Obrigações "Spread" da dívida de Portugal face a Itália atinge máximo de 12 anos

"Spread" da dívida de Portugal face a Itália atinge máximo de 12 anos

É preciso recuar a 2006 para ver os juros da dívida italiana 50 pontos base acima da "yield" das obrigações portuguesas.
"Spread" da dívida de Portugal face a Itália atinge máximo de 12 anos
Reuters
Negócios com Bloomberg 25 de maio de 2018 às 17:14

A dívida portuguesa tem sido arrastada pela turbulência política em Itália, com a "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos a fixar máximos desde Março acima dos 2%.

 

Contudo, a dívida transalpina tem sido mais pressionada, levando o "spread" entre os dois países para níveis de 2006. Os investidores estão nesta altura a exigir um prémio de 50 pontos base para comprar dívida italiana em vez da portuguesa, quando há poucos meses atrás era a dívida portuguesa que estava em níveis superiores.

 

"Enquanto Itália está a ser penalizada pela turbulência política, a economia portuguesa está a crescer, ajudando o país a baixar a taxa de desemprego e gerir o défice orçamental", escreve a Bloomberg.

 

Os juros da dívida pública portuguesa a 10 anos estiveram hoje a subir 9,6 pontos base para 2%. Em Itália a "yield" dos títulos a 10 anos chegou a disparar 12 pontos base para 2,51%, o que representa um novo máximo de três anos.

 

Contudo, os investidores devem permanecer cautelosos com as obrigações soberanas portuguesas uma vez que os investidores estrangeiros já no passado foram rápidos a desinvestir, diz o Commerzbank, dando como exemplo o que aconteceu em 2016.   

 

O diferencial dos juros da dívida italiana face à alemã está já na casa dos 200 pontos base, tendo duplicado no espaço de poucos meses.

 

Acresce que hoje também aumentou a turbulência política em Espanha. O PSOE apresentou esta sexta-feira uma moção de censura ao governo de Mariano Rajoy – na sequência das condenações no caso Gürtel - e o Cidadãos já garantiu que votará a favor caso o Executivo não peça a realização de eleições antecipadas. Rajoy recusou demitir-se.

 

Em Itália, esta evolução acontece numa altura em que Giuseppe Conte, o próximo primeiro-ministro do país, está a finalizar a lista de membros do seu Executivo para apresentar ao presidente Sergio Mattarella para aprovação.

                                                         

"A incerteza permanece elevada sobre a identidade de quem será escolhido como ministro das Finanças do país e, especificamente, o grau de cepticismo do candidato em relação ao euro", refere o Rabobank numa nota citada pelo Financial Times. "Por enquanto, a especulação nessa frente está a impulsionar os juros italianos".

 

 




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