Taxas de juro Argentina sobe taxa de juro para 60% com peso em queda livre

Argentina sobe taxa de juro para 60% com peso em queda livre

O peso argentino está em queda livre nos mercados, obrigando o banco central a responder com medidas drásticas.

A mais uma queda acentuada no valor da moeda, a Argentina respondeu com uma subida na taxa de juro de referência do país em 15 pontos percentuais. O preço do dinheiro na segunda maior economia da América Latina está agora nos 60%, o que mais que duplica a taxa de juro registada há pouco mais de três meses.

 

Esta decisão do banco central do país surge como resposta à queda de 15% do peso na abertura da sessão desta quinta-feira. Isto depois de ontem a moeda do país já ter recuado 7%, o que representa a queda mais acentuada desde que o novo peso começou a transaccionar nos mercados.

 

A moeda da Argentina já atingiu esta quinta-feira um novo mínimo histórico, transaccionando em 35,423 pesos por dólar.

 

A medida drástica de subir os juros para níveis nunca antes vistos surge numa altura de grave crise financeira nesta economia emergente, que solicitou um pedido de assistência financeira ao Fundo Monetário Internacional (FMI).  

 

Isto num cenário em que os investidores temem que a inflação elevada, a economia em recessão e a agitação nos mercados emergentes levem a Argentina a falhar as suas obrigações referentes à dívida em dólares no próximo ano.

Juros sempre a subir

A 3 de Maio deste ano a Argentina subiu a taxa de juro de referência em três pontos percentuais para 33,25%, uma semana depois de ter agravado o preço do dinheiro face aos 27,25% em vigor em Abril.

 

Logo no dia a seguir, a 4 de Maio, a Argentina subiu a taxa de juro para uns inéditos 40% e quando pediu o resgate colocou o preço do dinheiro nos 45%, nível em que permaneceu até hoje.

 

Resgate de 50 mil milhões

Foi em Junho que o FMI anunciou que ia conceder um financiamento de 50 mil milhões de dólares à Argentina, depois de dois anos de recessão, uma inflação perto dos 30% e com o país a registar os custos de financiamento mais elevados do mundo.

 

A crise financeira aguda do país colocou o peso em queda livre, sendo que só até ao final da sessão de ontem a moeda já tinha perdido mais de 40% do seu valor, rivalizando com a lira da Turquia o estatuto de divida com pior prestação em 2018.

 

O agravar da crise levou mesmo a Argentina a pedir ao FMI que liberte antecipadamente parte dos fundos definidos no programa de assistência financeira assinado entre o fundo e o país, em Junho, numa tentativa de mostrar aos mercados que tem dinheiro suficiente para se financiar no próximo ano. Um pedido efectuado esta semana e que a entidade liderada por Christine Lagarde já aprovou, sem adiantar quanto é que será disponibilizado.

 

O acordo com o FMI traz de volta más memórias para os argentinos, que responsabilizam as políticas do fundo pela pior crise económica do país, em 2001. Mas o presidente Macri (na foto) disse que este acordo era necessário para evitar outra implosão económica.




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