Matérias-Primas Apetite por risco retirou brilho ao ouro em 2015

Apetite por risco retirou brilho ao ouro em 2015

A preferência dos investidores por activos de maior risco e o recuo no consumo privado de ouro travaram a procura de ouro em 2015, revela o relatório do World Gold Council. Uma tendência que está a mudar este ano.
Apetite por risco retirou brilho ao ouro em 2015
Vera Ramalhete 11 de fevereiro de 2016 às 12:17

A procura por ouro manteve-se estável em 2015, com o consumo no segundo semestre a compensar a queda no início do ano, revela o relatório do World Gold Council, publicado esta quinta-feira. O apetite por activos que oferecessem maiores retornos continuou a ditar a saída dos investidores dos fundos que replicam o desempenho do ouro. Mas, este contexto parece estar a mudar no início de 2016, diz a instituição.

A procura de ouro cresceu no último trimestre de 2015. Subiu 4% para 1.117,7 toneladas, impulsionado principalmente pelo reforço das reservas dos bancos centrais, revela o relatório. Com estes últimos dados, a procura ficou inalterada em 2015 face ao ano anterior.

Depois de um primeiro semestre marcado pela menor procura da China e da Índia e pela preferência dos investidores por outros activos com maiores retornos, na segunda metade do ano o apetite pelo ouro cresceu. "A queda dos preços, em Julho, ainda que tenha motivado a saída dos investidores dos exchange-traded funds (ETF), estimulou a procura dos consumidores por ouro", no quarto trimestre, nota o World Gold Council.

"Os investidores mostraram um apetite pelo risco ao longo do ano", o que prejudicou o investimento em ouro, através de ETF ou barras do metal precioso. Apesar de ter avançado 8%, "a comparação resulta principalmente dos fluxos nos ETF serem ‘menos negativos’ do que anteriormente", nota o relatório. Isto porque, os investidores continuaram a retirar dinheiro destes fundos, mas de forma menos acentuada que no ano anterior.

Ouro supera 1.200 dólares

Em 2016, contudo, está a suceder o inverso. "Este sentimento parece estar a arrefecer em 2016, com o foco na preservação da riqueza no ouro e a diversificação do risco", diz o relatório. Esta quinta-feira, o metal precioso está a registar a maior subida num ano, para um máximo de oito meses. Sobe 3,40% para 1237,79 dólares, acima da fasquia dos 1200 dólares, motivado pelos receios dos investidores em torno da economia global e da solidez da banca que estão a afundar as bolsas.

A compensar o recuo noutros sectores, em 2015, estiveram as reservas dos bancos centrais. Entre os bancos com maiores reservas, encontra-se Portugal, que surge na 13ª posição do "ranking" global, com 382,5 toneladas do metal precioso, mostra o relatório do World Gold Council.

A estimular os preços, este ano, está também a queda da oferta do metal, que recuou 4% em 2015. A extracção do metal precioso nas minas caiu no quarto trimestre, reduzindo o crescimento da produção mineira em 2015 para o nível mais baixo desde 2008. "O foco recente das mineiras em reduzir custos mostra a origem desta oferta mais baixa", justifica a instituição. 




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