Obrigações DBRS mantém rating de Portugal com perspectiva "estável"

DBRS mantém rating de Portugal com perspectiva "estável"

A agência de notação financeira canadiana DBRS manteve a classificação da dívida soberana de Portugal no último nível da categoria de investimento de qualidade.
DBRS mantém rating de Portugal com perspectiva "estável"
Carla Pedro 21 de abril de 2017 às 18:02

A Dominion Bond Rating Service (DBRS) reiterou a classificação da dívida soberana de longo prazo de Portugal em "BBB" (baixo) [qualidade de crédito adequada, que é o último nível da categoria de investimento], sendo que a perspectiva continua "estável".

A decisão da DBRS ficou assim em linha com o consenso dos analistas, que anteviam que o rating se mantivesse um nível acima de "lixo" e que também o "outlook" permanecesse estável.

No relatório divulgado esta sexta-feira, 21 de Abril, a DBRS justifica a manutenção do "rating" da dívida de longo prazo de Portugal com vários factores positivos: ser membro da Zona Euro e aderir à estrutura de governança económica da União Europeia; possuir uma estrutura favorável da maturidade da dívida pública, bem como um pequeno excedente das contas correntes.

 

No entanto, deixa um alerta: "Portugal também se depara com desafios substanciais, incluindo os elevados níveis de endividamento no sector público e privado, o baixo potencial de crescimento, as pressões orçamentais e o elevado endividamento do sector corporativo".

Sobre o facto de o "outlook" (perspectiva para a evolução da qualidade do crédito) permanecer estável, a DBRS sublinha que este reflecte a avaliação que a agência faz de que os riscos para os ratings estão razoavelmente equilibrados. "O défice orçamental de 2016 ficou bem abaixo da meta estabelecida pela Comissão Europeia, revelando o empenho do governo em cumprir as normas orçamentais da UE", destaca o documento.

Actualmente, a DBRS é a única agência de notação financeira que confere um grau de investimento de qualidade à dívida de Portugal. As três maiores agências do mundo atribuem à dívida de longo prazo de Portugal classificações que a colocam a apenas um nível de entrarem na categoria de investimento de qualidade.

 

Ao ser a única agência que mantém Portugal acima de "lixo", a DBRS tem o poder de ligar ou desligar Portugal da máquina do Banco Central Europeu, uma vez que é a única actualmente que garante a elegibilidade da dívida nacional para os programas de compra do BCE.


A agência canadiana utiliza os termos ‘alto’ (high) e ‘baixo’ (low) nas suas notações, associados a letras. Esses termos correspondem aos sinais de ‘+’ e ‘-’ atribuídos pelas três maiores agências de rating e pela grande maioria das restantes agências.

A Fitch tem uma classificação de ‘BB+’, que é o primeiro nível de "junk". Já a perspectiva é "estável". A S&P tem também o rating soberano a apenas um nível de sair de "lixo", em BB+, com "outlook" "estável". A Moody’s, por seu lado, atribui uma notação de ‘Ba1’ a Portugal (que é igualmente o primeiro nível de "lixo"), sendo que o ‘outlook’ é também "estável".


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mais votado Anónimo Há 2 dias

Imaginemos que o Reino Unido não tinha reduzido em 1 milhão o número de colaboradores excedentários, redundantes ou obsoletos identificados no seu sector público, numa tarefa tão decidida quanto decisiva que o governo britânico reeleito ainda não deu por concluída apesar desta redução significar que o país atingiu o menor número de funcionários públicos desde a 2ª Guerra Mundial, ou o Canadá e a Austrália no seu conjunto, mais de 50 mil funcionários federais de que não necessitavam, só entre 2011 e 2015. Imaginemos que nos EUA a proporção de empregados pelo sector público face ao emprego total da economia não era actualmente a segunda mais baixa desde 1960, nem que tinham em 2014 atingido o número mais reduzido de funcionários federais desde 1966. Seriam países muito pobres.

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As offshores se falassem as galinhas calavam-se. Há 12 horas

Não falam das offshores ai a que está o mal que tudo lavam.

Anónimo Há 2 dias

Claro que Portugal tem de estar estável. Quem consegue correr ou saltar com as toneladas de dívidas que uma elite desmiolada lhe pôs às costas?

Anónimo Há 2 dias

Onde não se pode despedir, onde não deixam desalocar e realocar convenientemente capital e factor trabalho de modo rápido e descomplicado, nunca é possível fundar e sediar grandes empresas como a Siemens, que diga-se, não faz só quadros em Portugal e cria muito mais valor em múltiplas outras áreas de negócio espalhadas pelo mundo. "Siemens AG plans to cut about 2,500 mostly German jobs in a bid to stay competitive amid falling demand in energy, mining and metals" (by Benedikt Kammel, 9 de março de 2016) "German industrial group Siemens will cut a further 4,500 jobs as it battles to cope with subdued economic growth and weak demand from energy customers. The cuts come on top of 7,400 job losses already announced" (by Georgina Prodhan, May 7, 2015) "The company witnessed a major overhaul in the past few years, including around 13,000 job cuts and rearrangement of organisational structure." (by Scott Tindle, 27 Jan 2016).

Anónimo Há 2 dias

Quer seja na banca ou no restante sector público oficial ou oficioso, a base do problema tem sido sempre a mesma: excedentarismo. O excedentarismo é a sobrealocação de factor produtivo trabalho sem procura real na economia, que, por vezes associado ao fenómeno do sobrepagamento (pagamento acima do preço de mercado), torna os Estados, as economias e as sociedades em Estados insustentáveis, economias pouco competitivas e sociedades iníquas. Chama-se por isso a isto uma crise de equidade e sustentabilidade. Assim ocorrem as chamadas "fuga de cérebros" e "fuga de capitais", claro. Os postos de trabalho ficam ocupados para a vida por quem não sabe produzir ou criar valor algum e ainda lhes dão progressões automáticas quando o que devia ser automático era a própria realização de tarefas que justificam a existência do posto de trabalho excedentário.

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