Obrigações Portugal emite mais dívida que o previsto com juros em mínimos históricos

Portugal emite mais dívida que o previsto com juros em mínimos históricos

Este é o segundo leilão de dívida a 10 anos que o IGCP realiza em Fevereiro. Portugal colocou 1.499 milhões de euros, ficando as duas operações marcadas por uma forte procura dos investidores.
Portugal emite mais dívida que o previsto com juros em mínimos históricos
André Tanque Jesus 25 de fevereiro de 2015 às 10:44

Portugal volta emitir dívida a 10 anos com juros em mínimos históricos. No leilão de obrigações do Tesouro (OT) realizado esta quarta-feira, 25 de Fevereiro, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou 1.499 milhões de euros, com uma taxa de juro de 2,0411%. Desta forma, o instituto liderado por Cristina Casalinho superou o montante máximo indicado no anúncio do leilão, que ascendia a 1.250 milhões de euros.

 

Ainda este mês, Portugal colocou também 1.250 milhões de euros num leilão de OT a 10 anos. Uma operação que, na altura, assegurou a taxa de juro mais baixa de sempre: 2,5062%. Tal como nesse leilão, o IGCP registou agora uma forte procura pela dívida portuguesa, tendo ascendido a 2.726 milhões de euros. Ou seja, superou a oferta em 1,82 vezes.

 

A taxa de juro assegurada por Portugal nesta emissão é também surpreendente, pelo facto de ficar abaixo do valor negociado no mercado secundário. A "yield" de Portugal a 10 anos renovou mínimos históricos esta quarta-feira, ao negociar nos 2,067%, o que acontece pela sexta sessão consecutiva.

 

Uma taxa de juro num leilão mais baixa que o valor do mercado secundário é pouco comum. Contudo, tal como o Negócios avança na edição de hoje, era admitido pelos analistas. Isto porque "Portugal será um dos países mais beneficiados com o programa de compra de dívida", acredita Richard McGuire. Além disso, disse o director de estratégia de dívida do Rabobank, "deixou de haver o factor negativo - a Grécia -, o que abre a possibilidade a que o programa do BCE seja agora descontado na dívida da periferia".

 

Com esta emissão, o Estado garante já 93% do programa de financiamento em menos de dois meses. Uma meta alcançada graças ao leilão de OT realizado no início deste mês e à emissão sindicada a 10 e 30 anos em Janeiro, na qual Portugal colocou 5.500 milhões. Além disso, em bilhetes do Tesouro, o IGCP soma 2.490 milhões nos dois meses.

 

Há ainda os 1.941 milhões obtidos com certificados em Janeiro e o uso previsto de 2.200 milhões da almofada financeira de 2014. Feitas as contas, estamos a falar de 15.180 milhões de euros angariados este ano, um montante que compara com os 18.300 milhões previstos.

 

Reembolso ao FMI

O montante a obter por Portugal deverá, contudo, aumentar, pois o Governo quer antecipar o reembolso ao FMI. Uma decisão anunciada por Maria Luís Albuquerque que, na altura, foi vista pelos mercados como um sinal de confiança. Desta forma, além dos 5.500 milhões de euros previstos até meados de 2017, a ministra das Finanças quer pagar mais 8.500 milhões ao FMI, restando saber como serão repartidos no tempo.

 

Para isto, falta ainda a autorização formal, após o pedido endereçado ao Eurogrupo e discutido na reunião de 16 de Fevereiro. Segundo a própria ministra das Finanças, em entrevista à TVI no passado sábado, 21 de Feveiro, deverá ocorrer em "duas semanas". Apesar de o IGCP ter de emitir mais para atingir este objectivo, Alexander Aldinger, estratego de dívida do Commerzbank, diz que "as compras do BCE serão suficientes para absorver estas emissões".

 

Operação de "êxito"

No leilão de OT a 10 anos, "Portugal levantou mais 20% do que o ponto máximo do intervalo indicativo, o que é notável", afirma Steven Santos. Uma operação que o gestor da XTB caracteriza como de "êxito", salientando que a "concorrência ao nível da oferta foi escassa, revelando o bom sentido de oportunidade do IGCP". A Alemanha emitiu obrigações a cinco anos com uma taxa de juro negativa pela primeira vez na história.

 

"Foi mais um mínimo histórico e a estes preços faz todo o sentido Portugal financiar-se no mercado e ganhar folga para amortizar antecipadamente o empréstimo da Troika, que foi feito a taxas mais altas", atira Filipe Silva. O director da gestão de activos do Banco Carregosa destaca ainda que, "há um ano, a taxa de emissão a 10 anos rondava os 6%. A descida nos custos de financiamento é notória".

 

(Notícia em actualizada às 12h31, corringindo a taxa de juro do último leilão comparado de "2,4914%" para "2,5062%")


A sua opinião60
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado abelavida 25.02.2015

Excelente.
É pena Portugal continuar estrangulado por uma carga fiscal excessiva que muito dificulta o crescimento.
Sem cortar forte e feio na despesa o nosso arranca será lento. Mas enfim, mais vale isso que as bancarrotas dos partidos irresponsáveis.

comentários mais recentes
josue_vitoriano 22.02.2016

e mentira ouvirao as noticias os cumunistas ja tao a encher nos os olhos de areia otra ves

LiberdadeDescolha 25.02.2015

http://liberdadedescolha.blogspot.pt/2015/02/resolver-divida-com-mais-divida-not.html

Anónimo 25.02.2015

Os mercados fazem o que quiserem
Eles viram que não se pode matar o doente.Tiveram a época de juros altos e agora baixaram para preservar o doente
Não é passos nem a merka nem o carrralho é o poder do dinheiro

Horácio Fernandes 25.02.2015

Bruxelas coloca Portugal sob vigilância apertada por «desequilíbrios excessivos»

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub