Petróleo Rússia e Arábia Saudita saem vitoriosas da reunião da OPEP

Rússia e Arábia Saudita saem vitoriosas da reunião da OPEP

O cartel e os aliados chegaram este sábado a acordo para aumentar a produção.
Rússia e Arábia Saudita saem vitoriosas da reunião da OPEP
Khalid Al-Falih é o ministro da Energia da Arábia Saudita
Reuters
Nuno Carregueiro 23 de junho de 2018 às 15:04

No arranque do Campeonato do Mundo de Futebol a Rússia obteve uma clara vitória frente à Arábia Saudita (5-0). Mas na reunião da OPEP e aliados a vitória foi dos dois países, que conseguiram levar por diante o objectivo de aumentar a produção da matéria-prima e ao mesmo tempo manter margem para responder a oscilações nas cotações e da oferta.

 

Reunidos este sábado em Viena, capital da Áustria, os membros da OPEP e os aliados aprovaram o que já tinha sido deliberado na véspera apenas por quem integra o cartel. Foi ratificada a decisão de aumentar a produção em milhão de barris por dia a partir do início de Julho.

 

Mas na prática não será bem assim, pois há países que não têm capacidade para aumentar os actuais níveis de produção. Então quanto vai aumentar a produção? Há respostas para todos os gostos: o Irão diz que não serão mais de 500 mil barris, a Nigéria fala de 700 mil e o Iraque adianta que pode chegar aos 800 mil. O ministro de Omã disse este sábado que o impacto real será entre 600 e 700 mil barris.

 

Certo é que da reunião deste grupo (também conhecido por OPEP+) sai a decisão que foi defendida desde o início pela Arábia Saudita e pela Rússia, que são os dois maiores produtores deste bloco que também inclui países como o México e o Casaquistão. O Irão chegou a ameaçar vetar um acordo, até abandonou as reuniões preparatórias na quinta-feira, mas cedeu à última da hora pelo que a decisão foi unânime.

 

O ministro de Angola, Diamantino Azevedo, diz que foram decididas quotas de produção por país, mas estas não foram publicadas, o que dá maior margem à Rússia e Arábia Saudita para nos próximos meses controlarem de forma mas fácil a sua produção, em função das cotações do petróleo e das disrupções na oferta em resultado das sanções dos EUA ao Irão e Venezuela.

 

"Estamos de acordo com o princípio", declarou Diamantino Azevedo no final de uma reunião em Viena, que juntou os 14 países da OPEP e os seus 10 parceiros, que asseguram mais de 50% das exportações mundiais.

Chegou-se a falar-se na possibilidade de os países poderem anular o corte de produção em vigor desde Janeiro de 2017, de 1,8 milhões de barris diários. Até porque os inesperados cortes por parte da Venezuela, Líbia e Angola fizeram com que, efectivamente, a diminuição nos últimos meses ronde os 2,8 milhões de barris diários.

 

Daí que este aumento de produção agora deliberado possa nem ser suficiente para compensar a redução das exportações dos países alvo de sanções por parte dos Estados Unidos, com particular destaque para o Irão.

 

Esta expectativa e o facto de o acordo alcançado ter sido vago explica a forte subida das cotações do petróleo na sessão de sexta-feira. Os preços dispararam mais de 5%, na maior subida em seis meses, o que também acaba por ser uma vitória para a Arábia Saudita e Rússia, que apesar de aumentarem a produção vêem as cotações subir.

 

E já agora uma derrota para Donald Trump, que tem pressionado a OPEP a aumentar a produção para fazer descer os preços dos combustíveis, mas o efeito está a ser contrário.




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