Matérias-Primas Petróleo com pior desempenho em 20 anos

Petróleo com pior desempenho em 20 anos

O ouro negro entrou em “mercado urso”. E pode não ficar por aqui. Há quem aponte os 30 dólares como o próximo mínimo do petróleo. As dúvidas dos investidores em relação à capacidade de cumprir o corte de produção explicam as quedas.
Petróleo com pior desempenho em 20 anos
Bloomberg
Raquel Godinho 22 de junho de 2017 às 07:00
É preciso recuar a Novembro para ver os preços do petróleo negociarem em torno dos 42 dólares por barril. A matéria-prima entrou em território de "mercado urso" (cai 20% desde o máximo anterior) e o caminho pode continuar a ser rumo às perdas. Alguns analistas apontam os 30 dólares como o limite das descidas.  O excesso de oferta continua a ser o detonador da desvalorização e este pode vir a ser o pior primeiro semestre desde 1997.

O petróleo atingiu, esta quarta-feira, o valor mais baixo em sete meses, em ambos os mercados de referência. Um desempenho que elevou para 21% a queda acumulada desde o último máximo atingido em Janeiro e que coloca oficialmente a matéria-prima em "mercado urso". Desde o início do ano, o Brent, em Londres, cai 21,7% enquanto o WTI, em Nova Iorque, perde 21,5%, o que a manter-se poderá ser o saldo mais negativo num primeiro semestre em 20 anos, segundo a Reuters.

"A queda nos preços do petróleo parece ser imparável", adiantou Julius Baer à Reuters. O analista de matérias-primas da Carsten Menke considera que "a eficácia do acordo é cada vez mais questionada" e que "os riscos de queda para os preços do petróleo aumentaram", pelo que estima que os preços "passem mais tempo em torno dos 40 do que nos 50 dólares devido à crescente produção de xisto e à estagnação da procura no mundo ocidental, que trava os efeitos de contenção do Médio Oriente".

"O petróleo está em tendência de queda e os riscos desta tendência apontam para os 30 dólares", defende Paul Ciana, estratega do Bank of America/Merrill Lynch, citado pela "Business Insider". Isso significaria que os preços voltariam aos níveis registados em Fevereiro do ano passado, quando atingiram mínimos de 12 anos.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) acordou, em Novembro do ano passado, cortar a produção em 1,8 milhões de barris por dia nos seis meses com início em Janeiro. Deste plano ficaram de fora a Líbia e a Nigéria, devido aos ataques e crises políticas que afectaram a sua oferta. Aliás, a Líbia anunciou, esta semana, que a sua produção atingiu máximos de quatro anos. Já o Iraque, segundo dados recentes, está a aumentar as suas exportações para os EUA. Notícias que afectam a confiança dos investidores em relação a um reequilíbrio do mercado. E, nem a decisão anunciada em Maio, de prolongar os cortes por mais nove meses (até Março de 2018) tem contido a desconfiança.

Ainda na semana passada, a Agência Internacional de Energia (AIE) revelou que a nova produção por parte de concorrentes da OPEP será mais do que suficiente para atender à procura no próximo ano, o que "esmaga" os esforços do cartel de fazer diminuir a oferta e, deste modo, levar a uma subida das cotações.

As preocupações em torno da oferta têm sido, assim, mais fortes do que as expectativas de recuperação da procura, nomeadamente num momento em que se aproxima o arranque da "driving season" nos EUA, época no Verão em que os automobilistas usam mais os seus carros para irem de férias.

"O futuro pode ser brilhante para os preços do petróleo mas o presente não é", defendeu Tamas Varga, ao Financial Times. O especialista da corretora PVM frisou ainda que qualquer recuperação imediata dos preços da matéria-prima não passa de um "desejo".



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mais votado SÍTIO MUITO MANHOSO Há 4 dias


... como sempre e normalmente o preço dos combustíveis subirá em Portugal , onde só baixará se pagarem para recebermos o crude ... oferecido !

comentários mais recentes
Generoso Há 4 dias

E vai cair ainda mais. O mundo ocidental está coma procura estagnada mas tendencialmente vai precisar menos do petróleo para as suas economias. As energias renováveis ocupam cada vez mais o lugar. A China tb já inverteu o caminho que tomava e há notícias da India que são encorajadoras. Os EUA, apesar de Trump irão a pouco e pouco aumentar a produção renovável.
O Médio Oriente que se cuide...uma nova ordem mundial que não dependerá do petróleo está a despontar.
Por cá a Galp vai fazer redução de mais um cêntimo nos combustíveis alegando que entretanto o preço médio da refinação aumentou. O costume.

SÍTIO MUITO MANHOSO Há 4 dias


... como sempre e normalmente o preço dos combustíveis subirá em Portugal , onde só baixará se pagarem para recebermos o crude ... oferecido !

Se baixar o costa compensa com mais imposto Há 4 dias

LAMENTAVELMENTE se baixar, o Costa compensa com aumento do imposto (como já fez) pelo que SE BAIXAR baixa para o costa pois que o consumidor paga o diferencial em imposto e paga sempre CARO : Xuxalistas são assim !

30 dólares é o triplo do preço justo Há 4 dias

só não dizem que 30 dólares é o triplo do preço justo pois dá mais de 30% de margem de lucro à maioria dos produtores - RESUMINDO 7 dólares á o preço de produção já com lucro para o produtor O RESTO É CHULISSE DE INTERMEDIÁRIOS E DE ESPECULADORES FINANCEIROS

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