Petróleo OPEP e Rússia contra-atacam após queda de 14% do petróleo

OPEP e Rússia contra-atacam após queda de 14% do petróleo

A Arábia Saudita e a Rússia sinalizaram um prolongamento dos cortes de produção, depois da correcção dos preços do ouro negro. Conseguirão contrariar o aumento de produção nos EUA?
OPEP e Rússia contra-atacam após queda de 14% do petróleo
Reuters
Rui Barroso 08 de maio de 2017 às 22:15

Moscovo e Riade deram sinais fortes de que os cortes de produção são para durarem mais tempo do que o inicialmente acordado. Isto depois de o preço do petróleo ter perdido 14% em menos de um mês, para menos de 50 dólares, um sinal forte do mercado de que o aumento de produção nos EUA estava a tornar a tarefa da OPEP em reequilibrar a oferta e a procura mais difícil.

Essa descida dos preços motivou um contra-ataque de dois dos maiores produtores mundiais, que dependem das receitas petrolíferas para equilibrar as suas economias. Alexander Novak, ministro russo da Energia, disse, num comunicado citado pela Bloomberg , que "estamos a discutir vários cenários e acreditamos que uma extensão por um período mais alargado ajudará o mercado a acelerar o reequilíbrio". No mesmo dia, Khalid Al-Falih, o ministro saudita da Energia, defendeu que "a coligação de produtores está determinada em fazer tudo o que seja preciso para atingir a meta de trazer os inventários  para níveis abaixo da média dos cinco anos". 

Apesar de estas declarações poderem abrir a porta ao anúncio de uma extensão dos cortes, a Bloomberg noticiou que não houve ainda consenso entre os membros da OPEP. A próxima  reunião está agendada para 25 de Maio. Em Dezembro, o cartel alcançou um acordo para diminuir a produção por seis meses, sendo que se previa que esse prazo pudesse ser estendido por mais meio ano.

O cartel até tem surpreendido os analistas com o grau de execução do acordo. Mas esses esforços aparentam ter sido colocados em xeque pelo regresso do petróleo de xisto dos EUA. E se o anúncio dos cortes levou os preços a subir, nas últimas semanas esse efeito desfez-se. O Brent negociou mesmo na semana passada no valor mais baixo desde Novembro, apagando todos os ganhos construídos no pós-acordo. "A calma no mercado petrolífero não durou muito e as flutuações nos preços cresceram consideravelmente. Os participantes no mercado estão particularmente nervosos com a subida significativa de produção nos EUA", referiu o Commerzbank.

Com o menor efeito dos cortes da OPEP nos preços, os analistas já previam que os cortes de produção tivessem de ser prolongados. O RBC Capital Markets previa, numa nota, que com eleições em 2018 e para sustentar a recuperação da economia, Moscovo tivesse de tomar essa opção. Já do lado de Riade, houve medidas de reversão de cortes de despesa que sugeriam que os responsáveis sauditas estavam a contar com algum alívio orçamental proporcionado por preços mais elevados.

Apesar de o RBC reconhecer que os preços estão dependentes do fluxo noticioso, estima que com a extensão dos cortes os preços possam superar a fasquia de 60 dólares até ao final do ano.  Mas a volatilidade é elevada. Esta segunda-feira, o Brent chegou a subir mais de 1% após os sinais da Rússia e da Arábia Saudita. Mas foram ganhos de pouca duração, com o petróleo a negociar em Londres ao final da tarde com uma queda de 0,43% para 48,89 dólares. *Com ACL




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