Petróleo Petróleo afunda mais de 4% e já está em mínimo de três meses

Petróleo afunda mais de 4% e já está em mínimo de três meses

O "ouro negro" segue a perder mais de 4% nos principais mercados internacionais, com o crude de referência para a Europa em mínimos de Abril. A pressionar está a maior oferta da Arábia Saudita, a reabertura de portos de exportação na Líbia e a menor pressão dos EUA sobre as exportações de petróleo iraniano, bem como a possibilidade de os norte-americanos acederem às reservas estratégicas.
Petróleo afunda mais de 4% e já está em mínimo de três meses
Carla Pedro 16 de julho de 2018 às 20:21

Os preços do petróleo inverteram dos ganhos da passada sexta-feira e neste arranque de semana têm estado a cair fortemente nos principais mercados internacionais.

 

As cotações do contrato de futuros do Brent do Mar do Norte – que é negociado em Londres e serve de referência às importações portuguesas – para entrega em Setembro seguem a ceder 4,51% para 71,93 dólares por barril, a negociarem em mínimos de Abril.

 

Também o contrato de Agosto do West Texas Intermediate (WTI), transaccionado no mercado nova-iorquino, segue em baixa, com os preços a descerem 4,10% para 68,10 dólares – recuando assim para valores de 22 de Junho.

 

A contribuir para esta desvalorização da matéria-prima estão vários factores. Um deles prende-se com o facto de a Arábia Saudita ter disponibilizado crude adicional aos seus clientes asiáticos, indo assim ao encontro das pretensões dos EUA, que desejam ver mais petróleo no mercado para que os preços desçam.

 

Com efeito, o presidente norte-americano, Donald Trump, tem instado a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a colocar mais crude no mercado e, no final de Junho, o cartel decidiu pôr fim ao corte de produção que vigorou durante um ano e meio e aumentar a oferta em um milhão de barris por dia. Mas esse volume pode não ser suficiente – até pelas perturbações na produção de alguns países – e na passada sexta-feira o The Wall Street Journal avançou que os EUA e aliados já estavam a ponderar recorrer às suas reservas estratégicas.

 

Um terceiro elemento veio hoje arrefecer os ânimos no sector petrolífero: o secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin, declarou esta segunda-feira que apesar de o objectivo da Casa Branca ser "reduzir a zero" as exportações do Irão, poderá considerar algumas excepções de modo a não provocar perturbações no mercado.

 

Recorde-se que os EUA impuseram um boicote ao petróleo iraniano depois de Trump ter decidido rasgar o acordo nuclear com o Irão – que é um dos maiores produtores da OPEP. Entretanto, o presidente norte-americano ameaçou com sanções os países que não tivessem deixado de comprar petróleo ao Irão até 4 de Novembro próximo, se bem que na semana passada tenha dado mostras de que poderia recuar nesta pretensão – o que veio a confirmar-se hoje com as declarações de Mnuchin.

 

Recentes problemas de ordem técnica e política levaram a perturbações na produção de países como a Líbia, Canadá, Venezuela e Noruega, o que faz com que muitos observadores não vejam no previsto aumento da produção da OPEP a solução para o cartel recuperar os cortes que vigoraram durante um ano e meio e ainda compensar as reduções de oferta de outros países.

 

Todos estes factores estão a ofuscar elementos que poderiam beneficar os preços do petróleo, como uma greve no sector petrolífero na Noruega e o encerramento de um importante porto de exportação de matérias-primas no Iraque.




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