Petróleo Trump ameaça países que não parem de comprar petróleo iraniano. Cotações disparam

Trump ameaça países que não parem de comprar petróleo iraniano. Cotações disparam

Os preços do crude seguem a negociar em máximos de um mês nos principais mercados internacionais, devido sobretudo a dois factores: a menor produção do Canadá e da Líbia e a ameaça dos EUA de imporem sanções aos países que não suspendam a importação de petróleo iraniano até 4 de Novembro.
Trump ameaça países que não parem de comprar petróleo iraniano. Cotações disparam
Reuters
Carla Pedro 26 de junho de 2018 às 18:46

O presidente dos Estados Unidos voltou a mexer com os mercados, desta vez com maior incidência no petróleo. Isto porque ameaçou com sanções os países que não tenham deixado de comprar petróleo ao Irão até 4 de Novembro próximo.

 

Esta ameaça surge na sequência da decisão de Donald Trump de rasgar o acordo nuclear com o Irão – que é um dos maiores produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

O "ouro negro" está a reagir em alta nos principais mercados internacionais. As cotações do contrato de futuros do Brent do Mar do Norte – que é negociado em Londres e serve de referência às importações portuguesas – para entrega em Agosto seguem a somar 2,07% para 76,28 dólares por barril. Já o contrato de Agosto do West Texas Intermediate (WTI), transaccionado no mercado nova-iorquino, segue a disparar 3,07% para 70,17 dólares.

Os Estados Unidos estão então a pressionar os seus aliados [recorde-se que a União Europeia, por exemplo, não saiu do acordo nuclear com Teerão] para reduzirem a zero as suas importações de petróleo iraniano, o que, aliado a outros factores, está a deixar o mercado petrolífero em ebulição.

 

Outro dos factores prende-se com a esperada redução da oferta de crude por parte do Canadá e da Líbia, por razões diferentes.

 

No caso do Canadá, existem problemas de produção numa das maiores instalações de tratamento do petróleo proveniente de areias betuminosas.

 

Já na Líbia, as forças da milícia do comandante líbio Khalifa Haftar tomaram o controlo de alguns dos maiores terminais de exportação de crude do país, impedindo que a petrolífera pública National Oil Corporation (NOC) possa gerir esse petróleo.

 

Estas questões vieram ofuscar os receios decorrentes do anúncio de que a Arábia Saudita está a planear produzir um volume recorde de crude em Julho.

 

A petrolífera estatal saudita Saudi Aramco pretende elevar a sua produção para cerca de 10,8 milhões de barris por dia no próximo mês, o que, a acontecer, irá superar o recorde de 10,72 milhões de barris por dia estabelecido em Novembro de 2016.

 

No passado sábado, a OPEP e aliados do cartel que reduziram a produção mundial no âmbito de um acordo em vigor desde Janeiro de 2017, decidiram que o objectivo de subida dos preços da matéria-prima estava atingido e que era altura de começar a entrar mais petróleo no mercado.

 

Foi assim definido um aumento da produção total na ordem de um milhão de barris por dia, mas o mercado duvida que haja capacidade para incrementar a oferta naquela proporção. Além disso, como se espera menos um milhão de barris por dia no mercado a partir do quarto trimestre, à conta das reduções de produção da Venezuela e do Irão, o aumento previsto não deverá compensar essa perda.


(notícia actualizada às 19:41)




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