Obrigações Juros de Portugal foram dos mais beneficiados com as compras do BCE

Juros de Portugal foram dos mais beneficiados com as compras do BCE

O programa de aquisição de activos com quase três anos, que até ao final do ano terá gasto 2,3 biliões de euros com compras de dívida pública e privada, teve impactos no mercado secundário de dívida no euro, reduzindo as 'yields'. Portugal e Irlanda foram dos que mais beneficiaram.
Juros de Portugal foram dos mais beneficiados com as compras do BCE
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 07 de dezembro de 2017 às 12:20
O programa de compra de activos posto em prática pelo Banco Central Europeu (BCE) no início de 2015 como forma de reanimar a economia europeia durante os anos da crise teve, pelo menos no que diz respeito à dívida soberana, dois beneficiários principais: Irlanda e Portugal.

Segundo as contas da Moody's, num relatório dado a conhecer esta quinta-feira, 7 de Dezembro, o programa lançado por Mario Draghi levou em média as 'yields' da dívida na zona euro a descer entre 50 e 150 pontos base. No caso de Portugal, no prazo de dez anos a descida foi a segunda maior, de 140 pontos, enquanto os juros da Irlanda recuaram 150 pontos.

O relatório "Impacto das compras de activos do BCE fez-se sentir mais nas 'yields' das obrigações dos periféricos" refere ainda que os países da periferia (incluindo Portugal) foram em média beneficiados com uma queda média das 'yields' que foi favorecida em 50 pontos face às registadas nas principais economias do euro.

A seguir, na lista dos mais beneficiados, estiveram Itália, Espanha, Áustria e Bélgica. França e Alemanha, as duas maiores economias do euro, foram das que menos impacto positivo recolheram com o programa de compras.

O estudo conclui ainda que os juros da generalidade das obrigações da Zona Euro recuaram em média 70 pontos base nas duas sessões posteriores a serem conhecidas acções de política monetária, no período entre 22 de Agosto de 2014 e 10 de Março de 2016. Nestes casos, os maiores beneficiários foram a Grécia - uma redução de mais de 150 pontos base - e Portugal (onde as 'yields' caíram mais de 80 pontos). 

Em causa naquele período analisado estão as declarações de Mario Draghi antes do lançamento do programa de quantitative easing (QE) - em Jackson Hole deixou em aberto ajustes à política monetária e mais tarde referiu-se a medidas de estímulo não convencionais -, bem como os anúncios do programa de compras (Janeiro de 2015) e dos reforços dos montantes envolvidos.  

A Moody's é uma das duas principais agências de rating que continua a manter Portugal na categoria lixo (Ba1, com perspectiva positiva), tal como acontece com a Fitch - que na sexta-feira da próxima semana tem agendada uma revisão. Já a S&P melhorou para terreno de investimento o rating do país a 15 de Setembro.

(Notícia actualizada às 12:28 com mais informação)



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