Matérias-Primas Pagaria 50 dólares por um café que andou no espaço?

Pagaria 50 dólares por um café que andou no espaço?

Para fazer o seu café Astronaut, Byeon colocou uma libra-peso de grãos provenientes de uma pequena fazenda colombiana num balão meteorológico e lançou-o ao espaço em Nova Jérsea.
Pagaria 50 dólares por um café que andou no espaço?
Bloomberg
Bloomberg 27 de janeiro de 2018 às 20:00

Os pratos caros costumam falar por si. O hambúrguer de 35 dólares do Db Bistrô Moderne tem foie gras a escorrer do centro. O Golden Opulence Sundae de 1.000 dólares do Serendipity 3 é enfeitado com folhas de ouro. Mas, no café Round K, no bairro Lower East Side, em Nova Iorque, a taça de café Astronaut parece, só por si, pouco atractiva. O preparado fica alguns minutos de molho e chega até nós numa adorável, mas nada excepcional, chávena de porcelana. A bebida castanha é servida sem qualquer decoração e custa 50 dólares.

 

Os cafés com preços elevados estão a tornar-se cada vez mais comuns. O Eleven Madison Park, eleito o melhor restaurante do mundo (com um menu de degustação de 295 dólares), apresentou um serviço de café de 24 dólares. É feito de grãos colombianos de elite e preparado à mesa.

 

A Klatch Coffee, do sul da Califórnia, recentemente gerou burburinho com uma chávena de café que custa 55 dólares. No ano passado, a empresa de torrefacção do Rancho Cucamonga, Califórnia, foi a única empresa dos EUA a conseguir uma colheita de grãos Esmeralda Geisha Cañas Verdes Natural, extremamente raros, do Panamá. Também merecem destaque os grãos iemenitas aromatizados com chocolate, vendidos até 240 dólares por libra-peso (453 gramas).

 

A Round K não tem menus de degustação acima dos 100 dólares, nem grãos raros. A minúscula cafeteria tem um aparelho de torrefacção na vitrina, usa sacas de café como tapetes e serve sanduíches My Korean Girlfriend ao pequeno-almoço. O que torna o café Astronaut da Round K tão caro é o que o proprietário, Ockhyeon Byeon, faz com os grãos. Ele envia-os para o espaço.

 

Para fazer o seu café Astronaut, Byeon colocou uma libra-peso de grãos provenientes de uma pequena fazenda colombiana num balão meteorológico e lançou-o ao espaço em Nova Jérsea. Ele estima que a carga tenha chegado a 48 quilómetros de altitude, quase na mesosfera. Byeon recuperou o pacote, envolvido com bastante fita adesiva, cerca de cinco horas depois, usando um GPS. Quando abriu o pacote, encontrou os grãos ligeiramente congelados e cobertos de água, resultado da pressão do ar.

 

Convidei o especialista em café Oliver Strand para experimentar uma chávena do Astronaut (o café entra e sai do cardápio da Round K devido ao cronograma de torrefacção de Byeon. Ele também vende pacotes de 60 gramas, o suficiente para duas porções, por 50 dólares). Strand já visitou torrefações e fazendas de todo o mundo e escreve sobre café para publicações como o The New York Times.

 

O veredicto

 

Strand e eu sentámo-nos no balcão de seis lugares da Round K e deixámos nossa chávena de café Astronaut esfriar para sentir a totalidade de sabores. A bebida é de um castanho leve, com aroma suave e frutado. O sabor é forte e sugere alcaçuz, e é especialmente suave em relação ao produto padrão da Round K, feito com os mesmos grãos colombianos (terrenos), que custa 5 dólares.

 

Opinião de Strand: o café não vale 50 dólares, pelo menos para ele. "Pode valer 50 dólares para outra pessoa. O valor é algo particular do observador. Paga-se pela ideia e é uma bela chávena de café", diz.

 

Pessoalmente, eu preferi o egg cappuccino (6,50 dólares), incrivelmente rico e aveludado, com uma gema mexida com café expresso quente e uma fina camada de creme batido doce e pó de cacau amargo. Repeti.




pub