Obrigações Portugal financia-se a taxas negativas mas mais altas

Portugal financia-se a taxas negativas mas mais altas

O IGCP financiou 1.750 milhões de euros a curto prazo. Voltou a emitir dívida com taxas negativas mas mais elevadas do que no último leilão.
Portugal financia-se a taxas negativas mas mais altas
Pedro Elias
Sara Antunes 16 de maio de 2018 às 10:41

A agência que gere a dívida pública nacional emitiu 1.750 milhões de euros, através de um duplo leilão de curto prazo. As taxas conseguidas foram negativas, como tem ocorrido nas últimas emissões de curto prazo, mas afastaram-se dos mínimos.

O IGCP emitiu 1.250 milhões de euros com uma maturidade a 12 meses, tendo conseguido uma taxa de juro de -0,272%. Esta taxa foi mais elevada do que a conseguida em Março, no último leilão comparável, quando Portugal se financiou com uma taxa -0,394%. A taxa de juro mínima para emissões a 12 meses foi conseguida em Janeiro, quando a "yield" foi fixada em -0,398%.

 

Na emissão a seis meses, o IGCP colocou 500 milhões de euros, tendo conseguido uma taxa de -0,351%, o que representa uma subida da "yield", já que, em Março, a agência tinha conseguido uma taxa de -0,424%.

Além da subida dos juros, Portugal observou uma procura inferior ao registado em Março, num leilão em que em ambos os casos a procura superou em duas vezes a oferta. Na emissão a 12 meses a procura foi de 1,65 vezes a oferta. Já na operação a seis meses foi de 1,73 vezes. 

"Conseguimos colocar o montante que pretendíamos, embora a taxas ligeiramente menos negativas do que nas emissões anteriores. Mas esta ligeira subida de taxas (e do custo do endividamento) está em linha com a subida na curva da dívida soberana europeia, tanto na dívida curta como na dívida longa. Mesmo assim as taxas das emissões portuguesas não são tão negativas  quanto as dos nossos pares europeus, pelo que os investidores mantêm o interesse", realça Filipe Silva, director da gestão de activos do Banco Carregosa, numa nota enviada às redacções. 

Na semana passada, o Tesouro financiou-se em 1.207 milhões de euros, através de um duplo leilão de longo prazo - a cinco e a 10 anos. Nestas operações o Estado português conseguiu reduzir a taxa de juro associada, tendo registado mesmo o custo de financiamento mais baixo de sempre em operações comparáveis. 


(Notícia actualizada às 10:52 com mais informação)




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