Obrigações Portugal emite 750 milhões em dívida de longo prazo com taxas mais elevadas

Portugal emite 750 milhões em dívida de longo prazo com taxas mais elevadas

O IGCP colocou 750 milhões de euros em duas linhas de financiamento. Ainda que a procura tenha sido elevada, o Tesouro colocou o montante mínimo previsto, tendo tido custos mais elevados do que nas operações anteriores.
Portugal emite 750 milhões em dívida de longo prazo com taxas mais elevadas
Pedro Elias

Portugal conseguiu colocar 500 milhões de euros em dívida a sete anos e 250 milhões em obrigações com maturidade a 21 anos. Em ambas as emissões os custos exigidos pelos investidores para comprar dívida portuguesa aumentaram, numa semana em que as taxas de juro de Portugal estiveram a agravar-se no mercado secundário.

O IGCP concluiu esta manhã a emissão de 750 milhões de euros em duas linhas de financiamento. Colocou 500 milhões de euros em dívida que vence em Outubro de 2023, com uma taxa de 2,817%, o que compara com os 2,355% pagos na última emissão comparável, no passado mês de Julho, segundo dados da Bloomberg.

Já na linha de mais longo prazo, com maturidade em Abril de 2037, Portugal colocou 250 milhões de euros, com uma taxa de juro 4,040%, face aos 3,2336% registados em Outubro de 2014.

Apesar dos custos de emissão mais elevados, a procura superou largamente a oferta. Na emissão de mais curto prazo superou a oferta em 1,68 vezes, o que compara com o rácio de 1,46 vezes na operação anterior. Já na colocação de dívida a 21 anos, a procura superou em 2,63 vezes a oferta, quando na emissão anterior o rácio tinha sido de 1,85 vezes.

O Tesouro previa emitir entre 750 e 1.000 milhões de euros nesta dupla operação, com o país a conseguir colocar apenas o montante mínimo pretendido, num período marcado pelo agravamento das taxas de juro no mercado nacional. A taxa de referência a dez anos disparou nos últimos dias, depois de o BCE ter decidido deixar inalterado o seu programa de estímulos.

"Nos últimos dias, toda a dívida europeia viu os prémios de risco aumentar. A dívida portuguesa seguiu essa tendência e, como a economia nacional se encontra numa posição mais frágil, o risco agrava-se mais", explicou de Filipe Silva, director da gestão de activos do Banco Carregosa.

Para o mesmo especialista, na emissão a sete anos, "a taxa saiu em linha com o que estava ser feito no mercado", enquanto "na dívida a 21 anos, a taxa subiu face aos 3,77% conseguidos em Junho, numa operação que envolveu dívida com o mesmo prazo".

Filipe Silva considera que "a procura foi boa e o facto de termos emitido um montante no limite mínimo desejado, quando costuma ser junto ao máximo pode dizer apenas que o IGCP não quis colocar mais dívida". Além disso, "apesar da subida da taxa, são níveis baixos", face ao histórico da dívida portuguesa."

Naquilo que considerou um teste à confiança dos investidores na economia portuguesa, Pedro Ricardo Santos destaca "o excelente rácio de 'bid/cover', evidenciando apetite pelas obrigações soberanas da República Portuguesa, ainda que seja evidente uma subida das 'yields' a 10 anos no mercado secundário de dívida, com alargamento do 'spread' face às obrigações alemãs". O gestor da XTB Portugal realça que "se é verdade que existe uma clara deterioração das condições de financiamento por comparação a 2015, as taxas verificadas são bastante inferiores àquelas que seriam observadas caso o programa do BCE já tivesse sido extinto".

"O mercado continua a considerar interessante este tipo de investimento, tendo em conta as reduzidas rentabilidades de investimentos com risco semelhante, evidenciando alguma convicção na alteração futura das características do programa de 'quantitive easing' por parte do BCE", remata o gestor da XTB. 




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mais votado Anónimo 14.09.2016

Carrega costa!!! Endividemo-nos ate rebentar!!! Com divida e mais divida é que somos verdadeiramente felizes!!! Avante camaradas!!!

comentários mais recentes
Jorge Tavares 14.09.2016

Oops!

Anónimo 14.09.2016

Que e que importa ao portugueses se eles sao todos formados a marcelo;contas zero,paleio nao deixam dormir ninguem,para alem dos muitos % analfabetos.

Legru 14.09.2016

"Quo Vadis" pobre Portugal?
Isto é como a pressão, sobe, sobe até estoirar...

Anónimo 14.09.2016


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