Obrigações Prémio de risco da dívida portuguesa em máximos de 2014

Prémio de risco da dívida portuguesa em máximos de 2014

Os juros de Portugal estão a subir, à semelhança do que está a acontecer no resto da Europa, com excepção da Alemanha, o que está a elevar o “spread” da dívida nacional para máximos de Fevereiro de 2014. O prémio de risco de França também está em máximos de Setembro de 2015.
Prémio de risco da dívida portuguesa em máximos de 2014
Miguel Baltazar
Sara Antunes 06 de fevereiro de 2017 às 13:08

A taxa de juro implícita na dívida portuguesa a 10 anos está a subir 6,4 pontos base para 4,236%. Já as bunds estão a cair 3,1 pontos para 0,381%, o que eleva para 385 pontos base o diferencial de juros entre os dois países. Ou seja, o prémio de risco (ou "spread") da dívida portuguesa está próximo dos 400 pontos base.

 

Este é o valor mais elevado desde Janeiro de 2014 e é atingido num dia em que a generalidade dos juros na Europa está a subir, com excepção da Alemanha, cujas obrigações costumam servir de refúgio em alturas de mais incerteza, o que faz com que as taxas de juro cobradas desçam.

 

A contribuir para a subida dos juros estará o relatório da Fitch, publicado na sexta-feira, 3 de Fevereiro. A agência de notação financeira decidiu manter o "rating", bem como a perspectiva "estável" da dívida portuguesa. Mas deixou alguns alertas. Os riscos macroeconómicos ficaram mais moderados, mas o maior proteccionismo e a volatilidade que poderá ser provocada no mercado pelas eleições em vários países na Europa poderão provocar instabilidade.

 

E esta segunda-feira, 6 de Fevereiro, a marcar a sessão estão precisamente os receios em torno de França e de uma potencial vitória de Marine Le Pen, que no domingo fez o discurso de lançamento da sua campanha. Prometeu que, se for eleita, vai "revitalizar o sentimento nacional", tirar França do euro e da União Europeia, sair da NATO, conter a imigração, especialmente de muçulmanos, "erradicar o terrorismo", ter "tolerância zero" com a delinquência e acabar com as segundas oportunidades para os "potenciais terroristas" estrangeiros, que serão expulsos.

 

Esta visão deixou os investidores receosos. As sondagens têm apontado para que Le Pen vença as eleições em França na primeira volta, que se realiza em Abril, apesar de apontarem para que perca na segunda volta, em Maio. É este contexto que está a elevar também os juros um pouco por toda a Europa, com destaque para os franceses que estão a avançar 3,4 pontos para 1,114%, o que corresponde ao valor mais elevado desde Setembro de 2015. Já o prémio de risco da dívida gaulesa face à dívida alemã está nos 71,0 pontos, o que representa o valor mais elevado desde 24 de Janeiro de 2014.




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comentários mais recentes
Anónimo 06.02.2017

Segundo o nosso presidente, isto não se percebe pois foi uma boa notícia continuarmos como lixo para as agências financeiras. E segundo ele a banca nem é problema nosso,foi da troika que não descobriu os problemas que a banca tinha quando cá esteve. Com um presidente destes só podemos mesmo ser lixo

Anónimo 06.02.2017

Estes gajos lá das europas são uma cambada de burros que não percebem o Português do rato onde abundam os cérebros previlegiados bem acolitados pelas muletas de S. Bento e a bengala de Belém. Não se preocupem, que não passa nada cá pela ilha das vacas felizes! Quem tem costa e centeno, nada teme!

Muhammad Saeed al-Sahhaf 06.02.2017

Lembram-se deste ( Muhammad Saeed al-Sahhaf), ministro da propaganda do Iraque, Faz lembrar quem?

TBrites 06.02.2017

Visto que a Europa (graças à política EAPP do BCE) anda a financiar os EUA;
Visto que o Japão (graças à política QQE do BoJ) anda a financiar os EUA;

É natural que os países que pouca/nenhuma capacidade de protecção sejam o alvo preferido para serem saqueados. É este o nosso caso.

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