Petróleo EUA esperam cortar compras de petróleo iraniano para metade, falhando o objectivo

EUA esperam cortar compras de petróleo iraniano para metade, falhando o objectivo

OS EUA continuam os esforços para sancionar a economia iraniana, depois de rasgarem o acordo nuclear com este país. As estimativas apontam para que consiga afectar metade das exportações, ficando também pela metade do objectivo inicial.
EUA esperam cortar compras de petróleo iraniano para metade, falhando o objectivo
EPA
Ana Batalha Oliveira 10 de agosto de 2018 às 09:59
A administração Trump estima que, ao persuadir vários países, consiga reduzir as exportações de petróleo iranianas em um milhão de barris, cerca de metade do total. Washington fica, desta forma, aquém do objectivo inicialmente traçado: queria reduzir as exportações a zero.

A estimativa, não oficialmente anunciada, foi avançada pela Bloomberg, citando fontes próximas do processo. As fontes dão uma margem de oscilação entre os 700.000 e o um milhão de barris, que se aproximam de metade dos 2,1 milhões de barris exportados actualmente pelo Irão. 

Os Estados Unidos pretendem afectar a circulação de petróleo oriundo do Irão como forma de sancionar esta nação, depois de terem rasgado o acordo nuclear com Teerão alegando que "só um lado saiu a ganhar". De modo a "equilibrar o jogo" e afectar a economia iraniana, a Casa Branca tem vindo a ameaçar penalizar os parceiros comerciais do Irão se, até Novembro, não eliminarem as importações de petróleo deste país. No passado dia 7 de Agosto, o presidente Trump voltou a reiterar, através da conta do Twitter: "Quem fizer negócios com o Irão NÃO fará negócios com os EUA". 

Este número parece realista aos analistas tendo em conta que se assemelha àquele conseguido por Barack Obama enquanto presidente dos EUA. Contudo, há uma diferença crucial: o antigo presidente tinha o apoio dos países europeus que, actualmente, se opõem a Trump na decisão de desistir do acordo nuclear com o Irão, que permitia o controlo destas armas no país do Médio Oriente. A Europa recebe 20% do "ouro negro" iraniano.

A administração Trump pode encontrar um forte apoio em aliados históricos como o Japão ou a Coreia do Sul. Contudo, China e Índia, que são responsáveis por metade das exportações do Irão, serão nações mais difíceis de convencer. 

Embora o corte nas exportações da matéria-prima seja um dos golpes mais duros para a economia iraniana, outras sanções chegarão a Teerão antes de Novembro. 

Trump assinou esta segunda-feira uma ordem executiva que restringe a compra de dólares por parte do Irão, impossibilitando assim que aquele país transaccione ouro e outros metais preciosos e impedindo também que compre ou venda vários outros metais industriais que são denominados naquela moeda. As medidas, que entraram em vigor esta terça-feira, 7 de Agosto, visam também a indústria automóvel e boicotam a importação pelos EUA de tapetes persas e pistachios.



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