Bolsa Pequenos investidores antevêem processos após registo da OPA ao BPI

Pequenos investidores antevêem processos após registo da OPA ao BPI

Octávio Viana, que preside à ATM, não vê com agrado a decisão da CMVM. Continua a considerar que há um prémio de controlo que só beneficia uma accionista: Isabel dos Santos.
Pequenos investidores antevêem processos após registo da OPA ao BPI
Paulo Duarte/Negócios
Diogo Cavaleiro 16 de janeiro de 2017 às 21:16

A associação que representa pequenos investidores, a ATM, pondera ir para tribunal agora que a oferta pública de aquisição lançada pelo CaixaBank ao BPI a 1,134 euros por acção, foi registada junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

"Não é algo que nos agrade. Eventualmente, vamos ter processos judiciais [de accionistas] como reacção", admite Octávio Viana ao Negócios, relembrando que já há uma impugnação da venda da posição de controlo que o BPI tem no Banco de Fomento Angola (BFA). "Temos de estudar", adianta.

 

Segundo o presidente da Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado, a operação configura o favorecimento a um accionista, a Santoro, de Isabel dos Santos. "Cada vez há mais provas de que, de facto, esse acordo implica um prémio de controlo pago apenas a Isabel dos Santos, nomeadamente como a nomeação de Mário Leite Silva para o BFA", diz Octávio Viana ao Negócios. Mário Leite Silva, administrador do BPI, foi o escolhido para liderar o BFA. 

 

Antes do registo da OPA, foi revelado já em 2017 a venda de 2% que o BPI tinha no BFA, dando à Unitel, presidida pela empresária angolana, o controlo do BFA. A Santoro tem 18,6% do BPI, sendo a segunda maior accionista através do grupo catalão que, com 45,5%, pode agora, com a OPA, chegar aos 100%.

 

Revisão de preço?

 

Apesar de não ver com agrado o registo da OPA determinado pelo regulador do mercado de capitais, Octávio Viana refere que esta decisão poderá ser uma "forma de proteger os accionistas". A oferta não poderá ser retirada e há 900 milhões de euros depositados no BNP Paribas para fazer face ao possível encargo com a operação, caso haja 100% de aceitação.

 

De qualquer forma, e embora a oferta tenha sido já registada aos 1,134 euros propostos pelo CaixaBank, o líder da ATM acredita numa revisão do prazo. "Se não acontecer, vai abrir litigância que ninguém vai aproveitar".  

Com o registo esta segunda-feira, a OPA inicia-se esta terça-feira, pelas 8:30. A operação estende-se até 7 de Fevereiro. 


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