Bolsa Palavras de Carlos Costa levam a queda de juros do BES

Palavras de Carlos Costa levam a queda de juros do BES

Além da forte escalada das acções, também as taxas de juro associadas à dívida do Banco Espírito Santo estão em forte desvalorização. Contudo, ainda não recuperaram dos avanços expressivos das últimas semanas.
Palavras de Carlos Costa levam a queda de juros do BES
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 16 de julho de 2014 às 12:49

Os investidores estão a pedir menores taxas de juro para trocarem entre si dívida do Banco Espírito Santo, acompanhando a forte valorização que se sente nas acções do banco agora sob comando de Vítor Bento.

 

A responsabilidade para esse movimento veio de Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal (na foto). "Se algum capital adicional fosse necessário, por força de riscos que neste momento não estamos a ver, seguramente que há accionistas interessados em participar num aumento de capital do BES", disse, na terça-feira, Carlos Costa em declarações à TVI.

 

Esta garantia de que haverá dinheiro de accionistas a injectar no banco caso este avance para um reforço de capital (depois de ter realizado um outro em Junho) conduziu a uma subida do preço das obrigações, o que reflecte uma queda das taxas de juro a elas associadas.

 

"As declarações do governador ajudaram a assegurar o mercado de que uma imposição de perdas aos obrigacionistas poderá não ser necessária", comentou à agência Bloomberg o analista Tom Jenkins, da Jefferies International. Isto porque um aumento de capital com recurso ao dinheiro dos actuais accionistas poderá evitar a entrada do Estado no banco o que, como avança o Negócios, iria impor perdas aos accionistas e detentores de dívida subordinada.

 

Com a ideia de que tal cenário é evitável, a taxa de juro implícita nos títulos de dívida a nove anos (com vencimento em 2013) está a negociar nos 10%, depois de ontem terem superado os 12%.

 

A descida é expressiva mas, no entanto, não é suficiente para compensar todas as subidas que se verificaram nas últimas semanas, devido aos receios de incumprimento de sociedades do Grupo Espírito Santo. No final de Junho, a "yield" seguia abaixo de 6%. "[A disponibilidade dos accionistas do BES] é um rumor do momento mas ajuda", adiantou ainda Jenkins à Bloomberg.

 

As rendibilidades pedidas pelos investidores para negociar dívida portuguesa também estão a descer em todos os prazos.

 

Esta terça-feira, uma das sociedades do grupo, a Rioforte, falhou o pagamento de uma parcela de 847 milhões de euros à Portugal Telecom. Algo que não está a evitar a subida das acções do BES, que seguem a ganhar 15%.




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