Bolsa “Porto não é Bangalore” para a Euronext

“Porto não é Bangalore” para a Euronext

O novo centro tecnológico instalado na Invicta fica também responsável pela ciber-segurança e é visto pelo grupo que gere a Bolsa portuguesa como um dos ingredientes para “fazer crescer o mercado bolsista” em Portugal.
“Porto não é Bangalore” para a Euronext
Ricardo Castelo
António Larguesa 15 de março de 2017 às 21:15

O presidente executivo da Euronext assegura que o grupo "tem ambições para Portugal como mercado", que está aqui para "fazer crescer o mercado bolsista" e, mesmo considerando a conjuntura "difícil neste momento", acredita que o país tem "todos os ingredientes para recuperar rapidamente". E o novo centro tecnológico instalado no Porto, detalha, é uma das componentes vitais dessa estratégia.

À margem da inauguração da infra-estrutura, que ocupa cinco pisos no edifício da Boavista onde já funcionava a Interbolsa (empresa de liquidação e compensação de ordens que faz parte da Euronext Lisbon), Stéphane Boujnah repetiu o que dissera minutos antes aos 115 funcionários contratados – quer chegar a 140 – depois de receber e analisar mais de 500 currículos. "Para nós, o Porto não é Bangalore. Não estamos em Portugal apenas para tornar as tecnologias de informação ‘nearshore’", referiu, em referência às práticas de subcontratação de serviços, com salários mais baixos, naquela cidade indiana.

Não sendo o factor crítico para a mudança, o gestor de origem francesa admitiu que sabia que podiam recrutar aqui "talentos fantásticos, muito qualificados e com uma grande mentalidade internacional" e, ao mesmo tempo, "com custos mais baratos ou similares aos de Belfast", onde antes prestava estes serviços. Porém, frisou que a Euronext trouxe "mais funções e missões" para o Porto do que as que estavam na Irlanda do Norte, "um local muito isolado do resto da organização". Uma delas é a ciber-segurança de todo o grupo, que apontou como "uma decisão importante [porque] significa que, se algo correr mal, este local vai ser mais relevante do que nunca".

"Temos ambições para Portugal como mercado. É difícil neste momento, mas tem todos os ingredientes para recuperar rapidamente." Stéphane Boujnah, CEO do grupo Euronext

A funcionar 24h por dia e sete dias por semana, o Euronext Technologies assegura as operações e os serviços de tecnologias de informação para todo o grupo Euronext, que gere também as bolsas de Paris, Amsterdão e Bruxelas. Além disso, presta serviços para empresas que usam os seus sistemas, como o Morgan Stanley ou o HSBC, valorizou Paulo Rodrigues da Silva.

"Poder permitir às pessoas que apliquem as suas capacidades em Portugal é fantástico", declarou o novo CEO da Euronext Portugal. É que alguns nesta equipa instalada na Invicta, que tem uma média de idades de 30 anos (80% são homens), eram quadros especializados que tinham emigrado e aproveitaram esta oportunidade para regressar ao país.

Sem se alongar sobre futuros planos de investimento para Portugal – "primeiro há um trabalho duro a fazer que isto funcione e se incorpore bem no resto do grupo" –, o líder da Euronext fala já do "preço a pagar quando se é bem-sucedido": a concorrência ao nível dos recursos humanos. "A má notícia é que está a tornar-se moda abrir operações de tecnologias de informação no Porto. E não se fica sozinho num sítio onde há tanto bom talento", gracejou  Boujnah.

Eleito recentemente como o melhor destino turístico europeu, o Porto é "também um grande destino para investimento e projectos de alto valor acrescentado", sustentou o primeiro-ministro. António Costa lembrou ainda que, no quadro europeu, "o essencial para ser competitivo nesta era digital é ter uma boa infra-estrutura de comunicações e grandes talentos". 




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comentários mais recentes
Anónimo 16.03.2017

Dizer isto a um indivíduo de ascendência indiana tem a sua piada. Esperemos que as suas ideias e ideais não tenham tempo para transformar Portugal num grande bairro de lata com esgotos a céu aberto e num verdadeiro sistema de castas entre concidadãos, formado por aqueles que têm e aqueles não têm elegibilidade para serem excedentários vitalícios de carreira, para terem cuidados de saúde extra no SNS e para receberem pensões avultadas que nunca pagaram para ter.

Anónimo 16.03.2017

De qualquer forma milhões de trabalhadores serão dispensados com estas tecnologias. Porém, se o desenvolvimento tecnológico (DT) exige trabalhadores mais qualificados também dá origem à desqualificação do trabalho de muitos outros: "Dizem-nos que os trabalhadores a quem a maquinaria torna desnecessários encontram novos ramos em que trabalhar (…) uma massa de trabalhadores expulsos de um ramo industrial não vai encontrar refúgio noutro a não ser com salários mais baixos, piores". (Marx, Trabalho assalariado e capital)

Os defensores desta "revolução digital" não deixam de exigir que seja servida por "pessoal qualificado e flexível", quem não se adaptar enfrentará "o desemprego e a desigualdade salarial". Nos planos do patronato o conceito de segurança no emprego tem de ser eliminado. O trabalhador tem de estar preparado para mudar de empresa, ter horário parcial, estar no desemprego.

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