Trading Serão os idos de Março um ponto de inflexão nos mercados?

Serão os idos de Março um ponto de inflexão nos mercados?

A 15 de Março, quarta-feira, a Reserva Federal norte-americana deve decidir nova subida dos juros. Para já, há incerteza sobre o efeito que isto terá sobre os mercados, com vários segmentos perto do sobreaquecimento.
Serão os idos de Março um ponto de inflexão nos mercados?
Reuters
Negócios 13 de março de 2017 às 12:45
No tempo do Império Romano, os idos eram uma das formas de divisão dos meses. Um dos idos, o de Março, calhava a dia 15 desse mês, e tornou-se famoso porque, no ano 44 Antes de Cristo, a data foi marcada pelo assassinato do imperador Júlio César às mãos de conspiradores romanos, entre eles Brutus.

Nesta semana, o dia 15 está a concentrar as atenções por motivos menos sangrentos e, espera-se, com efeitos mais benignos. É que esta quarta-feira será conhecida a decisão da Reserva Federal norte-americana, que deverá elevar os seus juros de referência. A questão que se põe é que efeito isto terá sobre os movimentos dos mercados, num momento em que, no segmento accionista, se levantam algumas vozes a alertar para um eventual sobreaquecimento das avaliações.

É que, a confirmar-se a subida, este será o terceiro aumento do actual ciclo de aperto por parte da Fed (iniciado no final de 2015, seguido por mais 25 pontos-base em Dezembro de 2016". De acordo com análises históricas, em termos médios, a terceira decisão de subida dos juros tende a provocar um arrefecimento nas bolsas norte-americanas. De acordo com dados da Fundstrat Global Advisors, citados pelo MarketWatch, em média as bolsas caíram 2,2% nos três meses seguintes ao anúncio da terceira decisão de subida de juros.

A subida parece certa, com quase 100% dos analistas ouvidos pela Bloomberg a apostarem num aumento dos juros de referência para 1%. A tendência ganhou força com os números do mercado de trabalho relativos a Fevereiro, conhecidos no final da semana passada. A recuperação demonstrada terá dado ainda mais conforto a Janet Yellen para a subida dos juros, porque é mais um sinal de robustez económica. A subida dos juros pretende, assim, ir acompanhando a economia e impedir um sobreaquecimento mais tarde.

Segundo Colin Cieszynski, chief market strategist na CMC Markets, "esta semana tem o potencial de ser enorme para oportunidades de trading", com o especialista a defender que "tudo está centrado nos idos de Março, com vários desenvolvimentos importantes a serem conhecidos a 15 e 16 de Março".

Mais do que a decisão, que estará descontada nos preços, os investidores estarão atentos ao discurso de Yellen, para tentar perceber quantas mais subidas de juros e a que ritmo se podem esperar. Um tom mais restritivo do que o antecipado pode levar a algum 'selloff' nas bolsas, até porque muitos investidores estão com mais-valias potenciais em carteira, o que os deixará mais disponíveis para vender e aguardar um pouco fora do mercado.

Por outro lado, há vários sectores que, de acordo com uma análise do Bank of America Merrill Lynch Global Research, estão bem posicionados para ganhar com a subida dos juros. Automóveis, semicondutores, seguros e crédito ao consumo podem beneficiar da mexida, bem como do facto de estarem mais baratos do que outras áreas que têm subido mais nos últimos meses, segundo o mesmo documento.

Mas não é só a Fed a focar os investidores. Na quinta-feira, Donald Trump deverá apresentar ao Congresso a versão preliminar do seu Orçamento, na prática levantando o véu sobre dados concretos sobre as prioridades económicas da sua presidência. E aí o teste é se o "namoro" de Trump com os mercados vai continuar, ou se estes vão ficar desiludidos. Nos primeiros 50 dias da sua presidência, a evolução das bolsas nova-iorquinas foi a melhor de todos os presidentes republicanos, embora apenas a sexta, se incluirmos todos os presidentes. Comparando com Reagan, por exemplo, o S&P 500 subiu 2,53% nos 50 dias após a sua eleição; o "Trump Rally" chegou aos 4,46% no mesmo período.



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