Trading Será que as acções europeias são um bom refúgio?

Será que as acções europeias são um bom refúgio?

Perante a possibilidade de um período de correção no mercado accionista, analistas admitem que as acções europeias podem vir a sofrer menos do que as restantes, até porque a euforia não foi a mesma.
Será que as acções europeias são um bom refúgio?
Bloomberg
Bloomberg 12 de janeiro de 2018 às 15:37

Os analistas estão cada vez mais convencidos de que a alta no mercado accionista já vai tão longa que é inevitável um período de correcção. Mas alguns avisam que há um "canto" do mundo que foi poupado a esta euforia generalizada e que pode assim ser menos afectado, durante este alegado ajuste de mercado: a Europa.


Vários indicadores demonstram que a região está menos vulnerável a esta correcção, e os argumentos para apostar numa valorização das acções na Europa este ano são vários: a Alemanha, a maior economia da região, vive um boom económico e a zona do euro regista os maiores níveis de crescimento em quase duas décadas. Ao mesmo tempo as acções europeias permanecem relativamente baratas em comparação com os valores dos títulos dos EUA.

A Bloomberg revela ainda que o índice de resistência do Euro Stoxx 50 - indicador mede a dimensão e a velocidade das flutuações de preços - é o único entre os principais mercados accionista mundiais que não está em território considerado de ‘sobrecompra’. No ínicio desta semana traders do Morgan Stanley revelaram, numa nota, que aumentaram a exposição às acções europeias e diminuíram a sua posição nas acções dos EUA e justificam a decisão precisamente com este argumento.

Além disso, depois de anos de crise, a economia europeia segue finalmente o caminho da recuperação. "Na Europa, a combinação de condições que incluem, entre outras, o crédito fácil e queda do desemprego apoiam a confiança, e os ganhos no mercado accionista", defendeu Mike Bell, da JPMorgan Asset Management, num briefing em Londres, também esta semana. "Existe uma correlação incrivelmente estreita, ao longo da história, de que a crescente confiança dos consumidores na zona do euro aumenta o valor das acções. Pensamos que esse ciclo se vai manter".

Os mercados accionistas dos dois lados do Atlântico mostram outras diferenças relevantes: enquanto nos EUA o S&P500 negocia 18 vezes acima dos ganhos das empresas esperados para os próximos 12 meses - um nível não observado desde 2002 – o mesmo indicador para o europeu Stoxx 600, permanece abaixo do seu pico de 2015.

"Definitivamente, há menos euforia nas acções europeias neste momento", diz Andrea Tueni, director de vendas da Saxo Banque France. "Agora, a grande questão é: o mercado europeu será imune se houver um crash em Wall Street?




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