Petróleo OPEP regista produção recorde em Outubro e estima aumento da oferta em 2017

OPEP regista produção recorde em Outubro e estima aumento da oferta em 2017

Ao mesmo tempo que a organização dos países exportadores de petróleo fala em limitar a produção petrolífera, a OPEP anunciou que em Outubro registou um novo máximo de oferta da matéria-prima. E para 2017 prevê que a oferta cresça ainda mais.
OPEP regista produção recorde em Outubro e estima aumento da oferta em 2017
Heinz-Peter Bader/Reuters
David Santiago 11 de Novembro de 2016 às 14:44

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reportou esta sexta-feira, 11 de Novembro, que a produção petrolífera do cartel aumentou em Outubro para um novo máximo histórico. No relatório citado pela agência Reuters, a OPEP estima que o excesso da oferta mundial da matéria-prima continuará a crescer em 2017.

 

No mês passado os países-membros da OPEP produziram 33,64 milhões de barris por dia, mais 240 mil do que a média diária produzida em Setembro. Trata-se do valor mais elevado pelo menos desde 2008, segundo os dados compilados pela Reuters.

 

E depois de esta quinta-feira a Agência Internacional de Energia (AIE) ter antecipado que os países externos à OPEP registem um aumento da produção de 500 mil barris por dia em 2017, o cartel estima registar um crescimento da produção ainda maior no próximo ano.

 

Este relatório da OPEP surge em contraciclo com a intenção anunciada pela organização de limitar a produção por forma a aumentar os preços do "ouro negro". No final de Setembro a OPEP acordou um corte na produção entre 32,50 milhões e 33 milhões de barris por dia, esperando o cartel poder finalizar um acordo na reunião do cartel agendada para o próximo dia 30 de Novembro.

 

Antes, em 28 de Novembro – e já não no dia 26 segundo avança esta sexta-feira a Bloomberg citando fontes envolvidas nas conversações – a OPEP pretende reunir-se com outros produtores, entre os quais a Rússia e o Brasil, para tentar chegar a um acordo que garanta a redução da produção petrolífera.

Mas se Moscovo já chegou a demonstrar disponibilidade para negociar com a OPEP uma limitação da produção de forma a reduzir os actuais níveis excedentários de oferta nos mercados internacionais, há países-membros do cartel que não pretendem reduzir a sua produção de crude.

A Reuters salienta que o facto de a produção da OPEP ter voltado a aumentar poderá representar um entrave nas conversações que terão lugar no final do presente mês. O aumento verificado em Outubro deveu-se, em especial, ao incremento da produção da Líbia, Nigéria e Iraque, três países que consideram poder ficar de fora do acordo para limitar a produção devido aos conflitos e, curso dentro das suas fronteiras.

Também o Irão voltou a aumentar a produção petrolífera no mês passado. Tendência que se verifica desde que o acordo alcançado entre a comunidade internacional e Teerão em torno do programa nuclear iraniano permitiu levantar as sanções económicas que pendiam sobre o país.

O Irão também pretende ficar isento do acordo considerando que as suas exportações de petróleo foram durante vários anos muito penalizadas pelas sanções internacionais. Teerão revelou que a sua produção aumentou em 210 mil barris por dia em Outubro relativamente ao mês anterior.

A OPEP não fez nenhuma menção especial ao facto de Donald Trump ter sido eleito presidente dos Estados Unidos, notando somente que essa eleição provocou uma "significativa" volatilidade nos mercados cambiais.

Depois de conhecido o relatório da OPEP os preços do petróleo nos mercados internacionais sofreram um impacto negativo imediato, com quedas superiores a 1,5%. Em Nova Iorque o West Texas Intermediate (WTI) segue agora a perder 1,84% para 43,84 dólares por barril e em Londres o Brent do Mar do Norte, utlizado como referência para as importações nacionais, está a perder 1,61% para 45,10 dólares.




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