Bolsa PSI-20: De promessa para 2016, a sétima pior do mundo

PSI-20: De promessa para 2016, a sétima pior do mundo

A praça portuguesa caiu perto de 12% em 2016, um dos piores desempenhos do mundo. Num ano em que mais de metade das empresas caiu mais de 10% e o BCP renovou mínimos consecutivos, a Sonae Capital e a Corticeira deram brilho à bolsa.
PSI-20: De promessa para 2016, a sétima pior do mundo
Miguel Baltazar/Negócios
Patrícia Abreu 30 de dezembro de 2016 às 17:33

O ano que está a terminar deixa um sabor amargo aos investidores nacionais. Depois de ter brilhado em 2015, com uma valorização superior a 10%, a bolsa lisboeta protagonizou, em 2016, uma das maiores descidas do mundo, ao cair quase 12%. Um comportamento negativo que foi contrariado pela escalada das novas "contratações" do PSI-20, na revisão anual de Março. Sonae Capital e Corticeira Amorim dispararam mais de 40%.

Era uma das promessas para 2016, mas a maior aversão aos activos de risco e o agravamento dos juros da República passaram uma rasteira às acções nacionais. O índice PSI-20 fecha o ano com uma descida de 11,93%, a queda mais expressiva entre os índices europeus e um desempenho apenas superado por seis bolsas a nível global. O europeu Stoxx 600 cedeu uns meros 1,20% nos últimos 12 meses, com a recuperação das últimas semanas a quase anular as perdas registadas ao longo do ano.

Num ano que fica marcado pelo Brexit e pela eleição de Donald Trump como o próximo presidente dos EUA, a bolsa lisboeta arrancou o ano com 17 membros, após a exclusão do Banif, na sequência da resolução no banco no final de 2015, tendo voltado a contar com 18 membros na revisão anual de Março. Saíram a Impresa e a Teixeira Duarte, para entrarem o Montepio, a Sonae Capital e a Corticeira Amorim, as duas estrelas da bolsa nacional em 2016.

O PSI-20 destacou-se nas perdas desde o início do ano, com os investidores a evitarem as acções nacionais, devido aos receios em torno do fraco crescimento económico na Europa, que penalizou sobretudo a periferia do euro, aos problemas na banca e aos receios de uma retirada de estímulos a partir do próximo ano, com impacto negativo na dívida nacional. Uma conjuntura desfavorável que arrasou a maioria das cotadas nacionais, com mais de metade das empresas do PSI-20 a tombar mais de 10%.

O mês de Junho saldou a maior queda do ano – 10,17% – , com os investidores a despejarem as suas acções no mercado, após a consulta popular realizada no Reino Unido a 23 de Junho, que mostrou a vontade dos britânicos para abandonar a União Europeia. Mas, após uma primeira reacção muito negativa ao referendo, Julho trouxe a recuperação às bolsas. O PSI-20 seguiu o optimismo dos restantes mercados accionistas e valorizou 6,6%, naquele que foi o melhor mês do índice.

BCP, a ovelha negra

O BCP liderou as quedas na bolsa. O banco comandado por Nuno Amado, que pela primeira vez na sua história negociou abaixo dos dois cêntimos por acção, antes da fusão de acções, perdeu mais de dois terços do seu valor nos últimos 12 meses. No ano em que abandonou a marca dos cêntimos, depois de ter convertido 75 acções em uma, no passado mês de Outubro, o BCP tombou 70,8%, a maior descida desde 2011.

O BCP continuou a ser o espelho das preocupações em torno da banca e dos receios de que seja forçado a conseguir capital adicional, apesar da entrada da Fosun na sua estrutura accionista. E os principais factores de pressão sobre o banco deverão manter-se nos próximos meses.

Em destaque pela negativa estiveram ainda os CTT. A empresa de correios acelerou a espiral de queda, após a divulgação dos resultados do primeiro semestre de 2016, perante a expectativa que a empresa não iria cumprir as metas fixadas para o ano. A companhia desvalorizou 27,21%, o terceiro pior desempenho do PSI-20. Entre as quedas dos CTT e do BCP ficaram as unidades de participação do fundo do Montepio, com uma descida de 35,73%.

A perder valor e a determinar o balanço negativo da bolsa esteve ainda o grupo EDP. A eléctrica caiu 12,86% para 2,894 euros, enquanto a EDP Renováveis baixou 16,74% para 6,036 euros.

Sonae Capital e Corticeira lideram

Mas nem tudo foi mau em Lisboa. Sonae Capital e Corticeira Amorim, que passaram a integrar o PSI-20 a 18 de Março, chegaram, viram e venceram. A empresa da família Azevedo destacou-se, com uma valorização de 46,67%, animada pelas melhores perspectivas para o sector imobiliário.

Na cola da Sonae Capital esteve a Corticeira Amorim. A empresa, que durante grande parte do ano ocupou o primeiro lugar do "ranking" na lista das maiores subidas da bolsa, fecha 2016 com uma valorização de 42,91%.

Na lista das maiores subidas do ano há espaço ainda para dois pesos-pesados da bolsa. Galp Energia e Jerónimo Martins conseguiram contrariar o mau comportamento dos mercados e fecham o ano com subidas expressivas, travando a queda do índice PSI-20 no período. A petrolífera ganhou 32,37%, enquanto a dona do Pingo Doce acelerou 22,88%.




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pertinaz Há 4 semanas

NO PASA NADA.....

O ESTUPOR DO COSTA RESOLVE

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