Mercados O suíno é a mercadoria de pior desempenho por excesso de oferta

O suíno é a mercadoria de pior desempenho por excesso de oferta

Presunto, bacon, costeletas, lombo - se vem do porco, os preços estão na lona.
O suíno é a mercadoria de pior desempenho por excesso de oferta
Dehesa Maladúa
Bloomberg 08 de outubro de 2016 às 12:00

Os contratos de futuros do suíno foram o pior investimento em "commodities" no trimestre passado e nos últimos 12 meses. Simplesmente, há porcos em demasia. Eles são tão numerosos actualmente que os matadouros terão de acrescentar turnos e funcionar aos sábados em Novembro e Dezembro para os transformarem em alimento, de acordo com Will Sawyer, director do Rabobank International, em Atlanta.

 

A oferta gigantesca chega numa altura de pouca procura para exportação. A China mais que duplicou as compras de porcos dos EUA no primeiro semestre do ano, mas agora freou as transacções.

 

A desvalorização cambial também põe em risco as remessas para o México, destino de 40% do presunto americano. Os preços no atacado por cortes de porco, como presunto e costelas, são os mais baixos para esta época do ano desde 2009.

 

Os fundos de cobertura de risco ("hedge funds") estão a sinalizar que a carne provavelmente continuará barata, porque os especuladores reduziram as apostas em alta das cotações de suínos em quatro das últimas cinco semanas.

 

"Uma nuvem negra paira sobre o mercado em geral", comentou Dustin Guy, corretor da PCI Advisory Services em Waucoma, no Estado de Iowa. "As pessoas assustaramse com os números de abate e não querem adotar posições compradas nesse mercado."

 

Menos optimismo

 

O total de posições líquidas compradas em contratos de futuros e opções de suínos caiu 15%, para 26.315 contratos, durante a semana terminada em 27 de Setembro, de acordo com dados divulgados pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) três dias depois. É o menor total desde Janeiro.

 

Em Chicago, os contratos de futuros de suínos para liquidação em Dezembro caíram na sexta-feira 6,4%, para 43,975 cêntimos de dólar por libra-peso, o patamar mais baixo para o mais líquido dos contratos em aberto desde 2009. O contrato desabou 32% no trimestre passado, o maior tombo no Bloomberg Commodity Index, que monitoriza 22 componentes.

 

Os futuros podeem mesmo vir a recuar para 40 ceêntimos, de acordo com Guy. Desde 2002 que não se registam preços tão baixos.

 

A produção de suínos disparou 10% em Agosto, para 2,15 mil milhões de libras-peso, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA divulgados em 22 de Setembro. A tendência provavelmente continuará, porque os números semanais mostram que a quantidade de animais abatidos aumentou regularmente em Setembro em comparação com há um ano.

 

A oferta de suínos costuma chegar ao pico no quarto trimestre, o que significa que ainda mais animais estão por vir. Projecta-se que a produção deste tipo de carne nos EUA será este ano a maior alguma vez registada. "É possível que não tenhamos apenas um recorde, mas um recorde ‘obsceno’ da oferta", segundo Rich Nelson, estrategista-chefe da Allendale em McHenry, Illinois.

 


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mais votado Anónimo 09.10.2016

Foto de familia da geringonça.

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Anónimo 09.10.2016

Foto de familia da geringonça.

Anónimo 08.10.2016

Inseriram uma imagem dos porcos que dão origem aos presuntos mais caros do mundo! Jornalismo de treta!

Anónimo 08.10.2016

Um dos da foto é parecido com um espectador de um jogo dos europeus, mas é mais bonito.

Anthonio GS 08.10.2016

Apurem a qualidade dos produtos e deixem-se de ganância. Olhem o exemplo do presunto de Baiona, França ou do presunto de Parma, Itália. A qualidade associada ao bom marketing e menos ganância, dão sempre bons resultados. Ou continuem a vender por uma bagatela aos espanhóis para que eles revendam a outros países como "Made in Spain", como acontece com a laranja, tomate, melão, e etc. A ganância tuga até mete nojo.

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