Bolsa Wall Street flutua ao sabor de Trump. Banca dispara e tecnológicas afundam

Wall Street flutua ao sabor de Trump. Banca dispara e tecnológicas afundam

As bolsas norte-americanas abriram a negociar em terreno misto, numa altura em que se perfilam os sectores que mais podem beneficiar e perder com Donald Trump na Casa Branca.
Wall Street flutua ao sabor de Trump. Banca dispara e tecnológicas afundam
Reuters
Carla Pedro 11 de Novembro de 2016 às 14:50

O índice industrial Dow Jones, que ontem marcou a meio da sessão um novo máximo histórico nos 18.808,35 pontos, segue a ganhar terreno muito timidamente, com uma subida marginal de 0,06% para 18.819,72 pontos.

 

O Standard & Poor’s 500, por seu lado, recua 0,20% para 2.162,67 pontos, ao passo que o tecnológico Nasdaq Composite volta a estar em terreno negativo, a ceder 0,21% para 5.197,84 pontos.

 

A Bloomberg sublinha o facto de o mercado norte-americano estar radicalmente polarizado relativamente à vitória de Trump, sendo evidente quem estão a ser os vencedores e perdedores nas bolsas.

 

Os títulos industriais, os da banca e os das farmacêuticas têm estado a ter as melhores reacções a uma Administração Trump.

 

Com efeito, a contribuir para o recorde do Dow Jones na quinta-feira está o facto de as acções ligadas ao sector industrial estarem a ter um desempenho largamente positivo, já que nos planos de Trump está o aumento da despesa pública em infra-estruturas.

 

Por arrasto, também as matérias-primas ligadas a materiais usados na construção estão a ganhar terreno, como é o caso do cobre, cujos preços têm estado a disparar.

 

Já os bancos e as farmacêuticas estão a beneficiar da expectativa de que o presidente eleito norte-americano e o Congresso – controlado pelos republicanos – revertam alguns dos regulamentos mais pesados para estes sectores, como é o caso da lei Dodd-Frank na banca.

 

E um perdedor que se tem evidenciado é o sector tecnológico, visto que as empresas deste ramo operam bastante fora de portas e estão receosas do impacto que poderão ter as políticas daquele que irá ser o novo presidente no que diz respeito ao comércio – já que este defende medidas proteccionistas e falou mesmo em reverter alguns acordos comerciais importantes já estabelecidos e em curso.

 

Na sessão de ontem, o sector tecnológico negociou na direcção oposta à do resto do mercado, com uma disparidade que não se via desde o estoiro da bolha das dot.com, sublinha a Bloomberg. Com efeito, o índice Nasdaq 100 caiu ontem 1,6% ao passo que o Dow Jones subiu 1,2%, uma divergência não observada desde Março de 2001.

 

Os investidores têm estado também a analisar o que poderá representar uma presidência Trump para a política monetária da Reserva Federal, bem como a trajectória das taxas de juro – e as expectativas de um aumento dos juros na reunião de Dezembro da Fed mantêm-se em torno dos 80%.

 

Nas 22 eleições presidenciais desde 1928, o S&P 500 caiu 15 vezes no dia a seguir ao fecho das contagens, com uma perda média de 1,8%.

 

Numa altura em que a cena política está no centro das atenções, começa a diminuir o ritmo de apresentação dos resultados trimestrais das empresas norte-americanas. Os analistas estimam que os lucros das cotadas do S&P 500 tenham crescido 2,5% em média no trimestre compreendido entre Julho e Setembro, quando no início do mês apontavam para uma quebra média de 1,6%.

 




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