Obrigações Portugal deverá pagar juros baixos em leilão a 27 anos

Portugal deverá pagar juros baixos em leilão a 27 anos

O instituto que gere a dívida pública portuguesa vai, esta quarta-feira, levantar até 1.250 milhões de euros em obrigações a dez e a 27 anos. O Tesouro português deverá beneficiar com a descida recente das taxas de juro no mercado secundário.
Portugal deverá pagar juros baixos em leilão a 27 anos
Patrícia Abreu 14 de março de 2018 às 07:15
Portugal regressa esta quarta-feira ao mercado com uma emissão de dívida de longo prazo. O Tesouro deverá conseguir emitir dívida com taxas mais baixas e deverá continuar a beneficiar com o apetite por dívida portuguesa.

O IGCP vai realizar um duplo leilão de dívida de longo prazo. O objectivo é que o país se financie entre 1.000 e 1.250 milhões de euros, numa maturidade a dez e a 27 anos. Tendo em conta o valor actual a que as taxas de juro transaccionam no mercado secundário, Portugal deverá pagar um juro ligeiramente superior a 1,8% para emitir dívida a dez anos. Na última operação com a mesma maturidade, em Fevereiro, o IGCP pagou 2,046%.

Já no prazo com maturidade em Fevereiro de 2045, a última vez que Portugal emitiu dívida a 28 anos, em Julho de 2017, o país pagou um juro inferior a 4%. Actualmente, a "yield" a 30 anos transacciona bem abaixo desses níveis: 2,8%. Ciaran O’Hagan, estratego do Société Générale, acredita que os títulos "vão ser vendidos a um preço extremamente próximo dos níveis de hoje [terça-feira]".

Os investidores europeus (do centro da Europa e Reino Unido) têm ganho relevância.Cristina Casalinho
Presidente do IGCP

A par dos custos de financiamento mais baixos, a emissão deverá beneficiar ainda com a elevada procura por obrigações portuguesas. "Um grande conjunto de grandes fundos e investidores estão a comprar obrigações portuguesas, especialmente agora que Portugal está num nível de investimento", explica o estratego. Segundo Ciaran O’Hagan, "a dificuldade é encontrar a quantidade e a ‘yield’ que querem. Por isso, sentem que estão a brincar ao gato e ao rato com o sentimento do mercado", esperando pela melhor oportunidade para investir.

Também Jens Peter Sørensen defende que ainda há muita procura e a dívida nacional "é muito atractiva". O analista-chefe do Danske Bank adianta que Portugal vai continuar a beneficiar com melhorias de "rating", o que vai permitir ampliar a base de investidores, algo que já está a acontecer.

"Os investidores europeus (do centro da Europa e Reino Unido) têm ganho relevância, com destaque para os gestores de fundos mobiliários, fundos de pensões e seguradoras", adiantou Cristina Casalinho ao Negócios, no último mês. De acordo com a presidente do IGCP, "as tesourarias de bancos das mesmas áreas geográficas também têm aumentado a sua exposição".

O instituto que gere a dívida portuguesa tem aproveitado o bom momento de mercado para aumentar a maturidade da sua dívida. De acordo com uma apresentação a investidores, o IGCP recomprou, em Janeiro, 150 milhões de euros da linha de obrigações que chega à maturidade em Junho de 2019, tendo em Fevereiro recomprado 100 milhões de euros em obrigações que vencem em Abril de 2021.

S&P deixa "rating" na mesma

A Standard & Poor’s tem agendada para o final desta semana uma possível acção de "rating" para a dívida portuguesa. A expectativa dos especialistas é de que a agência de notação financeira mantenha a avaliação da dívida de longo prazo portuguesa em "BBB-", com o outlook estável, depois de a S&P se ter tornado a primeira das três grandes a voltar a avaliar as obrigações nacionais com um nível de investimento, em meados de Setembro. O foco dos investidores continua na Moody’s, a única das três grandes que mantém a dívida portuguesa num grau especulativo.







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