Obrigações S&P sobe rating e Portugal está a apenas um nível de sair do "lixo"

S&P sobe rating e Portugal está a apenas um nível de sair do "lixo"

A agência de notação financeira subiu em um nível a classificação da dívida soberana de longo prazo de Portugal, de BB para BB+. Já o "outlook" desceu de "positivo" para "estável".
S&P sobe rating e Portugal está a apenas um nível de sair do "lixo"
Carla Pedro Nuno Carregueiro 18 de setembro de 2015 às 16:47

A Standard & Poor's (S&P) elevou o rating soberano de Portugal, que estava dois níveis abaixo de "lixo" (BB), para o primeiro patamar da chamada categoria de investimento especulativo (BB+). Ou seja, ficou a apenas um nível de sair do chamado "lixo".


A agência de notação financeira sustenta a sua decisão de subir o rating com o facto de "a actividade económica e a consolidação orçamental em Portugal estarem a recuperar, em linha com as expectativas, colocando o rácio da dívida pública numa trajectória descendente após 15 anos consecutivos de aumentos".


O consenso do mercado apontava para a possibilidade de a S&P manter tanto o rating como a perspectiva, esperando pelo resultado das eleições legislativas, a 4 de Outubro, para então se pronunciar.

Contudo, a agência explica que "qualquer que seja" o resultado das legislativas, a política a seguir pelo próximo governo deverá ser semelhante à seguida até aqui. "Esperamos que depois das eleições legislativas de Outubro, o novo Governo se comprometa com políticas que impulsionem o crescimento económico e traduzam uma consolidação orçamental".


A agência Moody’s, que tinha agendada para 4 de Setembro uma possível revisão ao "rating" para Portugal, preferiu não se pronunciar e esperar pelas eleições. 

Recuperação da economia deve continuar

 

"A revisão em alta reflecte a nossa perspectiva de uma recuperação económica firme, suportada por uma recuperação gradual das condições do mercado de trabalho", refere a S&P, adiantando que "a consolidação orçamental ajudou a travar a trajectória ascendente da dívida pública, que ainda permanece muito elevada, em cerca de 124 de acordo com a nossa estimativa.

 

A S&P estima uma continuação desta tendência de recuperação da economia portuguesa devido ao ambiente macro e financeiro actual benigno: baixo nível de taxas de juro, queda do euro e das matérias-primas. 

Cita ainda a "melhoria significativa" do perfil da dívida portuguesa e a descida dos custos de financiamento, que tem beneficiado da política de estímulos implementada pelo BCE, com a compra de títulos de dívida soberana. A S&P alerta contudo que, só por si, a acção do BCE não é suficiente para estimular a economia e criar empregos, sendo necessário que seja acompanhada de reformas por parte do governo. 


Dívida "elevada" preocupa

Pela negativa a agência assinala que o "elevado" endividamento do sector público e privado pode representar um constrangimento à evolução da economia. Cita também o elevado endividamento ao exterior e um fraco mecanismo de transmissão de política monetária, já que o crédito concedido às empresas e às famílias está a cair a um ritmo homólogo superior a 3%.

 

A agência assinala que a recuperação económica em Portugal foi liderada pelo sector exportador e estendeu-se ao consumo privado e ao investimento. Tal motivou um aumento das importações, mas ainda assim, devido à queda dos preços do petróleo, a S&P estima que Portugal continue a apresentar um excedente externo até 2018.

 

Sobre o mercado de trabalho, a S&P reconhece que as medidas implementadas pelo executivo de Passos Coelho na área laboral tiveram efeito positivo na descida da taxa de desemprego, e adianta que o mercado de trabalho em Portugal continua a ser mais regulado quando comparado com outros países da União Europeia.

 
Défice nos 3% este ano


As estimativas da agência apontam para que o PIB de Portugal cresça ao ritmo anual de 1,8% entre 2015 e 2017. Para este ano a estimativa aponta para uma taxa de crescimento de 1,7%, chegando aos 1,9% em 2018. A taxa de desemprego deverá recuar para 13,2% este ano, chegando a 11,9% em 2018.

 

A S&P confia que, tal como estima o Governo, o défice orçamental deste ano fique abaixo dos 3% do PIB, com as contas públicas a beneficiarem com a melhoria da economia e redução dos gastos com subsídio de desemprego.

 

Quanto à dívida pública (excluindo as garantias prestadas ao fundo de resgate do euro), a agência antevê uma queda para 118% do PIB entre 2015 e 2016, chegando a 114% do PIB em 2018. No período 2015-2018 os custos da dívida pública deverão corresponder a pouco mais de 10% das receitas do Estado e a S&P estima que a almofada de liquidez construída pelo tesouro para enfrentar períodos de turbulência desça gradualmente nos próximos anos, depois de ter atingido 7,1% do PIB em 2014.  

 

Outlook baixa para "estável"

A agência desceu a perspectiva ('outlook') do "rating" de Portugal, de "positiva" para "estável". Em Março passado tinha passado de "estável" para "positiva".


O "outlook" pode ser positivo, negativo, estável ou em evolução. No primeiro caso, a agência está a indicar que o rating poderá subir. Se, pelo contrário, for negativo, significa que a notação poderá descer. Uma perspectiva estável revela que há fortes probabilidades de a notação se manter no actual nível quando a sua revisão for divulgada. Quando a perspectiva está em evolução, significa que a agência não dá ainda uma indicação do sentido que poderá tomar a sua decisão seguinte, pelo que a classificação tanto pode subir como descer.

O que pode fazer subir e o que pode fazer descer o rating

A Standard & Poor’s apresenta vários factores que podem levar a uma nova subida ou a uma descida da notação soberana de Portugal.


Factores de subida:


- Melhoria significativa e sustentada do panorama para o crescimento económico, nomeadamente através da implementação de mais reformas estruturais.


- Prossecução da consolidação orçamental que empurre a dívida pública líquida para menos de 100% do PIB.


- Aceleração da desalavancagem nos sectores público e privado, com uma marcada redução do endividamento das famílias e das empresas, a par com uma visível diminuição da dívida externa e uma melhoria na eficácia do mecanismo de transmissão monetária.


Factores de descida:


- Se o novo Governo que for eleito em Outubro se desviar marcadamente da actual política económica, suspendendo por exemplo a implementação de reformas estruturais adicionais ou avançando com medidas que possam travar o acesso de Portugal aos mercados financeiros internacionais.


- Se a situação orçamental de Portugal se desviar de forma substancial e negativa das nossas actuais expectativas ou se o ajustamento externo entrar num impasse.

Portugal a apenas um nível de sair do lixo nas três maiores agências

As três maiores agências de notação financeira atribuem à dívida de longo prazo de Portugal classificações que a colocam a apenas um nível de entrarem na categoria de investimento de qualidade.


A Fitch tem uma classificação de ‘BB+’, que é o primeiro nível de "junk". Já a perspectiva é "positiva".


A Moody’s, por seu lado, atribui uma notação de ‘Ba1’ a Portugal, sendo que o ‘outlook’ é "estável".


Fora das três maiores, a agência canadiana DBRS avalia o rating de Portugal em ‘BBB’ (baixo) [qualidade de crédito adequada, que é o último nível da categoria de investimento], sendo que a perspectiva é "estável".

(notícia actualizada pela última vez às 18h34)




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mais votado tojornais 18.09.2015

Portugal só vai sair do lixo se tiver estabilidade e essa só se consegue com a coligação. Ainda não subiram a classificação pois estão à espera das eleições. Só mesmo um cego não vê este filme. As empresas de rating não vão em grupos e querem um País estável e que faça bem os trabalhos de casa. Se temos essa estabilidade porquê ir estragar o que foi feito durante 4 anos.

comentários mais recentes
Anónimo 23.12.2015

Proposta de empréstimo entre indivíduo
Olá querida; Eu concede empréstimos a qualquer pessoa interessada em assistência financeira. Este é um empréstimo entre pessoal individual com condições muito simples. robertdudet18@gmail.com

Eu voto Dr. Relvas !! 20.09.2015

http://economico.sapo.pt/noticias/relvas-alega-que-ja-passou-o-prazo-para-lhe-anularem-a-licenciatura_221846.html

Eleições á vista 20.09.2015

não admira . Estamos perto das eleições.

!!!! 20.09.2015

Ó AINDA ESTOU LUCIDO, não te esqueças do BPN, dos vistos gold, do BIG MAC em Gaia, das comissões das privatizações, das obras publicas com custos em duplicado, nos desvios dos subsidios para a compra de iates, aviões e Ferraris, nos beneficios fiscais, etc., etc.. Há muito mais.

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