Matérias-Primas O azeite está caro. Mas os "chefs" portugueses não o trocam

O azeite está caro. Mas os "chefs" portugueses não o trocam

A alta do “ouro líquido” não passou despercebida nas cozinhas dos restaurantes nacionais. Mas quem as lidera, nem sequer pensa em deixar de comprar o produto português, que é cada vez mais cobiçado lá fora.
O azeite está caro. Mas os "chefs" portugueses não o trocam
Miguel Baltazar
Alexandra Noronha 05 de março de 2016 às 15:15

Portugal está a caminho de ter a maior produção de azeite de sempre este ano. Mas isso não está a baixar os preços do "ouro líquido" nacional, pelo menos na opinião dos "chefs" portugueses. A exportação do produto nacional também subiu, a procura nunca foi tão grande e os preços acompanham esta tendência. Isto apesar de o INE ter previsto, para 2015, a maior produção de azeite dos últimos 50 anos, num total de 765 mil toneladas de azeitonas produzidas com a finalidade de serem transformadas em azeite. 

Pelo contrário, a produção europeia, sobretudo em Espanha e Itália, foi das piores dos últimos tempos. A colheita de 2014/2015, fechada em Setembro, teve uma queda de quase 30% na produção de azeite em relação à anterior, ficando em 2,38 milhões de toneladas, segundo um relatório do International Olive Council. E nos mercados internacionais, um barril de azeite já compra 16 de petróleo. O cabaz de referência do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o azeite extra virgem subiu 5% em Janeiro deste ano para 4.395,280 toneladas métricas. 


"Temos vindo a sofrer há muito com o aumento dos preços. O preço do azeite tem vindo a crescer", admitiu ao Negócios Hélio Loureiro, "chef" com peso nos restaurantes do Norte. "Só uso azeite nacional", garante, deixando uma explicação para a escalada dos preços. "É um produto saudável e as pessoas estão preocupadas com a saúde. Cada vez se usa mais azeite", garante Loureiro. 

Nuno Queiroz Ribeiro, que tem experiência não só em restaurantes, mas também no ensino da actividade, tem preocupações semelhantes. "Isto pode ser mesmo algo com consequências prejudiciais para a saúde, porque o azeite é uma gordura saudável", referiu, temendo que os portugueses recorram a outro tipo de gorduras, mais baratas e piores para a saúde, para cozinhar. O "chef" não tem dúvidas de que "se o azeite estiver em alta isso vai ter impacto na nossa actividade". Nuno Queiroz Ribeiro garante que usa apenas "azeite português, nem penso em outro. É um produto de excelência". Mas não deixa de estar "apreensivo" com os preços que estão a ser praticados.

cotacao Isto pode mesmo ser algo com consequências para a saúde pública. nuno queiroz ribeiro Chef
Nuno Queiroz Ribeiro
Nuno Queiroz Ribeiro
Liliana Pereira


Já Rui Silvestre, do restaurante Bon Bon, no Algarve, que recebeu uma estrela Michelin, não achou que a subida dos preços fosse muito "significativa, ao ponto de ter impacto no restaurante".


Os problemas a nível internacional levam a que o azeite nacional seja cada vez mais procurado lá fora. Em Espanha e Itália, em 2014, uma bactéria afectou as oliveiras e reduziu a produção, tendo ainda diminuído na qualidade. Mas a exportação nem sempre é positiva para quem trabalha no mercado português. 

Nuno Bergonse, "chef" e co-fundador da Marisqueira Azul, em Lisboa, explica que "o azeite português é cada vez mais exportado e isso aumenta os preços". Não é isso que faz com que o profissional deixe de comprar o produto em Portugal, até porque é ainda mais caro lá fora. "Eu compro em grandes quantidades e, por isso, vem por atacado. É mais vantajoso de negociar assim", salienta Nuno Bergonse. "O azeite é 100% produto. Não tem mais nada lá dentro", garante o "chef". "Os custos nas minhas cozinhas são muito controlados, cabe-me a mim tratar disso", salienta Nuno Bergonse.

cotacao Compro em grandes quantidades. É mais vantajoso.  Nuno Bergonse Chef e co-fundador da Marisqueira Azul
Nuno Bergonse
Nuno Bergonse
Filipa Couto


Hélio Loureiro também salienta o papel das vendas para fora na evolução dos preços. "As exportações têm vindo a aumentar e a qualidade também. Isso encarece o azeite", refere o "chef" e empresário. Loureiro recorda ainda que "muitas vezes a garrafa e o rótulo também pesam" nos custos que acabam por chegar à factura dos restaurantes. E que o azeite é como o vinho: "depende das colheitas".

cotacao As exportações têm vindo a aumentar e a qualidade também. Isso encarece o azeite.Hélio Loureiro Chef, restaurante Terrella
Hélio Loureiro
Hélio Loureiro
Filipa Couto


 O "chef" Rui Silvestre tenta "privilegiar os produtos portugueses, principalmente os que são oriundos de pequenos produtores". E admite que "tendo pequenas produções é normal que os preços sejam um pouco mais elevados, mas cabe-nos suportar esses pequenos negócios".

cotacao Tendo pequenas produção é normal que os preços sejam mais elevados.  RUI SILVESTRE Chef, restaurante Bon Bon

Rui Silvestre acredita que "as pessoas que consomem azeite com regularidade não deixarão de o consumir, a não ser que os aumentos sejam insuportáveis. É um dos principais alicerces da nossa dieta", garante o "chef". 

Rui Silvestre
Rui Silvestre
Pedro Noel da Luz/Correio da Manhã



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comentários mais recentes
JÁ OS MENÚS DO McDonald SÃO DOENÇA E MORTE A PRAZO 06.03.2016

Caro comentarista do "HAJA TEMPERO".
Tb há outros menus culturais gastronómicos saudáveis, de q dou como exemplo, sem receio de falhar, o dos povos da Polinésia, à base de peixe e óleo de palma.
Porém, a DIETA MEDITERRÂNICA (azeite, peixe e legumes)é tida como das melhores do mundo, senão a melhor

Anónimo 06.03.2016

Nos sabemos que os paises produtores da azeitona nao conseguem producao para toda a gente.Os paises onde este fruto nao existe por mortivos de clima tambem vivem saudaveis com alternativas.Em minha casa nao e 1 produto diario.HAJA TEMPERO.

. 06.03.2016

.

PORTUGAL, EM MATÉRIA DE AZEITES, PEDE MEÇAS 06.03.2016

O azeite é a mais nobre gordura culinária, com evidentes benefícios para a saúde.
Tudo o q sejam manteigas, margarinas e óleos comuns são verdadeiras bombas-relógio para o n/ bem-estar.
Portugal tem, genericamente, excelentes azeites, mas o de MOURA é o rei incontestável, devido ao seu “terroir”.

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