BES
Capital novo, vida nova na bolsa?
23 Abril 2012, 11:30 por André Veríssimo | averissimo@negocios.pt
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Analistas consideram que o banco fica numa posição sólida, mas crise da dívida recomenda cautela
Ricardo Salgado | Presidente executivo do BES.


O aumento de capital do BES chega com a promessa de uma vida nova para o banco. Resolvido o problema, haverá agora espaço para as acções "respirarem" em bolsa? Os analistas do BPI defendem que se trata de um bom ponto de entrada nos títulos. Mas há quem lembre que enquanto a crise da dívida não estiver definitivamente tratada, o valor do banco dificilmente se materializará.

As provisões realizadas em 2011, que levaram o banco a registar um prejuízo de 108,8 mil milhões de euros, permitiram "limpar" a maior parte das imparidades no balanço. Faltava resolver a questão do capital, para afastar de vez os fantasmas. A solução foi anunciada há duas semanas pela gestão, sob a forma de um aumento de capital de 1.010 milhões de euros, cuja subscrição está totalmente assegurada.

A operação vai permitir aumentar o rácio "Core Tier 1" em 154 pontos base para os 10,75%, que desce para 10,53% com a compra da totalidade da participação da BES Vida. O que, nas palavras do Goldman Sachs, coloca o banco "confortavelmente" acima dos 10% exigidos pelo Banco de Portugal e dos 9% definidos pela Autoridade Bancária Europeia. Opinião partilhada por Benjie Creelan-Sandford, analista do Macquarie, que acrescenta que a operação coloca os rácios do BES, calculados com base nos critérios de Basileia III, numa posição "muito sólida".

"Esta operação remove o principal fardo que pesava sobre a acção, sem recorrer à linha do Estado, deixando o banco numa posição privilegiada para ganhar quota de mercado assim que a economia portuguesa começar a recuperar", afirma o BPI num relatório divulgado na semana passada. Os analistas Carlos Peixoto e Gonçalo Guarda Garcia recomendam "comprar" acções do BES e consideram que "o aumento de capital é um bom ponto de entrada" no título.




O Macquarie também afirma que o banco presidido por Ricardo Salgado leva vantagem sobre o BPI e o BCP, prevendo que os últimos dois tenham de recorrer à linha de recapitalização do Estado. "O BES continua a ser o nosso preferido em Portugal", pode ler-se na nota divulgada após o anúncio do aumento de capital. Mas Benjie Creelan-Sandford está menos optimista do que os colegas do BPI, mantendo a recomendação de "neutral" para o banco, apesar de o preço-alvo, de 1,19 euros, ser quase o dobro da cotação de fecho de sexta-feira. "Os receios em relação à crise da dívida soberana impedem-nos de ser mais positivos", justifica.

A maioria dos analistas acredita que Portugal será forçado a solicitar um segundo pacote de assistência financeira, embora sem a necessidade de uma reestruturação da dívida como aconteceu na Grécia. Mas enquanto permanecer a incerteza, os títulos da banca têm a margem de progressão limitada. O Goldman Sachs também manteve a recomendação em "neutral", apesar do potencial de valorização de 122% conferido pelo "target" que tem para o BES.



























Quem pretender comprar acções do BES, o aumento de capital pode permitir fazê-lo a desconto. Os direitos do aumento de capital encerraram a semana nos 30,2 cêntimos, cotação que permite comprar uma nova acção por 56,8 cêntimos, 10% abaixo do seu valor teórico e menos 3% do que os títulos que estão a negociar em bolsa.



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