Matérias-Primas Petróleo continua em queda com gasolina a pressionar

Petróleo continua em queda com gasolina a pressionar

As cotações do "ouro negro" prosseguem a tendência de queda, pela segunda sessão consecutiva, estando a negociar em mínimos de sete meses nos Estados Unidos.
Petróleo continua em queda com gasolina a pressionar
Reuters

Os preços do petróleo continuam sob pressão, pela segunda sessão consecutiva. A pressionar a matéria-prima está sobretudo o inesperado aumento das reservas norte-americanas de gasolina – pela segunda semana seguida.

 

O contrato de futuros do Brent do Mar do Norte – que é negociado em Londres e serve de referência às importações portuguesas – para entrega em Agosto segue a resvalar 0,13% para 46,94 dólares por barril.

 

Já o contrato de Julho do West Texas Intermediate (WTI), transaccionado no mercado nova-iorquino, está a recuar 0,47% para 44,52 dólares. Há sete meses que o WTI não valia tão pouco.

 

"O mercado continua frágil e pequenas mudanças tanto do sentimento dos investidores como dos fundamentais podem resultar em oscilações elevadas dos preços", referiram os analistas do RBC Capital Markets, numa nota a que o Negócios teve acesso.

 

O inesperado aumento das reservas norte-americanas de gasolina e o facto de o Iraque estar a prevaricar no cumprimento das suas quotas de produção, contribuindo assim para agravar o excesso de oferta mundial, estão entre os factores de maior pressão.

 

Os dados do governo dos EUA deram conta de uma procura mais fraca do que o habitual no arranque da "driving season" – época no Verão em que os automobilistas usam mais os seus carros, para irem de férias pelo país –, o que levou a um novo aumento das reservas norte-americanas de gasolina na semana passada.

 

Os inventários de gasolina aumentaram em 2,1 milhões de barris na semana terminada a 9 de Junho, segundo os dados da Administração de Informação em Energia (sob a tutela do Departamento norte-americano da Energia). Os de crude desceram em 1,66 milhões de barris, mas o aumento dos stocks de gasolina pesou mais no sentimento dos investidores.

 

A juntar ao pessimismo do mercado está ainda o facto de a Agência Internacional de Energia (AIE) ter dito que a nova produção por parte de concorrentes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) será mais do que suficiente para atender à procura no próximo ano, o que "esmaga" os esforços do cartel petrolífero de fazer diminuir a oferta através de cortes da produção – e levar, assim, a uma subida dos preços.

 

E é aqui que um membro da OPEP está também a "provocar estragos": o Iraque. Segundo os dados mais recentes, este país está a aumentar as suas exportações para os Estados Unidos – prejudicando assim os esforços dos restantes membros do cartel, como a Arábia Saudita, no sentido de diminuir a oferta.

 

De acordo com a Bloomberg, o Iraque, que é o segundo maior produtor da OPEP, enviou 12 milhões de barris de crude para os EUA nos primeiros 13 dias deste mês – um volume 50% superior ao do mesmo período em Abril e Maio. Comparativamente, as exportações sauditas desta matéria-prima diminuíram em cerca de metade.

 

Assim, já não bastava os países fora da OPEP que estão a aumentar as suas produções – com o petróleo a partir de xisto betuminoso, proveniente sobretudo dos EUA e Canadá, a dar um grande contributo, já que a sua prospecção se tornou mais barata –, também Bagdad está a "ajudar" a manter o excedente da oferta mundial face à procura.

 

Mas não é apenas o Iraque que está a fugir aos compromissos assumidos, pois o mesmo aconteceu com o Gabão. No entanto, a produção dos membros da OPEP que fazem parte deste acordo ficou, em Maio, dentro do compromisso estabelecido pelo cartel, segundo os dados da organização. E isto porque alguns países membros cortaram mais as suas produções do que aquilo que ficou definido. Foi o caso de Angola, Koweit, Qatar, Arábia Saudita e Venezuela.

 

Recorde-se que, durante anos, a OPEP não mexeu no seu plafond de produção. No entanto, no passado dia 30 de Novembro, acordou um corte de produção de 1,2 milhões de barris por dia, para 32,5 milhões de barris diários, a efectivar partir de Janeiro de 2017 e durante seis meses.

 

Deste plano de redução da oferta ficaram de fora a Líbia e a Nigéria [devido aos ataques e crises políticas que afectaram a sua oferta], além de que foi estabelecida uma meta para o Irão que lhe permitiu aumentar a sua produção – depois de reentrar no mercado após o levantamento das sanções internacionais devido ao seu programa nuclear.

 

O cartel foi logo de seguida acompanhado nessa decisão por mais 11 produtores de fora do cartel, que assumiram o compromisso de reduzir a sua oferta em 600.000 barris diários – com a Rússia a assumir metade dessa meta.

 

Em Maio deste ano, já perto do final do prazo de vigência do acordo, o cartel decidiu-se por um prolongamento do corte de produção. Com efeito, os responsáveis da OPEP concordaram em estender por mais nove meses, até Março de 2018, o seu programa de redução da oferta. De fora deste acordo ficou ainda a Guiné Equatorial, que só aderiu à OPEP a 25 de Maio.

 

No entanto, no cômputo de Maio, se atendermos à produção da OPEP com todos os seus membros – o que inclui os que estão fora do acordo de produção –, então o cartel acabou por superar em 300.000 barris por dia a sua produção total, segundo os dados da Bloomberg divulgados ontem.

 

E esse aumento registou-se muito à conta, precisamente, dos dois países que não fazem parte do referido acordo [a Guiné Equatorial teve pouca representatividade em Maio, por ter entrado quase no final do mês]: a Líbia e a Nigéria. Ambos os países retomaram as suas produções no mês passado, contribuindo então para o crescimento global do cartel.




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Conselheiro de Trump 15.06.2017

Pequena nota:quando o euro nasceu,ele foi trocado por metade do nosso salario,metade essa q ainda perdura,no entanto tudo q foi reduzido a metade ja recuperou a outra metade,com a particularidade do ouro negro q atravessa 1 crise provocada pela evolucao das energias limpas,mas ca nao se nota nada.

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