Obrigações Portugal pede emprestados 1.000 milhões a custo mínimo recorde

Portugal pede emprestados 1.000 milhões a custo mínimo recorde

O Tesouro português queria captar entre 750 e 1.000 milhões de euros, tendo conseguido encaixar o máximo pretendido. As taxas foram ainda mais negativas do que no último leilão.
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Diogo Cavaleiro 16 de agosto de 2017 às 10:57

Portugal pediu emprestados 1.000 milhões de euros e conseguiu registar mais um recorde. Nunca tinha havido um custo tão baixo para se financiar em títulos de curto prazo.

 

Eram duas as linhas de bilhetes do Tesouro que o IGCP, agência que gere a dívida portuguesa, colocou à disposição dos investidores: uma com vencimento dentro de três meses, em Novembro; outra em Julho do ano que vem, a 11 meses.

 

A dívida com este prazo foi a que captou mais dinheiro: 750 milhões de euros. Aqui, a rendibilidade ("yield") média aceite pelo Estado português foi de -0,291%. É uma taxa ainda mais negativa do que ocorrera no leilão anterior, quando a "yield" comparável, em Junho, tinha sido de -0,264%. Por comparação, o IGCP aceitara uma taxa de -0,096% em Fevereiro, também para vender títulos com esta maturidade. 

 

Na linha para reembolso em Novembro, em que a agência liderada por Cristina Casalinho (na foto) solicitou e conseguiu 250 milhões de euros, a taxa de juro média implícita dos bilhetes do Tesouro foi de -0,348%, ainda mais baixa do que a de -0,337% da operação de Julho.

"A percepção de risco da dívida portuguesa continua a baixar, numa trajectória que vem já desde o início do ano", sintetiza João Queiroz, director da banca online do Banco Carregosa. Contudo, as classificações de risco atribuídas pelas principais agências de "rating" continuam a considerar que o investimento em títulos de dívida nacional é especulativo. 


Procura "bastante forte"

A procura ficou, na operação a 11 meses, acima do montante colocado. O rácio de ofertas sobre a colocação foi de 2,45 vezes, acima de 1,79 da última operação comparável. João Queiroz considera que é uma procura "bastante forte". Este ano, o rácio nunca tinha superado em mais de duas vezes o valor emitido. 

Já a três meses, a procura foi 3,948 vezes superior aos 250 milhões emprestados, ainda assim, abaixo do rácio de 4,56 vezes de Julho.

 

A existência de taxas de juro negativas significa que os investidores estão dispostos a aceitar rendibilidades negativas para comprar títulos de dívida. A tendência é generalizada, acontecendo pela Zona Euro, já que é lá que se sentem os efeitos da política monetária do Banco Central Europeu. Ao longo dos últimos meses, a tendência tem sido de deslize das "yields" associadas a estes títulos de dívida nas emissões que se vão realizando, ou seja, os investidores, num ambiente de taxa de juro em mínimos históricos, vêm aceitando taxas ainda mais baixas.

 

Habitualmente, Portugal realiza leilões de dívida de curto prazo a cada mês, que vai conjugando com operações em que emite obrigações, que têm maturidades superiores. Ainda neste trimestre, antecipa-se um duplo leilão de bilhetes em Setembro, com o Tesouro a pretender, aí, arrecadar entre 1.500 e 1.750 milhões de euros em dívida a seis e 12 meses (esta última numa nova linha de bilhetes).

 

Estas operações ocorrem em mercado primário, isto é, o Estado coloca os títulos directamente em investidores institucionais. Depois, em mercado secundário, estes títulos poderão ser transaccionados entre os investidores. São os juros aceites nessas transacções em mercado secundário que servem de termómetro para perceber o que poderá acontecer no mercado primário. As operações neste mercado primário, em que o Estado coloca bilhetes e obrigações do Tesouro em investidores, representam os custos de financiamento estatais. 

"Apesar de hoje, pontualmente, as taxas no mercado [secundário] estarem a subir, ainda que ligeiramente, no geral a tendência é de queda e os resultados dos leilões de hoje [mercado primário] seguem essa tendência", frisa João Queiroz no e-mail de comentário à operação. 


(Notícia actualizada às 11:17 com mais informações)




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mais votado Anónimo 16.08.2017

As cidades dos EUA que faliram concederam aos sindicatos de várias classes profissionais do município o equivalente ao que as regras laborais no país da constituição do PREC oferece como direito adquirido a toda e gente. Por isso acabaram por falir como só os tolinhos sabem fazer e defendem. Mas depois, e há sempre um antes e um depois, cortaram forte nos privilégios irrealistas que antes tinham tido a audácia de má memória de conceder. Da polícia aos bombeiros passando pelos serviços administrativos da câmara municipal, ninguém ficou sem corte de salário, bónus e pensões de reforma e os despedimentos também andaram na ordem do dia que os colaboradores eram mais do que aquilo que a procura e a tecnologia existente podiam justificar. Outras cidades, antes mesmo de falirem, perderam a tolice e começaram a ganhar juizinho seguindo o exemplo da reestruturação de Detroit ou Vallejo (cortes nas generosas pensões e nos efectivos em excesso). E é por isso que a coisa ficou resolvida por ali.

comentários mais recentes
ze 17.08.2017

Porque é que não pegam nesses tais 200 e tal biliões de dívida total e a colocam toda no mercado com juros negativos perpétuos ? ... daqui a umas centenas de anos, a coisa não só se pagava sozinha, como até começava a dar lucro.

Anónimo 16.08.2017

Os salários numa economia, e as prestações sociais por inerência, só crescem para valores mais elevados que confiram maior poder de compra, se, segundo as forças e condicionantes de mercado, os lucros, os dividendos, as mais-valias, as royalties sobre a propriedade intelectual, as rendas e os juros, em agregado, também crescerem na economia em causa. Querem pôr os salários e prestações sociais desta economia portuguesa a crescer por decreto e inspiração divina? Tornem-se antes em escritores ou escritoras de histórias do género literário conhecido por fantástico ou realismo mágico. A J. K. Rowling, figura das letras e mulher da esquerda inglesa, que não aufere salário mas obtém muitos rendimentos com proveniência directa em lucros, dividendos (lucros distribuídos), mais-valias, royalties sobre a propriedade intelectual, rendas e juros anuais, sabe mais da poda do que muita douta e pedante ignorância, para não dizer estupidez ou imbecilidade, em termos de filosofia e prática económica.

Anónimo 16.08.2017

Este governo é medíocre. Estragou tudo o que a troika andou a fazer e impediu que mais reformas importantes fossem implementadas. As economias bálticas do leste que estavam atrás de Portugal em nível de desenvolvimento continuarão a crescer até ultrapassarem a portuguesa, tal como a Eslovénia e os Checos fizeram e a Eslováquia vai imitar. A Holanda, há muito noutro patamar, cresce o mesmo e não se deixa apanhar. Irlanda, Chipre e Espanha sempre à nossa frente. Desempenho péssimo por culpa da geringonça. Perspectivas de futuro sombrias para os portugueses. Mais uma oportunidade perdida por culpa própria.

oluapaxe 16.08.2017

Mais uma vez dou-lhe os parabém vejo que não é um avençado mas algum que pensa.
É básico se pedir emprestado e não pagar o ganho é de 100%.
Em termos de bancarrota este dinheiro vai ser utilizado para pagar as clientelas é não para amortizar a dívida eu já sei o que vai dar.....já vi que este filme e não me esqueço.

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