Obrigações Portugal emite 1.300 milhões de euros em dívida com juros inferiores aos do mercado

Portugal emite 1.300 milhões de euros em dívida com juros inferiores aos do mercado

O instituto responsável pela dívida portuguesa colocou 950 milhões de euros em obrigações do Tesouro a 10 anos e 350 milhões em títulos a 22 anos. Uma dupla operação que ficou marcada pelos juros baixos.
Portugal emite 1.300 milhões de euros em dívida com juros inferiores aos do mercado
Miguel Baltazar/Negócios
André Tanque Jesus 14 de outubro de 2015 às 10:43
A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) emitiu esta quarta-feira, 14 de Outubro, um total de 1.300 milhões de euros em dívida de média e longo prazo. Uma operação na qual as obrigações do Tesouro (OT) com maturidade em 2025 foram colocados com uma taxa de juro de 2,3975%, ao passo que a dívida que vence em 2037 registou uma taxa de 3,2336%. Ambas as taxas são inferiores ao registado actualmente no mercado secundário.

Um mês depois, Portugal voltou ao mercado, desta feita para realizar um duplo leilão de OT a 10 e 22 anos. Na maturidade mais curta, o instituto liderado por Cristina Casalinho (na foto) colocou 950 milhões de euros, tendo alcançado uma taxa de juro de 2,3975%. Uma taxa que fica abaixo do registado actualmente no mercado secundário (2,422%).

Por outro lado, o prémio pedido pelos investidores contrasta com os 2,0411% alcançados na última operação equivalente, realizada no final de Fevereiro. Na altura, o Tesouro português vendeu 1.499 milhões de euros em OT, sendo que a procura pelos títulos superou a oferta em 1,82 vezes. Desta vez, os investidores apenas licitaram 1,62 vezes mais do que o montante oferecido, com a procura a ascender a 1.536 milhões.

Já a colocação de títulos com maturidade em 2037 foi de 350 milhões de euros. Um leilão que registou uma taxa de juro de 3,2336%, inferior aos 3,5341% alcançados na operação equivalente efectuada em Julho. Também neste caso, a taxa de juro é inferior à registada no mercado secundário, numa altura em que estas obrigações negociam nos 3,244%.

Uma evolução positiva, para a qual contribuiu a forte procura dos investidores, que ascendeu a 648 milhões de euros. Superou a oferta em 1,85 vezes, melhor que o rácio de 1,70 vezes alcançado na operação de Julho.

"Os leilões correram muito bem", atira João Queiroz. O director de negociação da GoBulling destaca que "a taxa a 22 anos desceu face à taxa conseguida há  três meses e a procura até aumentou". "Para um país que ainda não sabe quem e como vai formar governo, quase 2 semanas depois das eleições, diria que são dados muito positivos", defende.

 

Já Pedro Ricardo Santos nota que as taxas de juro obtidas no leilão "reflectem os receios dos investidores em deter um activo que é ainda considerado pelas principais agências de ‘rating’ como ‘lixo’". Com a linha de obrigações que vence na quinta-feira, considera o gestor da XTB, "a actual conjuntura de juros historicamente baixos, patrocinados pela intervenção do BCE, fundamentam um refinanciamento da dívida portuguesa, com o objectivo de reduzir os respectivos encargos financeiros". 

Com este duplo leilão, o IGCP aumenta para 18,1 mil milhões de euros o montante angariado por Portugal este ano, através da emissão de dívida de médio e longo prazo. Face à mais recente actualização do programa de financiamento, o instituto liderado por Cristina Casalinho apenas terá de emitir mais 1,2 mil milhões de euros em OT, de modo a alcançar o objectivo para 2015.

De destacar são os resultados alcançados, até porque as emissões de dívida realizadas por Estados, por norma, registam taxas de juro superiores às do mercado, algo que desta vez não aconteceu. Um factor positivo que ganha mais relevo, numa altura em que as negociações para a formação de um Governo ainda decorrem. Mas o Negócios avançava na edição desta quarta-feira que, para Ciaran O’Hagan, director de estratégia de dívida do Société Générale, "o IGCP faz bem em tirar partido destes baixos juros" baixos, numa altura em o BCE está activo no mercado a comprar dívida.

Já David Schnautz, por seu lado, destaca que a opção do IGCP era acertada. "Esperar poderia ser pior", atirou o estratego de dívida do Commerzbank, já que Portugal terá de fazer mais um leilão e "a janela de oportunidade deverá fechar em meados de Novembro". E acrescentou ainda que "o momento é bom, graças ao reembolso de OT e ao pagamento de cupões no dia seguinte [quinta-feira]", uma vez que "dá a oportunidade aos investidores de reciclar algum deste dinheiro no mercado primário de dívida".

Actualmente, as taxas de juro implícitas da dívida portuguesa estão a subir no mercado secundário. No prazo a 10 anos, a taxa sobe 1,7 pontos base para 2,427%, ao passo que na maturidade a 22 anos avança 3,7 pontos para 3,254%. Isto numa sessão em que os restantes países da periferia registam quedas dos juros em quase todos os prazos.

(Notícia actualizada às 12h58, com declarações dos analistas)




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mais votado Anónimo Há 1 semana

Portugal emite 1.300 milhões de euros em dívida com juros inferiores aos do mercado.

A COM SOCIAL ESTÁ PERANTE UM POVO IGNORANTE MAS ISTO É DEMAIS!
nA TSF, OS JUROS DESTAS OBRIGAÇÕES SÃO SUPERIORES!
VEJAM AO QUE ISTO CHEGOU.
JORNALISMO DA TRETA PARA NÃO DIZER OUTRA COISA MAIS GRAVE.
A CENSURA DE SALAZAR ERA UMA PERA DOCE COMPARANDO COM ISTO.

comentários mais recentes
mais uma pergunta Há 1 semana

Porque é que se continua a permitir que a banca condicione as nossas políticas ao decidir quando, como e a que governos emprestar dinheiro?

perguntador Há 1 semana

Alguém me explica que sentido é que faz um país ter de se endividar para ter dinheiro quando pode criar esse mesmo dinheiro sem ter de se endividar?
E porque é que se permite que seja a banca a criar do nada o dinheiro que a sociedade precisa em vez de ser a própria sociedade a criá-lo?





para pensar.... Há 1 semana

Porque é que se continua a permitir que a banca condicione as nossas políticas ao decidir quando, como e a que governos emprestar dinheiro?

Perguntinhas para pensarem... Há 1 semana

Porque é que se continua a permitir que a banca condicione as nossas políticas ao decidir quando, como e a que governos emprestar dinheiro

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