Taxas de juro Yellen alerta para riscos de se adiar por demasiado tempo a subida dos juros

Yellen alerta para riscos de se adiar por demasiado tempo a subida dos juros

A presidente da Reserva Federal dos EUA alertou que demorar demasiado a tempo a subir os juros coloca riscos. Mas defendeu o período de espera dos últimos meses.
Yellen alerta para riscos de se adiar por demasiado tempo a subida dos juros
Bloomberg
Rui Barroso 17 de Novembro de 2016 às 13:48

Numa altura em que o mercado aponta para uma probabilidade de quase 100% de que a Reserva Federal dos EUA irá subir os juros em Dezembro, Janet Yellen alertou para os riscos de se adiar essa decisão. Demorar demasiado tempo a tomar essa decisão pode levar a Fed a ter de subir abruptamente os juros no futuro ou criar comportamentos de riscos excessivos nos mercados. E refere que a subida irá acontecer "em breve".

"Se o Comité Federal do Mercado Aberto [FOMC] adiar subidas na taxa dos fundos federais por demasiado tempo, pode acabar por ter de restringir a política de forma relativamente abrupta", referiu nas notas para a audição no Congresso dos EUA que forma publicadas no site da Fed. Yellen acrescenta ainda que "manter a taxa dos fundos federais ao nível actual durante demasiado tempo pode encorajar a tomada de riscos excessivos e, em última análise, comprometer a estabilidade financeira".

No entanto, defendeu as últimas decisões de não se operar uma subida dos juros. "Esperar por indicadores adicionais não reflecte uma falta de confiança na economia", afirma Yellen. A Fed subiu os juros em Dezembro do ano passado pela primeira vez desde 2006. Mas contrariamente ao que era antecipado por muitos economistas, acabou por não decidir subidas adicionais ao longo de 2016.

Ritmo das subidas deverá ser suave

Os investidores dão praticamente como certo que a Fed suba os juros em Dezembro. Além disso, começam a apostar que o ritmo dos aumentos dos juros nos EUA seja mais rápido. Isto depois de a vitória de Donald Trump nas eleições ter levado o mercado a incorporar que as políticas de estímulos orçamentais propostas pelo presidente eleito resultariam num regresso da inflação. Esta é a primeira vez que Yellen faz declarações públicas desde as eleições nos EUA.

Apesar de sinalizar que os juros terão de subir em breve, Yellen mantém a perspectiva que tem defendido para o médio e longo prazo. "O FOMC continua a esperar que a evolução a economia garantirá apenas aumentos graduais da taxa de fundos federais ao longo do tempo de forma a atingir e manter o emprego máximo e a estabilidade dos preços", afirma a presidente da Fed. Yellen acrescenta que "a direcção da política monetária é provavelmente acomodatícia, o que é apropriado para fomentar o progresso em direcção aos objectivos do FOMC".

Ian Shepherdson, economista-chefe da Pantheon Macroeconomis disse, citado pela Bloomberg, que "o testemunho de Yellen ingora a possibilidade bastante real de estímulos orçamentais no próximo ano". 

No entanto, a presidente da Fed advertiu que "as perspectivas económicas são inerentemente incertas e, como sempre, o caminho apropriado para a taxa dos fundos federais responderão às alterações das perspectivas e aos riscos associados".  

(Notícia actualizada às 14:45 com mais informação)




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comentários mais recentes
SÓ PARA RECORDAR Há 2 semanas

HYPERINFLATION IN THE WEIMAR REPUBLIC
https://en.wikipedia.org/wiki/Hyperinflation_in_the_Weimar_Republic

ESTÁ MAIS DO QUE NA HORA DA VIA KEYNESIANA Há 2 semanas

Nem mais.
Com a paranóia alemã de manter os juros baixos e até negativos, que provém do seu trauma da hiperinflação da República de Weimar (após o final da 1ª. Guerra Mundial), qualquer dia estamos em deflação (como sucedeu ao Japão), com todo o seu rol dramático de desempregos e falências.

Anónimo Há 2 semanas

Não faz sentido nenhum aumentar as taxas de juro.
Não faz sentido aumentar a inflacção.
Só a pressão dos interesses instalados justifica estas sucessivas tentativas de aumento.
O fundamental é o crescimento económico e o aumento do emprego, sustentado pelo aumento do bem-estar generalizado

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