Bolsa Perguntas e respostas sobre o aumento de capital da REN

Perguntas e respostas sobre o aumento de capital da REN

O aumento de capital da REN já está no mercado, com as acções a negociarem já destacadas dos direitos. Esclareça as suas dúvidas.
Perguntas e respostas sobre o aumento de capital da REN
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro 21 de novembro de 2017 às 07:00

Para que serve o aumento de capital? 

A REN anunciou um aumento de capital de 250 milhões de euros através da emissão de 133.191.262 novas acções, a 1,877 euros cada uma. O encaixe da operação servirá para financiar metade do valor que a empresa liderada por Rodrigo Costa gastou na aquisição da actividade de distribuição de gás natural da EDP (Portgas).

 

No prospecto do aumento de capital, a REN diz que o encaixe servirá para reembolsar o empréstimo de curto prazo ("bridge loan") contratado em 11 de Maio de 2017, com o prazo inicial de sete meses.

 

O aumento de capital está garantido?

Os maiores accionistas da REN, que representam um total de aproximadamente 35% do actual capital social da empresa, já garantiram que vão participar no aumento de capital. São eles a State Grid (25%), a Fidelidade – Companhia de Seguros (5,3%) e espanhola Red Eléctrica Internacional (5%). Entre os maiores accionistas destaca-se a ausência da Oman Oil (controla 15%) do lote de accionistas que não garantiu a subscrição de novas acções.

 

De qualquer forma, a REN já tem garantido o encaixe bruto de 250 milhões de euros, uma vez que celebrou um contrato com três bancos (Santander, CaixaBI e JPMorgan) que garantem a tomada firme da operação, ou seja, a subscrição das acções que não sejam compradas pelos accionistas.

Qual o encaixe líquido? 

A REN estima que o encaixe líquido da operação ascenderá a "aproximadamente 242,48 milhões de euros". Uma diferença de cerca de 7,5 milhões de euros para o valor bruto da operação (250 milhões de euros) que resulta da dedução de "todas as despesas associadas". Estas compreendem as comissões no valor de até 5,62 milhões de euros devidas aos bancos que assumem a tomada firme (os "underwriters" recebem uma comissão de 2,5%), e um valor total remanescente de aproximadamente 1,9 milhões de euros, "respeitante essencialmente a custos com outros assessores e com a admissão das acções à negociação, incluindo impostos e taxas aplicáveis".

 

Quais as datas da operação?

As acções vão ajustar ao aumento de capital esta terça-feira, 21 de Novembro, enquanto os direitos começam a negociar dois dias depois, a 23 de Novembro. Os detentores de direitos podem transaccionar estes títulos em bolsa até 1 de Dezembro. O período de subscrição das novas acções decorre entre 23 de Novembro e 6 de Dezembro, sendo que as ordens podem ser revogadas até 4 de Dezembro. As novas acções devem ser admitidas à negociação a 13 de Dezembro.

 

O que tenho de fazer se quiser participar no aumento de capital?

O aumento de capital é reservado aos accionistas. Por cada acção detida, os accionistas recebem um direito, que por sua vez garante a subscrição de 0,25124803 novas acções, mediante o pagamento de 1,877 euros por cada acção. Por exemplo, um investidor que tenha 1.000 acções da REN até ao fecho da sessão de 20 de Novembro (último dia em que negociaram com os direitos incorporados), irá receber mil direitos na sua conta. Para participar no aumento de capital, terá de exercer os direitos, através dos quais ficará com mais 251 acções da REN.

 

Quando exercer os direitos irá investir 471,127 euros e a sua carteira passará a ser composta por 1.251 acções da REN. Tendo em conta o preço ajustado das acções, estas ficam avaliadas em 3.095 euros.

 

Não sou accionista. Posso comprar?

Apesar do aumento de capital ser reservado a accionistas, caso não tenha acções ainda vai a tempo de participar na operação. Para isso terá que comprar em bolsa os direitos de subscrição, que terá depois de exercer. Cada direito permite a compra de 0,25124803 novas acções, mediante o pagamento de 1,877 euros por cada uma. 

 

E se não quiser participar no aumento de capital?

Se é accionista da REN e não pretende investir na empresa através do aumento de capital, tem agora apenas uma opção. Terá que vender os direitos de subscrição que vão ser creditados na sua conta, quando estes forem transaccionados em bolsa (entre 23 de Novembro e 1 de Dezembro). Lembre-se que se não quiser participar no aumento de capital, terá de vender os direitos, sob pena de perder em definitivo o seu valor. No prospecto da operação a REN alerta que "caso os direitos de subscrição não sejam exercidos ou alienados até ao final do período de subscrição, os mesmos cessarão sem contrapartida, não havendo lugar a qualquer compensação por esse facto".

 

Quanto valem os direitos? 

Os direitos de subscrição só vão ser negociados em bolsa a partir de 23 de Novembro, mas a partir da cotação actual já é possível ter o preço teórico. Tendo em conta a cotação da REN no fecho de segunda-feira, 20 de Novembro (2,623 euros), cada direito da REN apresenta um valor teórico de 14,9 cêntimos. Este valor corresponde à diferença entre a cotação actual e a cotação teórica das acções pós destaque dos direitos.

 

O valor teórico dos direitos vai sempre variar tendo em conta a cotação das acções, o que abrirá oportunidades de arbitragem quando existirem desequilíbrios entre o preço teórico e o valor real dos títulos no mercado.

 

Sou accionista. Vou perder dinheiro no aumento de capital?

Só por si, uma operação de aumento de capital através de uma oferta pública de subscrição não representa perdas para quem detém as acções. Os accionistas recebem direitos de subscrição de novas acções, que são destacados do valor da acção. Em termos técnicos, à cotação das acções no final da sessão de 20 de Novembro (2,623 euros) corresponde a soma do valor teórico da acção pós aumento de capital (2,474 euros) com o valor teórico do direito (14,9 cêntimos). As perdas ou ganhos são ditados pela variação dos títulos (as acções e os direitos) em bolsa. As contas finais sobre se perde ou ganha dinheiro com o aumento de capital só se pode fazer depois de concluída a operação e dependerá da opção que tomar: participar na operação exercendo os direitos ou vender estes títulos quando forem negociados em bolsa.

  

Como se calcula o preço teórico das acções após o aumento de capital? 

Para chegar ao valor teórico das acções pós aumento de capital (theoretical ex-rights price, ou TERP), é preciso somar a capitalização bolsista actual (1,4 mil milhões de euros, a preços de 20 de Novembro) ao valor do encaixe com o aumento de capital (250 milhões de euros) e dividir pelo número total das acções após a conclusão da operação (667.191.262). Tendo em conta a cotação de fecho de 20 de Novembro (último dia em que as acções negociaram com os direitos incorporados), o TERP é de 2,474 euros. Ou seja, é esta a cotação ajustada das acções no arranque da sessão de 21 de Novembro.

 

Vale a pena participar no aumento de capital?

Os analistas contactados pelo Negócios esperam que o aumento de capital pressione as acções no curto prazo, o que é habitual neste tipo de operações. Contudo, referem que no longo prazo o aumento de capital pode ser um ponto de entrada interessante para ganhar exposição aos atractivos dividendos da empresa. O preço de subscrição de 1,877 euros representou um desconto de 29% face à cotação do dia anterior ao anúncio do preço. 

 

Gonçalo Morais Soares, CFO da REN, disse ao Negócios que o desconto aplicado na operação é mais baixo que a média na Europa, o que demonstra a confiança da administração na operação. Do ponto de vista dos investidores, defende que o dividendo da companhia ficará mais atractivo após o reforço de capitais.




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mais votado Anónimo Há 3 semanas

São empresas anti-mercado que têm sido levadas ao colo pelo Estado desde que foram fundadas. Estão repletas de ineficiências, excedentarismo e falta de transparência institucional. A gestão é medíocre ou apática naquilo que deveria ser a sua missão, visão e legítimo propósito perante clientes e accionistas, e os colaboradores capturaram a organização. Podiam dar 2 vezes mais lucro e oferecer um produto muito mais barato com metade dos colaboradores actuais. Fazem lembrar o monstro de corrupção, obscuridade, promiscuidade estatal e desperdício em que se tornaram algumas das maiores empresas brasileiras. E todos sabem em que é que isso deu no Brasil...

comentários mais recentes
Eduardo Há 2 semanas

Ao ler os comentários anteriores, fiquei sem saber se estamos a falar da mesma REN. Neste momento é uma das empresas europeias que mais dividendos paga aos seus acionistas. O Estado já nada tem que ver com a sua gestão. Para escrever bacoradas, era melhor que se informassem previamente.

Todos os meses pago Há 2 semanas

Todos os meses pago os custos destes brincalhões CEOS de SGPS que chulam o consumidor em monopólios e em cartéis desenvergonhados, e acham-se pessoas inteligentes quando todos veem que são CHULOS engravatados, alguns dos quais gostam de dar um ar "rude" de cavador com barba de uma semana !

Mais uma em monopólio Há 2 semanas

Mais uma empresa em monopólio em que o seu CEO anda a brincar ao investidor de compra e venda de outras empresas . . . em vez de prestar um serviço mais rentável e a melhores preços anda a especular na compra e venda "DE ATIVOS" com o estes gestores de empresas em monopólio gostam de dizer !

Ladrões como estes há poucos Há 2 semanas

Empresa que assenta o seu negócio na expropriação por tuta e meia de terrenos de privados com o argumento do "interesse público" e depois vai jogar no mercado financeiro de compra e vende de empresas que nada teem a ver com a sua atividade e com desculpa que "complementa" a sua atividade !

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