Mercados Yellen: Subida dos juros não foi uma medida preventiva em relação a Trump

Yellen: Subida dos juros não foi uma medida preventiva em relação a Trump

A presidente da Reserva Federal dos EUA admite incerteza com as políticas de Trump e explicou como foi feita a gestão das expectativas do mercado em relação à decisão de subir as taxas de juro.
Yellen: Subida dos juros não foi uma medida preventiva em relação a Trump
Rui Barroso 15 de março de 2017 às 19:57

Janet Yellen admitiu que as políticas orçamentais que a administração Trump poderá vir a tomar criam incerteza sobre o cenário económico para os EUA. Mas garantiu que a subida das taxas de juro decidida esta quarta-feira, não foi "uma medida preventiva" em relação às medidas propostas pelo presidente dos EUA.

"Não discutimos em detalhe potenciais alterações da política orçamental e não tentámos mapear qual seria a nossa reunião a políticas específicas", assegurou a presidente da Reserva Federal dos EUA na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio da subida da taxa dos fundos federais para entre 0,75% e 1%. Acrescentou que a decisão foi "apenas o reflexo da análise da economia e não houve especulação sobre as futuras medidas nem reacções preventivas" a futuras mudanças de política orçamental.

Janet Yellen admite, no entanto, que "há incertezas sobre o ‘timing’ e a dimensão" das políticas que Trump possa vir a adoptar. Mas refere que "ainda é demasiado cedo" para saber qual o impacto que as medidas de Trump poderão ter no actual cenário económica. E revelou que nas projecções individuais de alguns membros do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC) foram incluídas algumas expectativas sobre as potenciais mudanças de política orçamental.

O "encontro breve" e a negação de um "conflito" com Trump

Questionada sobre se já teve reuniões com o presidente e com o secretário do Tesouro, Yellen revelou que teve "um encontro breve" com Trump e que já teve algumas reuniões com Steven Mnuchin. A presidente da Fed refere que é "tradicional" haver encontros regulares com o secretário do Tesouro e que é importante que exista uma "boa relação e boas discussões sobre a economia e a regulação financeira".

Janet Yellen disse que a mensagem da decisão hoje para os americanos é que a "economia está a comportar-se bem". E considera que se está muito perto de atingir os objectivos do banco central para o crescimento e o emprego. Esta perspectiva aparenta diferir da de Donald Trump que pretende que a economia tenha um crescimento ainda mais rápido, o que poderia colocar em causa o equilíbrio económico pretendido pela Fed.

Um conflito em perspectiva entre a Casa Branca e a Fed? "Não acredito num conflito", disse Yellen. E acrescenta que se as medidas de Trump para estimularem o crescimento assentem em medidas que "aumentem a produtividade e o potencial da economia serão muito bem-vindas".

Como a Fed preparou o mercado para a subida

Nas últimas semanas os responsáveis da Fed desdobraram-se em declarações para sinalizar uma subida das taxas de juro na reunião desta quarta-feira. Ainda no início de Março as probabilidades atribuídas pelo mercado para que a entidade por Janet Yellen optasse por esta decisão eram de menos de 40%.

A presidente da Fed foi confrontada sobre o que poderia explicar essa dessincronização entre o mercado e o banco central que obrigou os responsáveis a virem a público explicitar que a subida de juros seria mesmo em Março, pouco tempo depois do aumento de Dezembro do ano passado.

Yellen atribuiu essa falta de sintonia com o facto de a Fed apenas ter subido os juros uma vez em 2015 e uma outra vez em 2016. "Provavelmente foram influenciados por esse padrão", referiu. E reiterou que "é importante que se perceba que estamos perto de atingir os nossos objectivos", uma mensagem consistente com mais subidas das taxas de juro. As previsões dos membros do FOMC são de que existam mais duas subidas este ano e Yellen defende que essa visão corresponde ao que considera ser um ciclo de aumentos graduais.

E Yellen voltou a alertar para os riscos de se demorar muito tempo a retirar as políticas acomodatícias. "Pode causar o risco de aumentos repentinos dos juros, criando disrupções nos mercados financeiros", concluiu. 


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