Obrigações S&P volta a cortar rating da Oi. Desta vez para o oitavo nível de "lixo"

S&P volta a cortar rating da Oi. Desta vez para o oitavo nível de "lixo"

A agência de notação financeira Standard & Poor’s desceu em quatro níveis classificação da dívida da Oi, que está agora no oitavo nível de lixo, tendo retirado o "outlook" negativo.
S&P volta a cortar rating da Oi. Desta vez para o oitavo nível de "lixo"
Bloomberg
Carla Pedro 11 de março de 2016 às 00:03

No passado dia 15 de Fevereiro, a S&P cortou o rating da operadora de telecomunicações brasileira Oi, do primeiro (BB+) para o terceiro nível de "junk" (o chamado "lixo"), que se insere na categoria de investimento especulativo. Nessa altura, manteve o "outlook" negativo.

 

Depois, no dia 26 de Fevereiro, "voltou à carga", descendo a classificação da dívida da Oi, do terceiro (BB-) para o quarto (B+) nível de "junk". E voltou a colocar a dívida sob revisão, com implicações negativas.

 

Ou seja, ao manter, em ambas as decisões, o "outlook" negativo, isso significava que poderia vir a cortar de novo o rating da operadora brasileira no período de três meses. E cortou mesmo. 

 

Esta quinta-feira ao final do dia, a agência divulgou um relatório, onde anunciou o corte da notação da Oi de B+ para CCC, naquele que é o oitavo nível de "lixo". E justificou a medida com o facto de acreditar que a estratégia da operadora brasileira para reduzir o endividamento deverá envolver uma troca de dívida com algum nível de desconto.

 

"A Oi anunciou recentemente que contratou a PJT Partners como assessora financeira para a ajudar a avaliar as alternativas estratégicas e financeiras de modo a optimizar a sua liquidez e perfil de endividamento. Estamos convictos de que a estratégia da Oi para reduzir o seu endividamento irá provavelmente passar por uma troca de dívida com algum nível de desconto, dado o elevado nível de alavancagem e os baixos preços do mercado para as obrigações", salienta o relatório.

 

E, quanto a isto, "muito provavelmente iremos avaliar uma tal transacção como estando [a empresa] em crise financeira", destaca a agência.

 

A S&P referia-se ao comunicado de quarta-feira, 9 de Março, através do qual a Oi anunciou ter contratado a consultora PJT Partners como sua assessora financeira "para a ajudar na avaliação de alternativas financeiras e estratégicas que visam optimizar a sua liquidez e o perfil de endividamento". Nesse mesmo documento, a operadora dizia que manterá "os seus esforços para melhorias operacionais e para transformação do negócio, com foco na austeridade, optimização de infra-estruturas, revisão de processos e acções comerciais".

 

No seu relatório de 15 de Fevereiro, a Standard & Poor’s estimava que a Oi apresentasse "crescentes níveis de endividamento, uma vez que os custos mais elevados e as despesas pressionam a sua capacidade de gerar ‘cash flow’ ainda mais do que aquilo que se previa".

 

A 26 de Fevereiro, não foi apenas a S&P que desceu a classificação da dívida de longo prazo da Oi. A Fitch tomou a mesma decisão. E ambas justificaram a medida com o facto de a TIM (operadora da Telecom Itália) ter informado o fundo russo LetterOne que não pretende aprofundar as negociações com a Oi para avançar com uma fusão dos activos, isto depois de quatro meses de conversações.

 

A fusão, se fosse em frente, seria acompanhada de uma injecção de capital por parte do LetterOne que poderia ascender a quatro mil milhões de dólares.

 

O fracasso das negociações levou a que a S&P ficasse convicta de que a Oi enfrenta agora ainda mais desafios no sentido de reduzir o seu elevado endividamento. A mesma opinião teve a Fitch, considerando que a operadora brasileira poderá confrontar-se com graves problemas de liquidez a partir de 2017.

 

A 1 de Março foi a vez da Moody’s, que justificou o corte de rating da Oi com o "aumento persistente da alavancagem e o consumo de liquidez da empresa, que reduziu a flexibilidade financeira e resultou numa estrutura de capital insustentável". A agência de rating acrescentava ainda que também o fim das negociações entre a Oi e a Tim, com vista à fusão patrocinada pelo fundo russo LetterOne, pesou na decisão.

 

Recorde-se que a Pharol (ex-PT SGPS) detém 27,5% do capital da Oi e que a desistência da TIM relativamente a uma fusão levou a que a empresa liderada por Palha da Silva afundasse na bolsa de Lisboa nas últimas semanas.

 

A empresa liderada por Palha da Silva fechou a sessão desta quinta-feira a perder 6,37% para 14,7 cêntimos – o que constituiu um novo mínimo histórico. Desde 22 de Fevereiro, a Pharol já afundou 42,58%.

 

A Oi tinha ficado com a PT Portugal no âmbito da aliança estratégica que acordou com a PT mas que acabou por não ser bem sucedida – o que levou a Oi a vendê-la à francesa Altice, que agora agrega os negócios da operadora (nomeadamente a marca Meo). 


(notícia actualizada às 00:49)


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mais votado COLX 11.03.2016

Torna-se evidente que em 2013 quando a PT descarrilou a decis@ao acertada teria sido a reversao do negocio - todavia as almas iluminadas continuaram a acelerar contra a parede !!!

comentários mais recentes
COLX 11.03.2016

Torna-se evidente que em 2013 quando a PT descarrilou a decis@ao acertada teria sido a reversao do negocio - todavia as almas iluminadas continuaram a acelerar contra a parede !!!

Juca 11.03.2016

Ói, Ói lá lá. É mais um trambuco que o povão vai pagá.

Anónimo 11.03.2016

já falta pouco para a Pharol fechar portas. atentos.

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