Petróleo Países dependentes de petróleo devem diversificar economias, diz presidente da Partex

Países dependentes de petróleo devem diversificar economias, diz presidente da Partex

O presidente executivo da petrolífera Partex e professor catedrático, António Costa e Silva, disse esta terça-feira à Lusa que é "fundamental" os países produtores de petróleo diversificarem as suas economias para enfrentar as crises causadas pela queda dos preços.
Países dependentes de petróleo devem diversificar economias, diz presidente da Partex
Miguel Baltazar
Lusa 31 de maio de 2016 às 20:53

Segundo António Costa e Silva (na foto), os países produtores de petróleo, tal como Angola, estão ainda "muito dependentes" desta economia, por isso, o aumento do seu preço ajudará "imenso" à recuperação e combate da crise económica, fruto da queda do preço. 

 

"Em Angola, o petróleo representa 42% do PIB, 75% das receitas do Governo e 95% das exportações e, apesar dos esforços das autoridades para diversificar a economia, ela é ainda muito dependente do petróleo", frisou à margem do encontro "Perspetivas Económicas dos Países da CPLP" (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), no Porto.

 

Na sua opinião, Angola deve fazer uma "reflexão estratégica" para no futuro evitar crises similares, nomeadamente através da diversificação da economia e o desenvolvimento de reservas financeiras que devem ser acumuladas nos períodos de subida dos preços do petróleo para que as políticas orçamentais, monetárias e financeiras sejam "mais suaves" nos ciclos depressivos.

 

E realçou: "o petróleo também deve servir de motor económico da diversificação das economias destes países, é absolutamente fundamental".

 

António Costa e Silva salientou que o preço do petróleo tem vindo a recuperar "ligeiramente", depois de bater no fundo, facto relacionado com alguns elementos estruturais fundamentais como o declínio da produção dos EUA, a diminuição da produção no Canadá devido aos fogos, dificuldades no Koweit na sequência de uma greve e colapsos de produção na Nigéria, Venezuela e Líbia.

 

"A combinação destes factores estruturais está a provocar esta recuperação, embora lenta, porque ainda temos excesso de produção no mercado, existindo cerca de dois milhões de barris a mais por dia", vincou.

 

Quando o mercado absorver os excedentes, o professor catedrático acredita que "possivelmente" em 2017 o preço do petróleo vai recuperar "ainda mais".

 

Além disso, questionado sobre o facto de Portugal poder ser a plataforma europeia de recepção de gás de xisto dos EUA, António Costa e Silva sustentou que Sines recebeu, em Abril, uma carga de um navio que veio deste país.

 

"Os EUA descobriram reservas imensas e vão ter de comercializar essas reservas e a bacia atlântica vai ser fulcral. Portugal tem um posicionamento fundamental no centro da bacia podendo ser uma plataforma giratória não só do gás que depois chega aos diferentes países europeus, mas para abastecer navios porque no futuro vão ser movidos a gás natural", ressalvou. 




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