Petróleo Petróleo de xisto betuminoso nos EUA abrandou mas não parou

Petróleo de xisto betuminoso nos EUA abrandou mas não parou

O "shale oil", o petróleo obtido a partir do xisto betuminoso, é caro de produzir. E com a queda dos preços tem vindo a observar-se uma redução na produção, mas mantém-se resiliente ao contrário do que antecipavam os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
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Carla Pedro 03 de dezembro de 2015 às 21:31

A estratégia da OPEP era a de deixar cair os preços sem cortar a produção do cartel para que os EUA não conseguissem suportar os custos da produção a partir do xisto betuminoso - que são mais elevados. E a Administração norte-americana de Informação em Energia (EIA) estima que a produção de crude nas sete principais formações de rocha betuminosa nos Estados Unidos – Bakken, Eagle Ford, Haynesville, Marcellus, Niobrara, Permian e Utica – deverá diminuir para 4,95 milhões de barris em Dezembro. Mas em algumas regiões está a aumentar. 

Assim, o facto de haver locais onde a produção diminuiu não significa que se esteja a começar a ver um fim à expansão do "shale oil", conforme salientava recentemente a CNN Money. É que a produção total de petróleo nos EUA ronda actualmente os nove milhões de barris por dia, que é praticamente o dobro do crude produzido em finais de 2008. Mas como conseguem os produtores norte-americanos aguentar a forte queda dos preços do crude nos mercados internacionais?

Uma das razões prende-se com a melhoria das técnicas de prospecção para extrair petróleo dessas rochas, o que fez com que as empresas conseguissem negociar melhores condições com os empreiteiros desejosos de manterem os seus equipamentos em funcionamento, levando a que os custos de produção diminuíssem entre 20% e 30%, diz o Financial Times. 


Isso evitou que, ao contrário do que era expectável, os operadores de xisto betuminoso nos EUA capitulassem imediatamente, através da redução da produção. Mas esta continuou a aumentar, atingindo um pico em Abril, segundo a Baker Hughes.

"Depois da rápida queda dos preços do crude a partir de meados de 2014, os analistas ficaram surpreendidos por os operadores de xisto betuminoso nos EUA não terem capitulado imediatamente, através da redução da produção. Esta continuou a aumentar, atingindo um pico em Abril deste ano, apesar de algumas prospecções terem começado a ser suspensas, segundo os dados da empresa de serviços petrolíferos Baker Hughes, destaca o FT.

Além do corte nos custos de extracção, outros motivos explicam a resiliência dos produtores norte-americanos que apostam no "shale oil": alguns investidores que apostaram numa subida dos preços do petróleo ofereceram condições mais vantajosas para emprestarem dinheiro às empresas de prospecção mais aflitas; e alguns produtores conseguiram cobrir o risco sobre as suas receitas ao protegerem-se contra uma queda na facturação provocada pela descida das cotações do crude, acrescenta o jornal britânico.

 

Por último, os "frackers" – que operam por fracturamento hidráulico (o chamado "fracking"), que consiste na injecção de um fluido a alta pressão, no subsolo, para facilitar a extracção de crude – também começaram a conseguir extrair mais petróleo de cada poço perfurado, à conta de inovações que permitiram criar túneis afunilados que projectam mais areia para os poços em operação para suster as rochas já abertas.

A título de exemplo, nas rochas betuminosas de Bakken, no Dakota do Norte, a produção de petróleo por cada poço aumentou 43% ao longo do último ano, segundo os dados da EIA citados pelo FT.




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