Obrigações S&P mantém "rating" e perspectiva para Portugal

S&P mantém "rating" e perspectiva para Portugal

A agência de notação financeira manteve o "rating" de Portugal um nível abaixo de grau de investimento e a perspectiva estável.
S&P mantém "rating" e perspectiva para Portugal
Rui Barroso 17 de março de 2017 às 16:45

Mário Centeno defendeu no início da semana que as agências de "rating" estavam a ser injustas com Portugal. Mas a Standard & Poor’s manteve esta sexta-feira a nota de Portugal em BB+, um nível visto como "lixo" pelos mercados. A perspectiva continua estável, o que indica que a agência conta manter nos próximos tempos o actual "rating".

 

A S&P destaca alguns factores favoráveis, como "a continuação da consolidação orçamental, as melhorias no perfil das maturidades da dívida pública e a política monetária acomodatícia do BCE". No entanto, a agência refere que o "rating" está constrangido "pela muito elevado dívida pública e privada, muita dela devida a não-residentes".

 

Do ponto de vista da economia, os analistas Marko Mrsnik e Frank Gill destacam que o crescimento foi mais firme no segundo semestre do ano passado. Mas em contraponto, notam que "o sistema bancário continua fraco, travando as melhorias na transmissão da política monetária". 

Banca e dívida são calcanhares de Aquiles

Uma das maiores preocupações da S&P para Portugal, expressa no comunicado desta sexta-feira, é a saúde do sector bancário. "O sector bancário português terá dificuldades em melhorar a sua rentabilidade e eficiência e a capacidade dos bancos gerarem lucros continua sob pressão significativa dadas as ultra-baixas taxas de juros, o crescimento diminuto dos volumes, e a elevada quantidade de activos problemáticos", refere a agência.

 

Apesar de reconhecer que foram feitos alguns progressos no sector financeiro, a S&P considera que "os maiores bancos ainda têm problemas significativos para resolver ou estão em processo de mudanças importantes". A agência destaca que o "governo está a apoiar o fortalecimento da estabilidade financeira", exemplificando com a injecção de 2.500 milhões de euros na Caixa Geral de Depósitos. Mas defende que há mais trabalho a fazer.

 

"Veríamos como positivo passos adicionais dados pelas autoridades e pelos bancos para reduzir o nível elevado de activos problemáticos nos balanços dos bancos o que, na nossa opinião, melhoraria as condições de crédito à economia e fortaleceriam o mecanismo de transmissão monetária", referem os analistas da S&P.

 

A agência considera que o processo de desendividamento está a ser lento. E refere que a elevada dívida do sector privado é um dos principais entraves "a uma dinâmica de recuperação, já que os recursos que de outra forma seriam gastos em consumo ou investimento estão a ser utilizados para melhorar os balanços das famílias e das empresas".

 

A conclusão? "Vemos a economia portuguesa como estando ainda vulnerável a uma deterioração das condições de financiamento externo, apesar da queda das taxas de juro que se seguiu às medidas de política monetária do BCE".

 

O défice, as medidas do governo e a gestão da dívida

Em relação ao défice de 2016, a S&P constata que Portugal teve um melhor desempenho que os 2,4% previstos. Mas realça a estratégia que foi seguida para bater essa meta. "Além da menor despesa com juros, de adiamentos de investimento público, do congelamento das dotações orçamentais no final de 2016 e do impacto orçamental da recuperação cíclica, o desfecho foi ajudado em 0,25% do PIB com receitas relacionadas" com o Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado.

 

Para 2017, a S&P estima que o défice se situe em 1,8%, acima da projecção de 1,6% do Governo. Já em relação ao saldo primário a agência estima "que se fortaleça mais" e que exceda os 2,5% do PIB em 2017, o que aponta "para um esforço significativo de consolidação orçamental desde o início da década".

 

No entanto, a S&P refere que a despesa do Estado, de 46% do PIB, é "relativamente elevada, incluindo em comparações com membros da Zona Euro consideravelmente mais ricos como a Alemanha ou a Holanda, o que implica um fardo com impostos mais elevado, incluindo nos rendimentos do trabalho". 


(Notícia actualizada às 17:28 com mais informações)



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comentários mais recentes
eas 17.03.2017

S&P destaca a dívida. Incorpora a pública e privada. OK! Mas não será a privada a causadora de grande parte da pública? Não é o Estado a "meter" os MM€ nos bancos para pagar esta divida privada que pagou yates, herdades, offshores? As empresas privadas e empresários detinham muiiita dívida a bancos (com juros muito altos para o agora praticado) e através do mecanismo das falências forçaram imparidades da qual resultou a ajuda estatal (com os nossos impostos) e o crescimento da div. pública. Com isto, "os nossos impostos" e a diminuição de salários resultaram na actual redução dos balanços das famílias, que de outra forma seriam gastos em consumo ou investimento - como a S&P escreve. E com isto, que é verdade!, ainda há muitos a gritar pela redução de salários, pensões, subsídios a colégios, escolas públicas (reduzidas!) em bairros sociais, mais hospitais privados, menos apoio social. Talvez, se calhar, até, o fim de entrega de patrimonio ao TC, ie, um Offshore privado! PAF, ufa!!!

Justo 17.03.2017

Com um governo de negação i.e. nega factos e realidades, temos fado.

pertinaz 17.03.2017

RESUMINDO:

ESTAMOS NO LIXO E ASSIM DEVEMOS CONTINUAR ...!!!

Conselheiro de Trump 17.03.2017

Como diz o canhoto:gato Escondido com rabo de fora.Ou se quizermos:esconder as miserias com um CRIVO.Eu penso q os beordelares nem perdem muito tempo a olhar para o desenvolvimento do pais,olham apenas para o resultado final q e a divida q aumenta a cada dia q passa,e tiram a conclusao.Tao simples.

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