Bolsa Presidente da CMVM espera entrada de empresas na bolsa com retoma da economia

Presidente da CMVM espera entrada de empresas na bolsa com retoma da economia

Gabriela Figueiredo Dias diz em entrevista à Reuters que a retoma económica em Portugal e o menor stress financeiro das empresas pode abrir um ciclo de novas entradas na Euronext Lisbon.
Presidente da CMVM espera entrada de empresas na bolsa com retoma da economia
Miguel Baltazar
Negócios 05 de julho de 2017 às 20:52

Desde que os CTT entraram na praça portuguesa que não há ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) na Euronext Lisbon. Um cenário que poderá mudar em breve, acredita a presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

 

"Se temos a esperança, a perspectiva, de que este momento possa levar a um novo, não diria 'boom', mas um novo ciclo de trazer empresas para o mercado? Queremos acreditar que sim", disse Gabriela Figueiredo Dias, em entrevista à Reuters.

 

Alertando que "não é o ciclo económico em si que vai produzir sozinho esse movimento" de novas entradas de empresas em bolsa. Daí a importância que a CMVM dá a temas como o 'corporate governance', inovação financeira e alguma alteração na regulação financeira.

 

Disse que "a oportunidade está criada e é o 'caldo' perfeito para se fazerem as mudanças - e as reflexões antes delas - para se criar um ecossistema, um ambiente regulatório, de práticas e tudo o mais que seja consistente com a oportunidade que hoje existe de trazer de novo empresas para o mercado".

 

"A circunstância existe, está criada, há um momento em que o 'stress' sobre as empresas e a economia começa a ser aliviado, mas ainda estamos com a memória fresca daquilo por que passámos e das contrariedades e constrangimentos ao funcionamento do mercado", adiantou na entrevista à Reuters.

 

Acrescentou que tem de haver "um esforço conjunto" e que o 'stakeholder' mais relevante nesta matéria é a Euronext Lisbon, mas também os emitentes, intermediários financeiros, poder político e poder local, entre outros actores. "Relativamente ao 'corporate governance', é mais um tema decisivo para tirar partido da circunstância, que começa a mostrar-se favorável", disse.

 

Em entrevista ao Negócios, em Junho, o CEO da TAP-Air Portugal Fernando Pinto disse que a companhia aérea pode ir para a Bolsa mais cedo do que se imagina e ser um sucesso.

 

"Os desincentivos são alguns custos, embora tudo isso esteja avaliado, sendo claro hoje que nós não temos custos superiores a outras jurisdições, nem em termos de regulação no que respeita ao acesso ao mercado, nem em termos de permanência em Bolsa", disse a presidente da CMVM.

 

"O que há efectivamente é um custo regulatório que nem todos os agentes económicos estão dispostos a incorrer, o custo de cumprimento com as obrigações e aí procuraremos ajustar na medida em que seja possível e adequado ajustar, sem prejudicar a transparência", acrescentou.

 

O administrador da CMVM, João Sousa Gião, lembrou que "o mercado de capitais tem a capacidade de oferecer diversos instrumentos e não é apenas a admissão à negociação de acções (o IPO) ou de obrigações".

 

"O mercado de capitais 'lato senso' tem de ter outros instrumentos que permitam financiar as empresas nas suas diferentes fases de crescimento, estou a falar de capital de risco, de instrumentos de private equity, até chegar, digamos assim, à sublimação que é a entrada da empresa em Bolsa", afirmou.

 

"Uma empresa que se queira expandir, que tenha um grande investimento para se desenvolver tem de confiar no financiamento de mercado e deve poder fazê-lo, o mundo mudou e uma das lições aprendidas é a de que a dependência do financiamento bancário não deverá voltar a ser a que foi", concluiu.