Dia Mundial da Energia 2018 Economia verde pode gerar 24 milhões de empregos até 2030

Economia verde pode gerar 24 milhões de empregos até 2030

Novos empregos serão criados com a adopção de práticas sustentáveis no sector de energia.
Economia verde pode gerar 24 milhões de empregos até 2030

São 24 milhões os novos empregos que vão ser criados globalmente até 2030 se forem implementadas políticas adequadas para promover uma economia mais verde, revela um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado este mês de Maio.

 

Segundo o "World Employment and Social Outlook 2018: Greening with Jobs", que relaciona o emprego com o ambiente a nível mundial, as acções para limitar o aquecimento global em dois graus Celsius resultarão na criação de postos de trabalho suficientes para compensar as perdas de emprego de seis milhões em outros sectores.

 

Os novos empregos serão criados com a adopção de práticas sustentáveis no sector de energia, incluindo mudanças na combinação de fontes de energia, promovendo o uso de veículos eléctricos e melhorando a eficiência energética dos edifícios.

 

Os serviços de ecossistemas – incluindo purificação da água e ar, renovação e fertilização dos solos, controlo de pragas, polinização e protecção contra as condições climáticas extremas – sustentam, entre outras, actividades agrícolas, de pesca, de silvicultura e de turismo, que empregam cerca de 1.200 milhões de pessoas. Todavia, o aumento previsto da temperatura fará com que o stress térmico se torne mais comum sobretudo na agricultura, provocando problemas de saúde como a exaustão, para dar um exemplo. De acordo com o relatório, estima-se que a nível mundial esta situação irá causar uma perda de 2% de horas trabalhadas até 2030 devido a doenças.

 

Dois milhões na Europa

 

O documento adianta que, a nível regional, haverá uma criação líquida de emprego de três milhões nas Américas, 14 milhões na Ásia e no Pacífico e de dois milhões na Europa em função das medidas adoptadas na produção e uso de energia.

 

Em contrapartida, poderão registar-se perdas líquidas de emprego no Médio Oriente (-0,48%) e em África (-0,04%) se persistirem as tendências actuais devido à dependência destas regiões de combustíveis fósseis e de minerais.

 

A OIT pede aos países que tomem medidas urgentes dirigidas a formar os trabalhadores para a transição de uma economia mais verde e a proporcionar-lhes uma protecção social que facilite a passagem a novos postos de trabalho, contribuindo para prevenir a pobreza e reduzir a vulnerabilidade das famílias e da comunidade.

 

Adoptar políticas apropriadas

 

As medidas para lidar com as mudanças climáticas podem resultar na perda de emprego a curto prazo em alguns casos, mas o seu impacto negativo pode ser reduzido com a adopção de políticas apropriadas. O relatório pede sinergias entre a protecção social e as políticas ambientais que apoiam os rendimentos dos trabalhadores e a transição para uma economia mais verde. Uma combinação de políticas que inclua transferências de renda, seguro social mais forte e limites ao uso de combustíveis fósseis levaria a um crescimento económico mais rápido, gerava mais empregos e uma distribuição de renda mais justa, bem como menores emissões de gases de efeito estufa.




Benefícios superam perdas

. A OIT conclui que a maioria dos sectores irá beneficiar da criação líquida de emprego. Dos 163 sectores da economia mundial, só 14 irão registar perdas acima de 10 mil postos de trabalho;
. Apenas dois sectores – a extracção e a refinação de petróleo –apresentam perdas de 1 milhão ou mais de postos de trabalho no período analisado pela organização;
. O documento avança que 2,5 milhões de empregos serão criados na produção de energia de base renovável, compensando os cerca de 400 mil postos de trabalho perdidos na produção de energia baseada em combustíveis fósseis;
. Seis milhões de empregos poderão ser criados por força da transição para uma "economia circular" que assenta na reciclagem, redução, reutilização e recuperação de materiais e energia.




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