Obrigações Portugal coloca 4 mil milhões em emissão sindicada com juro de 2,14%

Portugal coloca 4 mil milhões em emissão sindicada com juro de 2,14%

A emissão sindicada de obrigações do Tesouro a 10 anos atraiu uma forte procura, o que contribuiu para baixar o custo do financiamento para um valor entre 2,13% e 2,14%.
Portugal coloca 4 mil milhões em emissão sindicada com juro de 2,14%
Bruno Simão
Nuno Carregueiro 10 de janeiro de 2018 às 08:52

O IGCP colocou esta quarta-feira 4 mil milhões de euros numa emissão de dívida sindicada a 10 anos (maturidade em Outubro de 2028), sendo que o preço final da operação ficou ligeiramente acima de 2,1%, beneficiando de uma forte procura por parte dos investidores.

 

O "initial pricing talks" (IPT), segundo a agência de notícias Bloomberg, arrancou nos 120 pontos base acima da taxa mid-swap do euro. O "guidance" foi revisto em baixa para 117 pontos base e o preço final acabou por ser fixado nos 114 pontos base, um valor confirmado pelo Negócios.

Ao aproximar-se o final da operação, a taxa mid-swap do euro a 10 anos estava nos 0,921% e a taxa a 11 anos nos 1,015%, o que coloca a taxa relevante para emissão de hoje, com maturidade em Outubro de 2028 (10 anos e 9 meses) nos 0,99%. Considerando o "spread" de 114 pontos base, a colocação deverá ficar assim entre 2,13% e 2,14%. A "yield" final, de acordo com a Bloomberg, foi fixada em 2,137%

Esta evolução positiva beneficiou com a evolução da procura, que atingiu 18,85 mil milhões de euros no fecho da operação. Este valor inclui 2,375 mil milhões de euros de ordens dos bancos que fazem parte do sindicato bancário responsável pela operação.

Face a este forte interesse dos investidores, o IGCP optou por colocar 4 mil milhões de euros, pelo que a procura superou em quase cinco vezes a oferta. Fontes contactadas pelo Negócios adiantaram ontem que o objectivo passava por emitir no máximo 3 mil milhões de euros.

Na emissão sindicada realizada em Janeiro de 2017, o IGCP colocou 3 mil milhões de euros e na de Janeiro de 2016 emitiu 4 mil milhões de euros.

"Foi uma emissão muito boa para o Estado português, com uma procura muito forte, com uma taxa baixa para um prazo longo", comenta Filipe Silva, director da Gestão de Activos do Banco Carregosa.


Taxa acima do mercado    

 

O custo da emissão situou-se acima da taxa a 10 anos no mercado secundário (está hoje em 1,85%), o que é natural neste tipo de emissões com recurso a um sindicato bancário e de abertura de uma nova linha, pois os investidores exigem um prémio adicional nestas circunstâncias. Para este valor mais elevado também contribui o facto de a emissão ter uma maturidade de quase 11 anos (Outubro de 2028).

 

Esta taxa ficará acima do custo de financiamento de 1,939% suportado na emissão de dívida a 10 anos realizada em Novembro, quando o IGCP angariou 1.250 milhões de euros através de um leilão. Este foi o custo de financiamento mais baixo de sempre numa emissão de dívida a 10 anos.

 
"A comparação com a anterior emissão a 10 anos serve de referência, mas não totalmente, porque a dívida emitida hoje vence-se em Outubro de 2028, ou seja, daqui a 10 anos e 10 meses. Dez meses fazem alguma diferença, o que também está refletido na taxa, que saiu em linha com o mercado e em linha com os spread de emissões que vencem entre 2025 e 2030", acrescenta o director do Banco Carregosa.

Ainda assim, o custo que Portugal vai suportar hoje para emitir dívida representa cerca de metade da taxa registada na última emissão sindicada realizada há precisamente um ano. Em Janeiro de 2017 o IGCP pagou 4,227% para colocar 3 mil milhões de euros, sendo que agora Portugal tira partido da descida recente dos juros da dívida portuguesa para mínimos de 2015 depois de a S&P e Fitch terem retirado o "rating" de Portugal do "lixo".

 

A Bloomberg noticiou ontem que Portugal mandatou o Barclays, o Citi, o Crédit Agricole, o Goldman Sachs, o JPMorgan e o Novo Banco para realizar a operação.

 

Na segunda-feira a agência que gere a dívida pública divulgou o programa de financiamento do Estado, antecipando um reforço do financiamento através do retalho, ou seja, das famílias. Isto num ano em que as necessidades de financiamento do Estado serão inferiores em 1,5 mil milhões de euros face às previsões do ano passado. No mesmo documento era admitida a possibilidade de se realizarem emissões sindicadas, sem nunca especificar qualquer data.

(Notícia actualizada às 16:40 com informação sobre a procurae a taxa final)




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mais votado Anónimo Há 6 dias

O Diabo é o salário mínimo elevado e as prestações sociais generosas serem sustentáveis na Holanda, na Dinamarca, na Finlândia, na Suíça, até em Espanha, e em Portugal não o serem. E tudo com taxas de juro da dívida negativas ou bem próximas de zero, sem dívida pública excessiva fora de controlo, sem mortes perfeitamente evitáveis por conta do Estado que pressionado pela despesa reduz o investimento público ao mínimo e com inúmeras empresas sediadas localmente a criar valor no mercado global, agora e no futuro.

comentários mais recentes
Anónimo Há 5 dias

Os juros da dívida pública dinamarquesa, onde os mercados de factores produtivos são bem flexíveis, já são desde há muito negativos para variadíssimos prazos. "Denmark sold more than $900 million of two-year bonds and inflation-linked debt due in 2023 bond at negative yields at an overbid auction on Tuesday, as investors paid the country to protect their capital from the turmoil in the euro zone." https://www.reuters.com/article/denmark-bond/update-1-danish-bonds-sell-well-at-negative-yields-idUSL6E8I2BQT20120703

Anónimo Há 5 dias

Nos países que criam condições para se investir, inovar e empreender, onde se faz boa gestão de recursos humanos e o mercado laboral é flexível ao mesmo tempo que o de capitais é forte e desenvolvido, as taxas de juro para muitos prazos são desde há muito negativas ou próximas de zero.

Anónimo Há 5 dias

A Holanda emite a juros próximo de zero e já emitiu dívida a 10 anos com taxas abaixo de zero % ( http://www.reuters.com/article/eurozone-bonds-netherlands/dutch-10-year-bond-yields-turns-negative-for-first-time-idUSL8N19X16F ). O governo Holandês de Mark Rutte, eleito em 2010, reduziu em 12% o número de colaboradores do sector público holandês num mercado laboral já de si tão flexível. Não o fez por maldade ou mania. O processo está ainda em marcha, como o estará em França e tantos outros lugares no mundo mais evoluído ( http://uk.reuters.com/article/uk-dutch-government-jobs-idUKBRE94M0N520130523 ).

Anónimo Há 6 dias

Até custa. Em mercado secundário está abaixo de 2% e nós pagamos mais? Porquê sindicar se aumenta os custos. Estava mais que garantida que havia procura. Se estava previsto 3000 milhões no máximo porquê aumentar para 4000? Consequência da subida da oferta, aumentou a taxa. É de principiante.

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