixar o mercado de acções norte-americano vulnerável a um sell-off no caso de novas subidas das taxas de juro e de desilusão com a administração política norte-americana".

Para o analista, é compreensível que as promessas de Trump, como o corte de impostos e o aumento das obras de infraestruturas, sejam suporte de optimismo. No entanto, não só não há ainda muitos pormenores sobre estas medidas - que deverão vir a ser conhecidos ainda esta semana - como há uma volatilidade política nos EUA e na Europa que não está a fazer mossa no VIX. Levando Butterfill a lançar a pergunta: "será que o VIX continua a ser um bom indicador da subida do medo?"

A resposta, no seu entender, é negativa. E sugere uma afinação do indicador, na prática compilando um outro, que tem servido de referência à ETF Securities. O seu modelo do VIX combina o Global Financial Stress Index, do Bank of America Merrill Lynch, com o US Economy Policy Uncertainty Index. O primeiro foca-se numa gama alargada de riscos, o segundo leva em conta notícias sobre política económica, incerteza e dúvidas sobre lesiglação.

Segundo Butterfill, o VIX e este novo indicador andaram muito juntos e correlacionados entre 2001 e 2014, mas começaram então a divergir. De acordo com os seus cálculos, o VIX deveria estar perto dos 20 pontos, um nível associado a um risco de mercado muito mais elevado.

Em termos mais fundamentais, o especialista lembra que as acções norte-americanas estão muito valorizadas, com as acções do S&P 500 a negociarem com um rácio Price/Earnings de 22 vezes, o máximo desde 2002. 

Ou seja, conclui James Butterfill, os investidores têm de tomar atenção também aos factores políticos e da economia real, bem como às avaliações das empresas, e não devem confiar demasiado na tranquilidade que o VIX tem vindo a indicar.