Aquecer a casa
Descubra a solução mais barata
16 Dezembro 2009, 09:32 por Ana Pimentel
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Com a chegada do Inverno, as casas arrefecem e não há mantas ou cobertores que façam frente aos meses do frio. Inevitavelmente, a factura da energia sobe. A questão do aquecimento certo passa pela cabeça de qualquer família: "será que estou...

Saiba como evitar facturas de Inverno elevadas e qual a opção mais eficiente e ecológica para aquecer a sua casa


Com a chegada do Inverno, as casas arrefecem e não há mantas ou cobertores que façam frente aos meses do frio. Inevitavelmente, a factura da energia sobe. A questão do aquecimento certo passa pela cabeça de qualquer família: "será que estou a optar pela forma mais eficiente de aquecer a minha casa?".

Para tentar responder a essa questão, o Negócios pediu à Home Energy, empresa do Grupo Martifer especializada em soluções de eficiência energética, que simulasse o custo do aquecimento para três tipologias de habitação diferentes: um apartamento T1 com 80 m2, um apartamento T3, com 150 m2 e uma moradia que ronda os 200 m2.

O ar condicionado é sempre a solução mais económica e menos poluente, embora o nível de conforto seja inferior e os custos de instalação elevados (ver simulação na página ao lado).

"A solução mais equilibrada é a do sistema centralizado com caldeira mural a gás natural e radiadores a água, por apresentar uma boa relação custo de utilização/custo de implementação, por proporcionar bons níveis de conforto térmico e bom desempenho ambiental", explica Selwin Wever, director de certificação da Home Energy.

Mas há formas mais baratas de contribuir para o conforto térmico da habitação. Marco Correia, técnico de certificação e registo da ADENE - Agência para a Energia, explica que uma das formas mais eficientes para aquecer casas é o recurso à captação da radiação solar, abrindo estores ou cortinas. Desta forma, os raios solares incidem sobre paredes ou pavimentos interiores do edifício, para posterior libertação.

Para evitar desperdícios de energia, isole as caixas dos estores e vede portas e janelas que estejam em contacto com o exterior e espaços não aquecidos.

Marco Correia considera que os sistemas de aquecimento mais eficientes são os equipamentos de ar condicionado com classe energética A, que disponham de modo reversível de funcionamento (bomba de calor). Estes permitem "o aquecimento ambiente bem como o aquecimento central, recorrendo a caldeiras de elevado rendimento, com tecnologia de condensação".

Para Filipa Alves, técnica do projecto EcoCasa, levado a cabo pela Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, a construção é o elemento mais importante no aquecimento de uma casa. "Não só pelos materiais e soluções construtivas utilizadas, mas também pelo seu correcto planeamento e integração no espaço em que vai ser implementada, sendo a orientação solar uma das componentes fundamentais", explica. Com o planeamento certo e uma correcta construção da habitação, reduzem-se as necessidades de aquecimento. Quando as recomendações de manutenção não são cumpridas, há um maior consumo dos equipamentos.

"Normalmente, as pessoas não possuem conhecimentos suficientes para saberem optar pelos sistemas mais eficientes", comenta João de Jesus Ferreira, sócio fundador da empresa Jesus Ferreira Consultores - Energy Consulting. A maioria dos apartamentos são vendidos com sistemas de aquecimento instalados ou pré-instalados, que não dão grandes alternativas aos compradores. "Os empreiteiros deverão procurar instalar os sistemas mais eficientes, o que se tornará quase obrigatório, se quiserem vender habitações com boas classes energéticas", explica.

Os custos energéticos de uma habitação passam, sobretudo, pelo aquecimento, arrefecimento e pelas águas quentes sanitárias. Por isso, é nestes consumos que se deve economizar a energia.

"Numa casa já construída e em utilização normal é muito difícil implementar medidas de melhoria com viabilidade económica razoável", diz Jesus Ferreira. O comportamento dos moradores é que tem de se adaptar.

Para Nuno Sequeira, director-geral da Solzaima, empresa que fabrica soluções de aquecimento a biomassa, a salamandra é a solução ideal para um casal que viva num T1. Num T3 para 4 pessoas, aconselha um recuperador a ar, cujos volumes de aquecimento podem chegar aos 573 m3 e o valor de compra não deverá exceder os 2.200 euros.

Se a família do mesmo T3 quisesse optar pelo aquecimento central a água, poderia escolher um modelo que fica interligado com o aquecimento central a gás. Assim, sempre que liga o recuperador na sala, desliga o contador do gás e poupa na sua facturação, mantendo a casa aquecida. Sequeira explica que estes têm uma câmara de água que aquece com o fogo, circulando pelos radiadores de aquecimento central da casa. "Neste caso, a instalação será mais complicada do que as anteriores, porque há que interligar o equipamento com os radiadores de aquecimento central. Um equipamento destes poderá custar cerca de mil euros e uma instalação nova poderá rondar os 6 mil euros, se ainda não possuir pré-instalação em casa", explica.

Na opinião de Nuno Sequeira este tipo de solução também é ideal para uma moradia com 5 pessoas, sobretudo se for nova e tiver painéis solares que aquecem a água da casa. Assim, pode ter um recuperador de aquecimento central a água que apoie as águas sanitárias nos dias de Inverno. "Esta solução é perfeitamente complementar, uma vez que os painéis solares funcionam de dia e de Verão para o aquecimento das águas sanitárias e o recuperador de aquecimento central funciona bem de noite e de Inverno", explica Nuno Sequeira.




Saiba como poupar no aquecimento

Dez dicas para reduzir a factura energética do seu lar


1. Feche bem portas e janelas

Evite a abertura de portas ou janelas para o exterior ou para divisões não aquecidas. Não aqueça áreas que não estejam ocupadas permanentemente. Maximize a entrada de luz solar, levantando estores e abrindo cortinados.


2. Isole as paredes


Instale um bom isolamento nas paredes, através da utilização de placas de lã mineral ou poliestireno. Coloque vidros duplos e reduza em 10% as necessidades de climatização. Se não for possível, coloque portadas ou estores exteriores.


3. Adapte... a si e à sua casa

Se vestir roupa adequada à estação do ano, reduz a necessidade de aquecer a casa. Se tiver chão de madeira ou de mosaico, coloque carpetes para manter os seus pés quentes.


4. Escolha a potência certa

Antes de comprar um aparelho de climatização, isole a sua casa convenientemente e opte pelo equipamento que tenha a potência adequada.


5. Regule a temperatura

A temperatura deve estar situada em torno dos 20ºC. Baixe ou desligue o sistema de aquecimento no período nocturno. Por cada grau adicional, é consumida entre 7% a 10% da energia total necessária para aquecer toda a casa.


6. Programe quando quer ter a casa quente

Os termóstatos programáveis permitem o controlo do funcionamento do sistema, com base na temperatura da divisão onde estão instalados, e a programação dos períodos em que devem funcionar.


7. Instale válvulas termostáticas nos radiadores

A sua instalação permite ajustar com precisão a temperatura em cada divisão, regulando o caudal de água quente necessário, com base na temperatura seleccionada.


8. Ar condicionado que aquece e arrefece

Para o aquecimento central, as escolhas económicas da Deco Proteste, no artigo "Poupar energia em toda a casa" são as caldeiras a gás natural ou o ar condicionado central. Para a publicação, o ar condicionado é preferível aos radiadores eléctricos.


9. Preferência pela biomassa

A biomasssa pressupões o aproveitamento da matéria orgânica (resíduos provenientes da limpeza das florestas, da agricultura e outros). Quando este tipo de matéria é utilizada em sistemas de aquecimento, representa vantagens económicas e ambientais, segundo o Guia de Eficiência Energética da ECO EDP.


10. Afine o seu aquecimento

Inspeccione o seu sistema de aquecimento regularmente, sobretudo se for de gás natural. Se tiver sistemas de ar condicionado limpe ou substitua os filtros periodicamente. A sujidade acumulada dificulta a passagem do ar, forçando o sistema, o que desgasta o equipamento e provoca um aumento do consumo de energia.

Fonte: ADENE, ECO EDP, Deco Proteste e Portal de Energias Alternativas.


Soluções à medida da sua família

Ar condicionado é o mais barato e ecológico

O Negócios pediu à Home Energy que simulasse a facturação mensal de três famílias, consoante a opção de aquecimento central seleccionada.

A primeira é um casal que vive num apartamento T1 com cerca de 80 m2, inserido num piso intermédio de um edifício multifamiliar, com uma frente. A família B é composta por um casal e duas crianças, que habitam num apartamento T3, com cerca de 150 m2, também inserido num piso intermédio de um prédio, com duas frentes. A última é composta por 5 elementos, mora numa moradia T4, com 200 m2 e tem 3 frentes. Todas moram em Lisboa e as suas casas têm soluções construtivas correntes (paredes exteriores de alvenaria dupla, com isolamento térmico, vidros duplos e protecções solares móveis).

A solução mais económica é a instalação de sistema de ar condicionado multi-split (bomba de calor). Contudo, o seu custo de implementação é mais gravoso e o nível de conforto é inferior.

Aos custos mensais deve acrescer o valor que pode ter de pagar para contratar uma potência superior (entre 5 a 10 euros por mês). Os custos de implementação dos acumuladores de calor eléctricos são inferiores, mas a sua factura mensal deverá ser superior às restantes, pois funcionam, habitualmente, também em horas fora de vazio, e implicam potências contratadas superiores (acréscimos de custos até 15 euros por mês). É a pior solução do ponto de vista ambiental, mas é vantajosa no que toca a conforto e facilidade de instalação.

"A solução mais equilibrada é a do sistema centralizado com caldeira mural a gás natural e radiadores a água, por apresentar uma boa relação custo de utilização/custo de implementação, por proporcionar bons níveis de conforto térmico e bom desempenho ambiental", explica Selwin Wever, director de certificação do Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios da Home Energy.




Notas: O custo do kWh utilizado foi de 0,07 euros para o gás natural; 0,1211 euros para a electricidade em horas fora de vazio e de 0,063 euros para electricidade em horas de vazio ou preço fixo. Foi considerada uma climatização 100% activa e os preços utilizados para equipamentos e instalações são de tabela (campanhas específicas podem proporcionar preços inferiores aos apresentados). Já existe pré-instalação dos sistemas de aquecimento e a zona onde se localiza o edifício é abastecida por gás natural canalizado.

No sistema centralizado com caldeira, admite-se que esta é mural estanque, com 23,3 kW de potência térmica, a funcionar a gás natural e radiadores a água instalados em todas as principais divisões da habitação. No aquecimento por acumuladores térmicos de energia, considera-se que estes são estáticos (não ventilados mecanicamente), instalados nas divisões principais da casa, que consomem 75% da energia em horas de vazio.

Para o sistema de ar condicionado, foi considerada uma solução de Multi-split reversível tipo inverter com classe energética A e unidades interiores tipo murais instaladas nas principais divisões da casa.

Glossário
(1) kW - Quilowatt corresponde a mil watts e é uma unidade de potência.
(2) Eficiência (ç) - Relação entre a energia térmica produzida pelo equipamento e a energia consumida. Uma resistência eléctrica consome sensivelmente a mesma energia que produz termicamente. Um sistema de ar condicionado inverter, como o proposto, consome apenas sensivelmente 25% da energia térmica produzida.
(3) kWh - Quilowatt-hora equivale a mil Wh (watt-hora). Wh é a quantidade de energia utilizada para alimentar uma carga com potência de 1 watt pelo período de uma hora.
(4) Nível de conforto térmico - ***** (cinco estrelas) = Muito Bom, * ( uma estrela) = Mau
Fonte: Vera P. Coutinho, Selwin Wever - Home Energy

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