Petróleo OPEP: Procura de petróleo deve continuar a crescer até 2040

OPEP: Procura de petróleo deve continuar a crescer até 2040

O cartel de produtores de petróleo antecipa, contudo, que haja um abrandamento da procura global anual de longo prazo, motivada por uma maior eficiência energética e por forte concorrência de outras fontes de energia.
OPEP: Procura de petróleo deve continuar a crescer até 2040
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Paulo Zacarias Gomes 07 de novembro de 2017 às 17:30
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) vê a procura global daquela matéria-prima a crescer em 15,8 milhões de barris por dia até 2040, alcançando os 111,1 milhões nesse ano, contra os 95,4 milhões registados no ano passado. Um comportamento que será sustentado pelo aumento da população e pela emergência de classes médias nos países em desenvolvimento.

As conclusões são do relatório anual daquele cartel de produtores, conhecido esta terça-feira, 7 de Novembro, e ficam segundo o The Wall Street Journal em linha com as previsões da Agência Internacional de Energia, que vê a procura de petróleo a abrandar a partir de 2040. A previsão da OPEP é, contudo, mais optimista do que a de produtores como a Shell ou a Statoil, que antecipam que a procura atinja um máximo já em 2025 ou 2030.

O crescimento da procura global de petróleo no longo prazo deverá porém abrandar, caindo de uma procura média anual de 1,3 milhões de barris por dia entre 2016 e 2020 para uma procura média anual de 0,3 milhões de barris/dia entre 2035 e 2040. 

Essa desaceleração resultará, segundo o relatório, do "abrandamento do crescimento do PIB, assumindo que o preço do petróleo aumenta, que há uma mudança estrutural das economias para uma estrutura mais orientada para os serviços," além de uma maior eficiência energética e da "forte concorrência de outras fontes de energia".

"Entre os países desenvolvidos, a China deverá continuar a ser o maior consumidor", seguido da Índia, antecipa o documento. Já os 35 países da OCDE, em que se inclui Portugal, deverão reduzir a procura em 8,9 milhões de barris por dia. A condicionar esta prestação na OCDE estará um menor crescimento da população, a eficiência na área energética e a adopção de veículos eléctricos.

O relatório espera ainda que, combinados, petróleo e gás contribuam para fornecer mais de metade das necessidades globais de energia do planeta até 2040.

A organização tem em curso cortes acordados de produção com países extra-OPEP, nomeadamente a Rússia (cerca de 1,8 milhões de barris por dia até Março de 2018) para sustentar as valorizações do preço do barril nos mercados internacionais e deverá pronunciar-se sobre a continuidade deste esforço no encontro do próximo dia 30.

Esta terça-feira, o secretário-geral da OPEP, Mohammad Barkindo, disse que a organização está a tentar chegar a um consenso sobre o período pelo qual esta redução de produção poderá ser estendida, sendo que não haverá oposição terminante dos países a esse prolongamento. 

O cartel referiu ainda, segundo a Reuters, que há outros países ainda não subscritores do acordo que estão a ser convidados para se juntar ao esforço de sustentação dos preços do petróleo. 

Segundo a mesma agência noticiosa, os produtores inclinam-se para ampliar por mais nove meses a vigência do acordo, embora uma decisão deste âmbito só deva vir a ser tomada no início de 2018 e dependendo, então, da condição do mercado.

O preço por barril de petróleo atingiu ontem um máximo de mais de dois anos - Junho de 2015, no caso do Brent que negoceia em Londres - negociando acima dos 64 dólares, perante perante a situação de incerteza política na Arábia Saudita, com os analistas a crerem que a operação anti-corrupção lançada no fim de semana confirma o compromisso do príncipe saudita com o prolongamento dos cortes de produção. Seguem a recuar 0,90% para 63,69 dólares.



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